Avançar para o conteúdo principal

Reformados receberam bónus de “meia pensão” no ano passado, enquanto este ano só vão receber valores até aos 200 euros?

 

O que está em causa?
A alegação surgiu num grupo do Facebook dedicado a pensionistas que ali costumam partilhar experiências e colocar dúvidas. Em causa está o suplemento extraordinário decidido pelo atual Governo, em comparação com outro apoio extraordinário que tinha sido dado pelo Governo anterior.
© Agência Lusa / Ana Correia

“Caríssimos egrégios reformados e pensionistas, não é com ajustes de migalhas”, comenta-se numa publicação de 7 de setembro no Facebook, onde se comparam os valores dos suplementos extraordinários para os pensionistas que foram atribuídos pelo atual Governo, liderado por Luís Montenegro (AD), e pelo Governo anterior, liderado por António Costa (PS), nos últimos anos.

“No ano passado, se bem (…) se recordam, receberam a dita meia pensão”, destaca o autor do texto, referindo-se a um suplemento extraordinário destinado aos pensionistas. Um valor que supera o previsto na medida entretanto anunciada pelo atual Governo – que consistem em bónus de valor variável de “100,150 e 200 euros”, consoante o rendimento mensal do reformado, a ser pago em outubro. 

Um montante que importa não confundir “com o verdadeiro aumento” das pensões que ocorrerá em “janeiro de 2025” – esse sim, “que será para todos os meses”.

Estas alegações têm fundamento? Os valores indicados estão corretos?

De facto, a 22 de agosto deste ano, o Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei que criava “um suplemento extraordinário de pensão destinado aos que recebem pensões mais baixas”, de modo a dar resposta “à elevada taxa de inflação dos últimos anos e ao consequente aumento do custo de vida”. 

Em causa um apoio que abrange “os pensionistas da Segurança Social, da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e do setor bancário que recebam um valor igual ou inferior a três vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS) em vigor” – e que, tal como se alega na publicação analisada, “é pago com as pensões do mês de outubro de 2024, sem necessidade de pedido do beneficiário”.

Ora, este é um suplemento que, segundo o comunicado do Conselho de Ministros citado, “não é contabilizado para efeitos do Complemento Solidário para Idosos (CSI)” e, além disso, cujo valor “é determinado em função do montante mensal global recebido pelo pensionista”. Mais concretamente:

“a. 200 euros para pensionistas com pensões de montante igual ou inferior a 509,26 euros;

b. 150 euros para pensionistas com pensões de montante superior a 509,26 euros e igual ou inferior a 1018,52 euros;

c. 100 euros para pensionistas com pensões de montante superior a 1018,52 euros e igual ou inferior a 1527,78 euros.”

No final deste Conselho de Ministros, o responsável pela pasta da Presidência, António Leitão Amaro, apontou que é considerado, para este cálculo, “o rendimento da sua ou das suas pensões [dos reformados], se for o caso de terem mais do que uma”, lê-se em nota informativa publicada no site do Governo. Refira-se ainda que o suplemento “é sujeito a IRS, mas a taxa de retenção na fonte é autónoma para não causar uma mudança de escalão aos pensionistas”, segundo o ministro. 

Ora, sobre a medida implementada pelo Executivo anterior, foi anunciada depois de um Conselho de Ministros extraordinário realizado a 5 de setembro de 2022, pelo Governo então liderado por António Costa, e resultou na aprovação de um “conjunto de medidas excecionais para apoiar de imediato o rendimento das famílias tendo em vista a mitigação dos efeitos da inflação e do aumento dos custos energéticos”, segundo informou em comunicado.

Um dos diplomas aprovados estabelecia “o pagamento aos pensionistas de 14 meses e meio de pensões, em vez dos habituais 14 meses.” Ou seja, em causa está o tal bónus de “meia pensão” que se menciona na publicação analisada, embora o mesmo não tenha sido implementado no ano de 2023, mas sim em 2022.

Na página do Governo de Costa, três dias depois do anúncio do pacote de medidas “Famílias Primeiro”, destacava-se que esse “complemento excecional a pensionistas” era um apoio destinado a quem recebesse “pensões de velhice, invalidez e sobrevivência” até “12 IAS (5.318€)”, a ser pago “apenas uma vez”, em outubro desse ano – “através de transferência, da mesma forma que recebem a sua pensão atualmente” -, com “um valor correspondente a metade de um mês da respetiva pensão”. Ou seja, um reformado que auferisse uma pensão mensal de 600 euros receberia, por essa altura, um montante extraordinário de 300 euros.

Exceção à regra foi o caso dos pensionistas que apenas começaram a receber a reforma em novembro, apesar do pedido ter sido feito antes de outubro, que apenas viriam a receber o apoio posteriormente. Mas também dos pensionistas do setor bancário, que apenas em maio de 2023 viram publicado o decreto-lei que possibilitou que, também eles, recebessem o “complemento excecional” de meia pensão – embora a esse montante fosse deduzido o montante de 125 euros. Em causa está o resultado de um acordo entre sindicatos e Governo no início desse mesmo ano. 

