Avançar para o conteúdo principal

Programa Mais Habitação incentivou venda de casas e subida de rendas, segundo barómetro da ALP



 Vinte em cada 100 proprietários afirmaram ter decidido vender imóveis destinados ao arrendamento após ter sido apresentado pelo Governo, em fevereiro, o programa Mais Habitação.

As medidas previstas no programa Mais Habitação levaram 20% dos proprietários a decidir desfazer-se dos imóveis, enquanto uma percentagem idêntica avançou com um aumento ou atualização extraordinária das rendas, segundo o barómetro da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP).


Entre os quase 800 proprietários que responderam à 7.ª edição do barómetro da ALP, 20 em cada 100 afirmaram ter decidido vender imóveis destinados ao arrendamento após ter sido apresentado pelo Governo, em fevereiro, o programa Mais Habitação, cuja proposta vai ainda ser debatida no parlamento. Um número idêntico de senhorios revelou ter avançado com aumentos ou atualizações extraordinárias das rendas, em resposta ao limite à subida do valor das rendas para novos contratos, contemplada no Mais Habitação.


A estas situações somam-se os 23% de senhorios (175 respostas) que indicaram ter denunciado ou manifestado oposição à renovação de contratos de arrendamento que tinham ativos, enquanto apenas 11 dos que responderam afirmaram ter colocado no mercado de arrendamento património que estava devoluto.


Respostas que levam a ALP a concluir que os proprietários mostraram “um cartão vermelho” ao Mais habitação e que o resultado até agora alcançado por este programa “foi inverso” ao objetivo de colocar mais casas no mercado de arrendamento. Em declarações à Lusa, o presidente da ALP, Menezes Leitão, sublinhou que já antecipava que as novas medidas no âmbito da habitação pudessem levar “a uma debandada do mercado de arrendamento” ainda que confesse a sua surpresa por tal se ter verificado de forma “tão imediata”.


“Este anúncio [do programa] assustou muito os proprietários pela forma desastrada como isto foi tudo apresentado“, referiu Menezes Leitão, que assinalou também a elevada percentagem de proprietários que se mostrou indisponível para arrendar as suas casas ao Estado para este depois as subarrendar.


Segundo o barómetro, 96% dos inquiridos não pretende arrendar ao Estado (para posterior subarrendamento), sendo que 87,2% também se mostra indisponível para vender imóveis ao Estado e beneficiar de isenção total de tributação sobre as mais-valias geradas – uma das medidas contempladas no Mais Habitação.


Igualmente expressiva foi a percentagem de senhorios que respondeu não estar disponível para celebrar contratos de arrendamento de média ou longa duração e, desta forma, beneficiar de um enquadramento fiscal mais favorável (pagando uma taxa de IRS mais baixa do que a atual), sendo 60,6% os que partilham desta opinião.


Para Menezes Leitão, estes resultados revelam a necessidade de haver “mais cautela” e de “não se apresentar medidas precipitadas” que acabam por vezes por ter “resultados contraproducentes”, apontando o caso específico do travão à subida das rendas este ano (limitada a 2%).


Programa Mais Habitação incentivou venda de casas e subida de rendas, segundo barómetro da ALP – ECO (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Diminuiu o prazo para considerar um pagamento em atraso. Saiba o que muda

Para alinhar a legislação nacional com a comunitária e combater os pagamentos em atraso nas transações comerciais, uma fatura passa a estar em atraso sempre que passem 30 ou 60 dias. O prazo para considerar que um pagamento está em atraso ficou mais curto, de acordo com a alteração da Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso, que entra em vigor na quinta-feira. Até agora, “consideram-se pagamentos em atraso as contas a pagar que permaneçam nessa situação mais de 90 dias posteriormente à data de vencimento acordada ou especificada na fatura, contrato, ou documentos equivalentes”. Agora, para alinhar a legislação nacional com a comunitária e combater os pagamentos em atraso nas transação comercial, uma fatura passa a estar em atraso sempre que passem 30 ou 60 dias. Estes novos prazos aplicam-se da seguinte forma: 30 dias a contar da data em que o devedor tiver recebido a fatura; 30 dias após a data de receção efetiva dos bens ou da prestação dos serviços quando a data de receção d...

Portuguesa DeepNeuronic comprada pela Motorola Solutions

Vasco Lopes e Bruno Degardin  Com esta aquisição, a empresa sediada na Covilhã passa a estar integrada na rede da Motorola Solutions. A atual equipa de 17 pessoas transita para a nova fase. A portuguesa DeepNeuronic, tecnológica portuguesa de inteligência artificial (IA) que desenvolve software que converte câmaras comuns em sistemas de análise em tempo real, foi adquirida pela Motorola Solutions. O valor da operação não foi divulgado. Constituída há cinco anos por Vasco Lopes e Bruno Degardin, a startup usa IA para fazer análise de vídeo em tempo real. O software analisa as imagens no momento em que são captadas por câmaras instaladas em infraestruturas, “interpreta o contexto de cada situação e transforma o vídeo em informação operacional imediata, permitindo às organizações agir enquanto o incidente decorre, e não apenas reconstituí-lo mais tarde”, detalha a empresa. Atualmente, a tecnologia da empresa já opera em aeroportos, pontes, autoestradas, postos de combustível, unidades...