Avançar para o conteúdo principal

Hugo Mendes: 500 mil euros para Alexandra Reis? "Houve trabalhadores a receber 250 mil em rescisões"



 O ex-secretário de Estado das Infraestruturas defende que valor pago à ex-administradora da TAP resultou de um "ponto de equilíbrio" e relembrou que a engenheira auferia um salário 55% inferior ao do seu antecessor, David Pedrosa.


Hugo Santos Mendes considera que o valor pago a Alexandra Reis aquando da sua saída da TAP, em fevereiro de 2022, de 500 mil euros, resultou de um "ponto de equilíbrio" entre "os direitos da empresa e da administradora".


O ex-secretário de Estado das Infraestruturas, que está esta quarta-feira, 14, a ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito à Tutela Política da Gestão da TAP (CPI), relembrou que Alexandra Reis pediu à empresa pública um valor "três vezes superior" ao que foi pago. Hugo Mendes desvalorizou ainda que o meio milhão de euros de indemnização tenha sido um montante elevado comparando com outros pagamentos feitos na transportadora aérea.


"Houve pessoas da TAP, trabalhadores, que receberam 250 mil euros em rescisões de mútuo acordo. E eram trabalhadores", disse.


O braço direito de Pedro Nuno Santos comparou ainda as remunerações de Alexandra Reis e do seu antecessor, na gestão privada, David Pedrosa. "Alexandra Reis ganhava, com o corte de 30% [no âmbito do plano de reestruturação], 245 mil euros, menos 55% do que David Pedrosa que tinha direito a um bónus de um milhão de euros", frisou.


Já sobre o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a anunciar a saída de Alexandra Reis, no qual constava a indicação de que tinha sido a administradora a renunciar ao cargo, Hugo Mendes admitiu que o comunicado "talvez não seja fiel".


"O processo foi instruído, negociado e finalizado pelos advogados que representavam as duas partes, não tenho motivo para achar que havia alguma mentira. (...) Não fomos nós que escrevemos o comunicado, foi escrito por quem negociou o acordo, fizemos boa-fé de que era fiel e por isso seguiu", explicou.


"O comunicado talvez não seja fiel, nós não nos metemos no comunicado", assumiu ainda.


Hugo Mendes justificou ainda que o ministério liderado por Pedro Nuno Santos acedeu ao pedido da ex-CEO da TAP, para a saída de Alexandra Reis, para a "empoderar como líder da sua equipa" oferecendo-lhe "condições para executar o plano de reestruturação" de Bruxelas, relembrando que Christine Ourmières-Widener dirigia uma equipa na qual tinha escolhido um membro.


O ex-secretário de Estado das Infraestruturas, que apresentou a demissão em conjunto com Pedro Nuno Santos, a 29 de dezembro de 2022, a propósito da polémica indemnização paga a Alexandra Reis, inaugura esta quarta-feira a última semana de audições da CPI. Amanhã será a vez do ex-ministro das Infraestruturas e da Habitação regressar ao Parlamento, depois de na semana passada ter prestado declaração na Comissão de Economia. Por fim, na sexta-feira, será a vez do ministro das Finanças, Fernando Medina, que encerrará o ciclo das audições presenciais da CPI à TAP.


Hugo Mendes: 500 mil euros para Alexandra Reis? ″Houve trabalhadores a receber 250 mil em rescisões″ (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Defender a escola pública

 1. Escrevo sobre o conflito que envolve os professores preocupada, em primeiro lugar, com o efeito que este está a ter na degradação da escola pública, na imagem e na confiança dos pais no sistema educativo, nos danos que estão a ser causados a milhares de alunos cujas famílias não têm condições para lhes proporcionar explicações ou frequência de colégios privados. Parece-me importante que, nas negociações entre Governo e sindicatos, esta dimensão do problema seja equacionada. Escrevo, em segundo lugar, porque espero poder dar um contributo para a compreensão e boa resolução do conflito, apesar de todo o ruído e falta de capacidade para ouvir. 2. Nos anos pré-pandemia, eram muitos os sinais das dificuldades das escolas em prestar um serviço de qualidade. A existência de milhares de alunos sem professor, em várias disciplinas e em vários pontos do país, gerou um clamor sobre a falta de docentes e a fraca atratividade da carreira. Porém, o problema da falta de professores nas escola...

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...