De notar ainda que o Governo esclareceu ainda, à data, que “a taxa de retenção na fonte aplicável ao complemento excecional a pensionistas” era a “habitualmente aplicada à pensão” e que este “rendimento extra” ficaria “excluído na determinação da taxa de IRS a aplicar no mês em que o apoio for pago, evitando-se a subida de escalão”. Porém, no “acerto do IRS no final do ano”, este acabaria por ser “considerado para efeitos de imposto, seguindo as regras e taxas gerais”.

Na altura, tal como já foi escrito pelo Polígrafo, os partidos da oposição apelidaram as medidas do Executivo socialista de “truques” e “fraudes”, alegando que nada ficaria resolvido e, pior, os pensionistas iriam perder dinheiro a partir de 2024 – já que o bónus viria acompanhado de uma redução na atualização das pensões em 2023. 

O Governo negou continuamente esta acusação mas, em conferência de imprensa a 17 de abril de 2023, António Costa viria a anunciar a aprovação de um “aumento intercalar das pensões a partir de julho”, no “valor de 3,57%” – a somar ao concretizado desde janeiro desse ano. Dessa forma, o Executivo desfez um problema apontado à data não só pelos partidos mas também por economistas – e reverteu, assim, uma situação que colocaria os pensionistas com menos dinheiro nos bolsos.


Reformados receberam bónus de “meia pensão” no ano passado, enquanto este ano só vão receber valores até aos 200 euros? – Poligrafo (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Prestação Social Única vai fundir 13 apoios sociais num só

Secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, diz que serão previstas normas de transição para salvaguardar os atuais beneficiários, garantindo que a passagem para o novo modelo não implica perdas abruptas de proteção  A futura prestação social única vai agregar 13 apoios do subsistema de solidariedade, incluindo o Rendimento Social de Inserção, mas excluindo o complemento solidário para idosos, devendo o diploma ser aprovado em breve para discussão parlamentar. A garantia foi dada pela secretária de Estado da Segurança Social, Filipa Lima, numa audição regimental na comissão parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, na qual explicou que o projeto "está atualmente em circulação entre os membros do Governo", prevendo-se o seu envio "muito em breve" à Assembleia da República, sob a forma de projeto de lei. Segundo a governante, a prestação social única (PSU) tem como principal objetivo simplificar o acesso aos apoios sociais, reduzindo a burocraci...

Tecnologia de drones evolui a cada 3 a 6 meses, levando a Europa a adquirir sistemas obsoletos

 A guerra na Ucrânia deixou claro que a tecnologia dos drones evolui mais rapidamente do que os governos conseguem adquiri-la. Será que os sistemas de defesa conseguem acompanhar esse ritmo? Antes da invasão russa, nenhuma força armada europeia possuía mais de 2000 drones operacionais. Atualmente, os dois exércitos consomem até sete milhões de aparelhos por ano. Os drones evoluíram de dispositivos de nicho para se tornarem a espinha dorsal da guerra moderna e a Europa procura recuperar terreno neste domínio. Os números por si só revelam uma transformação extraordinária. A Ucrânia, por exemplo, duplicou a produção de drones, passando de 2,2 milhões em 2024 para 4,5 milhões em 2025. No entanto, o volume é apenas metade da batalha. A verdadeira corrida é tecnológica: o interior destas máquinas torna-se obsoleto quase assim que sai da linha de montagem. "Os drones evoluem tecnologicamente de três em três meses, ou de seis em seis meses", afirma Nikolaus Lang, director-geral e sóc...

Geely apresenta motor de combustão com consumo de 2,24 litros aos 100 km

 A construtora chinesa Geely apresentou o motor de combustão mais eficiente de sempre, com níveis de eficiência que se aproximam dos da Fórmula 1. A Geely revelou um novo sistema híbrido que atinge uma eficiência térmica de quase 50%, um valor que marca um novo patamar na indústria automóvel. De acordo com a informação avançada pela publicação Car News China, o sistema híbrido da Geely alcançou 48,4%, de eficiência térmica. Um resultado que foi verificado de forma independente pelo Guinness World Records, assim como o consumo combinado equivalente a cerca de 2,24 litros aos 100 km. O sistema, denominado i-HEV, recorre a algoritmos baseados em inteligência artificial para gerir a energia de forma mais eficiente. E a marca chinesa afirma que os mesmos valores verificados podem ser alcançados com qualquer veículo equipado com este sistema híbrido, esteja ele combinado com um motor de combustão de 1,5 litros ou de 2,0 litros. Porque é relevante A eficiência térmica é uma medida da quan...