Avançar para o conteúdo principal

Governo nega atualização das pensões a quem se reformou há menos de um ano


A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, (ao centro). © LUSA


 Regra é aplicada desde 1975 e não vai ser revista, apesar da subida da inflação. Bónus vai ser pago a quem foi excluído.


O governo não está disponível para mexer na lei de modo a permitir que quem se tenha reformado há menos de um ano possa também ter direito à atualização regular anual das pensões, que é atribuída em janeiro. A ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, revelou esta terça-feira, no Parlamento, que "a regra existe desde 1975 e é para ser aplicada".


Tal como o Dinheiro Vivo tinha noticiado, quem se reformou em 2022 não foi contemplado com os aumentos das pensões, que variaram entre 4,83% e 3,89%, pagos em janeiro deste ano pela Segurança Social e pela Caixa Geral de Aposentações. Estes pensionistas só poderão beneficiar da atualização em 2024, ou seja, quando estiverem há mais de um ano na reforma.


Todos os que pediram a aposentação no início de janeiro de 2022, incluindo no dia 1, vão ficar com a prestação congelada durante este ano. Isto significa uma perda de até 12%, somando ao efeito da subida de preços em 2022 e 2023. Por exemplo, a pensão mínima do regime da Segurança Social, de 278,05 euros, poderá ter uma perda real anual acumulada de 467,12 euros, tendo em conta a inflação de 7,8% de 2022 e a esperada para 2023 pelo Banco de Portugal, de 5,8%, segundo cálculos do Dinheiro Vivo.


Apesar deste cenário, não haverá exceções nesta matéria, nem mudanças legislativas. Ainda que o governo tenha decidido mudar as regras do jogo quanto à fórmula da atualização das pensões. Perante uma inflação galopante que iria ditar aumentos entre 8,06% e 7,46%, o executivo, de maioria absoluta socialista, decidiu cortar para quase metade os valores da atualização que passaram a oscilar entre 4,83% e 3,89%. Esta redução será permanente para o futuro, com penalizações para os pensionistas.


Ora, a regra de 1975, mencionada por Ana Mendes Godinho, diz respeito à Portaria n.º 865/74, de 31 de dezembro de 1974, segundo a qual são atualizadas, em 1975, "as pensões de invalidez ou velhice iniciadas antes de 1 de janeiro de 1974". Mas como se trata de uma portaria, o governo pode sempre alterá-la, uma vez que este tipo de diploma tem de ser obrigatoriamente publicado anualmente com o novo enquadramento para o ano em que vigora. Na realidade, esta regra surge pela primeira vez sob a forma de lei, em 2006, com a Lei n.º 53-B/2006, de 29 de dezembro, da autoria do socialista e então ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, e que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2007.


Em relação ao pagamento do bónus de meia pensão aos reformados que foram excluídos devido a atrasos no processamento das prestações pela Segurança Social, a ministra reiterou que "a Segurança Social está a processar o complemento para garantir que é pago". Mas não adiantou datas ou prazos. Estes reformados aposentaram-se em setembro e outubro, mas a Segurança Social só começou a processar as prestações em novembro, já depois da data limite (outubro), segundo a lei, para serem elegíveis para a atribuição do apoio, o que ditou a sua exclusão.


Governo nega atualização das pensões a quem se reformou há menos de um ano (dn.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Governo assina contrato para DSTelecom levar fibra ótica a todo o país

Miguel Pinto Luz evidenciou que este projeto vai 'tornar viável viver e trabalhar fora das áreas metropolitanas'. - Luís Manuel Neves / Medialivre O Governo já assinou o contrato que vai permitir que a DSTelecom equipe Portugal com rede de fibra ótica, eliminando a atual fragmentação - as chamadas áreas brancas - que se tem sentido no acesso a internet, especialmente àquela de alta velocidade. O contrato foi assinado com as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a operadora que ganhou o concurso internacional em 2025. A DSTelecom vai ficar responsável pela instalação, gestão, exploração e manutenção das redes de comunicações eletrónicas de capacidade muito elevada, tendo o objetivo de dar cobertura a todo o território nacional. De acordo com o Executivo, esta instalação e consequente implementação visar levar internet mais rápida a edifícios residenciais e não residenciais, nomeadamente à indústria, comércio e atividades agrícolas. Em comunicado, o ministro...