Avançar para o conteúdo principal

Prazo de prescrição dos Certificados de Aforro duplica e limite para investir também



Regime aprovado em Conselho de Ministros quer clarificar regras, evitar mais litígios em tribunal e tornar o produto mais atrativo, diz fonte do governo. Certificados vão poder ser comprados em quase todos os bancos, se estes assim o quiserem.


 Os Certificados de Aforro (CA) vão passar a ter um prazo de prescrição de 20 anos após a morte do titular face aos atuais 10 anos, indicou uma fonte do governo, esta quinta-feira. Além disso, a Autoridade Tributária vai passar a saber quem tem este produto de poupança (por via do próprio IGCP, a agência da dívida que comercializa os CA) e também se os titulares deste tipo de aforro já morreram ou não (via Instituto dos Registos e do Notariado).


Com esta mudança, as declarações de IRS passarão a vir pré-preenchidas, informando se o contribuinte (o aforrador ou os seus herdeiros) têm na sua posse CA ou não.


Além disso, o Estado vai também permitir que as famílias possam investir mais dinheiro nos CA, duplicando o limite máximo de subscrição da série F (que foi inaugurada em junho passado) de 50 mil para 100 mil euros, não podendo, em todo o caso, o aforrador exceder os 350 mil euros em poupanças aplicadas em CA considerando a soma dos certificados da série F e E.


De acordo com a resolução que sairá do Conselho de Ministros que decorreu esta quinta-feira, o novo regime de prescrição dos certificados será aplicado às novas séries que foram levantadas com o objetivo de clarificar de uma vez por todas a leitura das regras, que era ambígua e gerou muitos litígios em tribunal ao longo de anos.


Isto porque, na sequência da morte de titulares de CA, foram surgindo ao longo dos anos muitos casos em que os herdeiros desconheciam a existência desses títulos de poupança, que o Estado (IGCP) considerava caducados ao fim de 10 anos. 


No entanto, isto conduziu a vários processos em tribunal. A PGR emitiu um parecer em 2012, no qual o IGCP se resguarda, em que afirma que a regra é que os dez anos passam a contar a partir da data da morte.


Mas muitos tribunais decidiram de forma diferente e dizem que contagem do prazo de prescrição dos CA deve iniciar-se sim a partir do momento em que os herdeiros sabem da existência da titularidade dos CA.


Além disso, explicou a mesma fonte oficial, foi dada indicação para que todos os casos em tribunal que ainda não chegaram a transitado em julgado, ou seja, que ainda então pendentes de decisão, o IGCP tem indicação, mediante uma análise que fará caso a caso, para desistir dos processos judiciais que ainda existam.


Outra novidade no quadro de regras dos CA é que todos os títulos atualmente existentes, mesmo os muito antigos, como os da série A e B (que só existem em papel), passam a ter uma versão digital. O período de transição desta medida será de cinco anos a contar da data em que o diploma entrar em vigor, o que deverá acontecer em breve.


E, daqui em diante, todas as amortizações de CA (quando estes títulos de dívida pública chegarem à maturidade) vão passar a ser feitas por transferência bancária, o que obrigará todos os clientes particulares do IGCP a terem uma conta num banco, obviamente.


Prazo de prescrição dos Certificados de Aforro duplica e limite para investir também (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Uma empresa que quase só dá prejuízo está prestes a fazer do homem mais rico do mundo o primeiro trilionário da história

 O objetivo traçado pela SpaceX é claro mas ousado: "construir os sistemas e as tecnologias necessárias para tornar a vida multiplanetária, compreender a verdadeira natureza do Universo e estender a luz da consciência às estrelas" A SpaceX revelou esta quarta-feira os tão aguardados planos de entrar em bolsa, lançando luz sobre as finanças e a liderança de uma das maiores, mais conhecidas e, ainda assim, mais secretas empresas privadas da história. A empresa de foguetões e satélites de Elon Musk revelou detalhes até agora desconhecidos, incluindo os seus membros do conselho, as vendas, os lucros, as despesas e a forma como opera. As suas ações serão negociadas na bolsa sob o código SPCX. Um dado que não foi divulgado: quanto é que a empresa espera arrecadar e qual o seu valor potencial naquela que está amplamente prevista ser a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da história - talvez até três vezes superior. Estes detalhes serão divulgados posteriormente, p...

BYD negocia compra de fábricas da Stellantis para dominar a Europa

Fábricas da Stellantis na Itália estão entre os principais alvos da BYD (Foto: Stellantis | Divulgação)  Gigante chinesa busca assumir unidades subutilizadas e descarta parcerias para manter controle direto; Itália é um dos mercados no radar da companhia A BYD confirmou estar em negociações com a Stellantis e outras montadoras para adquirir fábricas subutilizadas no território europeu, afirmou a Bloomberg. A estratégia visa consolidar a presença industrial da marca no continente e acelerar a produção local, conforme revelado pela vice-presidente executiva da companhia, Stella Li, durante a conferência “Future of the Car”, em Londres. A executiva destacou que a BYD avalia oportunidades em diversos países, com atenção especial à Itália. O país vive um impasse entre o governo e a Stellantis, com Roma pressionando o grupo para que atinja a meta de 1 milhão de veículos produzidos anualmente em plantas italianas. Para a BYD, a prioridade é a gestão direta: a fabricante prefere operar as ...

Stellantis quer democratizar elétricos na Europa com o programa E-Car

 A Stellantis lançou um novo programa de desenvolvimento de automóveis elétricos compactos e acessíveis para a Europa. O grupo automóvel quer lançar novos veículos elétricos compactos a partir de 2028, com produção inicial na fábrica italiana de Pomigliano d’Arco. A Stellantis anunciou o arranque de um novo projeto para desenvolver automóveis elétricos acessíveis. Denominado “E-Car” , é um programa de desenvolvimento de carros elétricos compactos e acessíveis que visa impulsionar o emprego europeu nas áreas do design e da produção automóvel, mas também acelerar a adoção de veículos 100% elétricos na Europa. A produção destes modelos tem arranque previsto para 2028 na unidade de Pomigliano d’Arco, em Itália. Uma unidade com capacidade para fabricar quase 300 mil veículos por ano, agora inserida naquela que é uma aposta para reforçar a mobilidade elétrica urbana e recuperar o segmento dos automóveis pequenos no mercado europeu. O regresso do carro do povo? A Stellantis refere que os ...