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Construção habitacional abranda após anúncio das medidas do incentivo ao arrendamento habitacional


Dos edifícios licenciados nos últimos três meses de 2022, 75,3% referem-se a construções novas e destas 80,5% destinam-se a habitação familiar. © Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens


 Foi em 2021 que o país atingiu o valor mais elevado dos últimos 10 anos no número de edifícios licenciados.


O dinâmica de lançamento de novos edifícios deu sinais de travagem na reta final de 2022. Nos últimos três meses do ano passado, foram licenciados 5,4 mil imóveis no país, uma quebra homóloga de 3,8% e de 9,5% quando comparado com o último trimestre de 2019 (antes da pandemia). Também face ao terceiro trimestre de 2022 verificou-se um decréscimo de 6,9%.


Dos edifícios licenciados nos últimos três meses de 2022, 75,3% referem-se a construções novas, destas 80,5% destinam-se a habitação familiar, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Os edifícios licenciados para demolição corresponderam a 5,9% do total.


O Alentejo foi a única região a registar uma variação homóloga positiva no número total de edifícios licenciados face ao último trimestre de 2021 (+3,8%). O Algarve apresentou uma quebra de 12,1%, a Região Autónoma da Madeira evidenciou um decréscimo de 9,9% e a Área Metropolitana de Lisboa, 9,4%.


Segundo o INE, o número de imóveis licenciados em construções novas decresceu 3,8% face ao período homólogo de 2021, e as obras de reabilitação diminuíram 5,2%. Em comparação com o trimestre anterior, o licenciamento em construções novas diminuiu 7,9% e as obras de reabilitação cresceram 0,1%. Já comparando com o quarto trimestre de 2019, o licenciamento em construções novas diminuiu 3,5%, e as obras de reabilitação decresceram 23,2%.


Nos últimos três meses de 2022, o INE estima que tenham sido concluídos 3,7 mil edifícios no país, entre construções novas, ampliações, alterações e reconstruções, o que corresponde a uma redução de 4,1% em relação ao período homólogo e a um aumento de 7,2% face ao quarto trimestre de 2019.


A maioria dos edifícios concluídos refere-se a construções novas (81,4%), das quais 78,2% referem-se a habitação familiar.


Mais investimento na última década


No total do ano de 2022, foram licenciados 24,5 mil edifícios, menos 3,5% que no homólogo do exercício transato. Neste período, foram concluídos 14,8 mil imóveis, correspondendo a um decréscimo de 3,2%. Já face a 2019, registou-se aumentos de 0,7% nos edifícios licenciados e 8,1% nos edifícios concluídos.


Os dados anuais ainda são preliminares, mas o INE adianta que na última década o número de edifícios licenciados aumentou em cerca de 7,9 mil, correspondendo a um acréscimo de 47,7%.


No período de 2013 a 2017, registaram-se decréscimos sucessivos no número de edifícios licenciados nos primeiros três anos. O início da inversão desta tendência aconteceu em 2016, quando se verificou, pela primeira vez, um crescimento de 12,1% face ao ano anterior.


O segundo quinquénio da última década ficou marcado por crescimentos consecutivos até 2020, ano marcado pela pandemia da covid, tendo o número de edifícios licenciados diminuído 3,7% face ao exercício precedente.


Foi em 2021 que o país atingiu o valor mais elevado dos últimos 10 anos no número de edifícios licenciados, correspondendo a um aumento de 8,2% face ao ano precedente. No segundo quinquénio, observa-se um crescimento de 43,6% face ao quinquénio anterior (mais 36 645 edifícios licenciados).


No que se refere ao número de edifícios concluídos em 2022, o INE estima uma diminuição de 10,6% face a 2013. No período de 2013 a 2017, registaram-se decréscimos nas obras concluídas nos primeiros quatro anos, com a inversão a suceder em 2017, quando se verificou pela primeira vez um crescimento neste indicador de 5,2%.


Entre 2018 e 2022, registam-se sucessivos crescimentos anuais nos primeiros quatro anos, começando em 2018 com 6,5% e atingindo o seu máximo em 2019 (11%). No final deste período, observou-se uma redução significativa nas taxas de crescimento, embora mantendo-se positiva em 2021 (mais 3,6%). Já no ano passado, verificou-se um decréscimo de 3,2%.


Construção. Promotores travam projetos na reta final de 2022 (dinheirovivo.pt)


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