Avançar para o conteúdo principal

Operação Influencer: primeiro-ministro António Costa suspeito de prevaricação


Galamba negociou lei com empresário da Start Campus e Costa ajudou a criá-la: as suspeitas do Ministério Público na Operação Influencer


António Costa terá participado na criação de uma "lei malandra" feita à medida dos interesses dos empresários da Start Campus, em Sines.


Chefe do Governo é visto pelo Ministério Público como suspeito da prática do crime de prevaricação. Em causa estará a aprovação do novo Regime Jurídico de Urbanização e Edificação.

Operação Influencer: primeiro-ministro António Costa suspeito de prevaricação

O primeiro-ministro António Costa é considerado pelo Ministério Público suspeito da alegada prática do crime de prevaricação. Em causa está, segundo o jornal Observador, a aprovação do novo Regime Jurídico de Urbanização e Edificação, no Conselho de Ministros do passado dia 19 de outubro.

No âmbito do pacote Mais Habitação, no dia 19 de outubro de 2023 foi aprovado em Conselho de Ministros uma nova lei que “simplificava licenciamentos no âmbito do urbanismo, ordenamento do território e indústria”.

Neste sentido, o Observador avança que o Ministério Público escutou conversas entre o ex-ministro João Galamba, João Tiago Silveira (coordenador do Simplex do licenciamento) e advogado do escritório Morais Leitão em que negociaram os pormenores dessa alínea - aprovada em Conselho de Ministros - com Rui Oliveira Neves, administrador da Start Campus.

Daí, a construção do data center seria acelerada e beneficiada pela nova lei, tendo em conta que dispensaria de qualquer processo de licenciamento urbanístico.

A lei foi promulgada dia 4 de janeiro de 2024 pelo Presidente da República.

Uma das conversas a que o Observador teve acesso, datada a 13 de outubro, é travada entre João Tiago Silveira e Rui Oliveira Neves que afirma ter estado com “o Costa quatro horas a ver isto na quarta-feira [11 de outubro]” e reforçou que “o gajo” estava “absolutamente entusiasmado”.

De acordo com as informações recolhidas pelo Observador do Ministério Público, o entusiasmo deve-se à tal lei “feita à medida” a que o administrador da Start Campus, Oliveira Neves, classifica como “muito malandro”, mas que será o caminho que têm de seguir.

O Observador apurou que a personagem referida como Costa se trata do primeiro-ministro demissionário António Costa.

O mestre Galamba

O ex-ministro João Galamba é considerado pelos procuradores da Operação Influencer como o “mentor” do alegado esquema para favorecer a empresa Start Campus na construção do data center, em Sines.

A informação foi avançada pelo Expresso, que teve acesso ao recurso do Ministério Público (MP) às medidas de coação do juiz de instrução, Nuno Dias Costa.

Isto é, foi no Ministério das Infraestruturas que o novo Regime Jurídico de Urbanização e Edificação começou a ser trabalhado.

De acordo com as escutas a que o Observador teve acesso, Afonso Salema, CEO da Start Campus, disse a Oliveira Neves a 12 de outubro de 2023 que Lacerda Machado, consultor da Start Campus e amigo próximo de António Costa, tinha falado com “o Galamba” e que lhe “pediu para incluir os data centers no RJUE” e “pediu com urgência saber o que é preciso ser agilizado no licenciamento de data centers”.

O advogado, Tiago Silveira

João Tiago Silveira, a quem estava atribuído a coordenação do Simplex Industrial e do Ambiente, já foi ex-secretário de Estado da Justiça e da Presidência do Conselho de Ministros nos Governo encabeçados por José Sócrates.

Durante, era também sócio do escritório Morais Leitão. Tal como Rui Oliveira Neves.

Daí, Oliveira Neves conversava com Tiago Silveira no sentido de “lhe pedir que proceda às referidas alterações” e para discutir “soluções” que favorecessem “os interesses da Start Campus”.

A lei “escondida”?

O Observador também apurou que a lei aprovada na Assembleia da República permitia às entidades públicas descartarem o licenciamento. No entanto, ressalva o jornal online, o decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros albergou projetos industriais, como data centers, nessa dispensa de licenciamento.

A demissão

António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo relacionado com negócios sobre o lítio, o hidrogénio verde e o 'data center' de Sines terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos.

Neste sentido, pediu a sua demissão ao Presidente da República em novembro, que aceitou.

A dissolução da Assembleia da República dá-se a 15 de janeiro, após ter sido aprovado o Orçamento do Estado, com o Governo em gestão neste último mês.

As eleições legislativas estão marcadas para 10 de março. 


Operação Influencer: primeiro-ministro António Costa suspeito de prevaricação - SIC Notícias (sicnoticias.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...