Avançar para o conteúdo principal

Moody's. Perigo de estagflação é alto em Portugal e ameaça o rating do país


Primeiro-ministro, António Costa © Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens


 Agência de ratings lança alerta sério a Portugal, Malta e Chipre. Crise atual pode transformar-se numa estagflação. Inflação passa a permanente, desemprego sobe e recessão pode regressar. Rating do país pode não resistir.


O risco de estagflação -- crise económica caracterizada por inflação alta permanente, desemprego a subir e recessão ou estagnação da atividade económica durante "vários anos" -- é cada vez mais saliente em países como Portugal, Malta, Chipre, Eslovénia e Croácia comparativamente a outros da Europa, avisou a agência de ratings Moody's, esta terça-feira.


Se esse perigo se materializar, isso será "negativo" para o rating soberano, avisa a agência que, recorde-se, foi a primeira a atirar a nota da dívida pública para um nível especulativo (ou "lixo"), ajudando a precipitar a bancarrota e o resgate da troika em 2011.


No novo estudo publicado esta terça, a Moody's alerta que "um cenário de estagflação é negativo para as notas das dívidas soberanas e este é agora mais provável na União Europeia (UE)", sendo que as "exposições a este risco variem consoante os países".


No extremo dos países mais vulneráveis ou expostos e com piores "capacidades" políticas para enfrentar uma crise destas, aparecem, como referido, Portugal, Malta, Chipre, Eslovénia e Croácia.


Do lado oposto (menos expostos e politicamente mais capazes e avançados), estão países como Finlândia, Holanda, Dinamarca, Polónia e Irlanda, enumeram os avaliadores estrangeiros.


"A invasão da Ucrânia pela Rússia exacerbou as questões subjacentes relativas à procura e à oferta e empurrou a inflação para níveis nunca observados na UE desde meados da década de 1980", começam por aferir os analistas.


"Os soberanos [países] do sul da Europa parecem mais expostos a um cenário de estagflação, tendo em conta o crescimento económico mais fraco, maior exposição a uma inflação enraizada e capacidades políticas limitadas".


O que é estagflação?


Para a Moody's, estagflação define-se como "um período de vários anos em que a inflação permanece substancialmente mais alta do que nas últimas décadas, enquanto o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) permanece substancialmente mais baixo, em zero ou próximo de zero".


Num cenário destes, é de esperar que o desemprego possa começar a subir e que os salários sofram uma pressão negativa já que haverá menos postos de trabalho disponíveis e mais procura de emprego por parte das pessoas, sobretudo os mais jovens que, normalmente, são os primeiros a sentir o embate do desemprego.


Sul em apuros novamente?


O sul da Europa "está mais exposto a um cenário de estagflação". "Malta (A2 negativo), Chipre (Ba1 estável), Portugal (Baa2 estável), Eslovénia (A3 estável) e Croácia (Baa2 estável) são os mais vulneráveis porque são mais suscetíveis a que os aumentos transitórios de preços se tornarem permanentes e têm capacidades políticas relativamente baixas", diz a mesma empresa de ratings.


"Embora Itália (Baa3 estável), França (Aa2 estável) e Espanha (Baa1 estável) sejam menos vulneráveis à inflação, os seus elevados níveis de endividamento agora elevados, a alta exposição a taxas de juro variáveis e os montantes consideráveis em pagamentos de capital e juros durante os próximos 12 meses aumentam os riscos", remata o estudo da Moody's.


Por Luís Reis Ribeiro:

Moody's. Perigo de estagflação é alto em Portugal e ameaça o rating do país (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Diarreia legislativa

© DR  As mais de 150 alterações ao Código do Trabalho, no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, foram aprovadas esta sexta-feira pelo Parlamento, em votação final. O texto global apenas contou com os votos favoráveis da maioria absoluta socialista. PCP, BE e IL votaram contra, PSD, Chega, Livre e PAN abstiveram-se. Esta diarréia legislativa não só "passaram ao lado da concertação Social", como também "terão um profundo impacto negativo na competitividade das empresas nacionais, caso venham a ser implementadas Patrões vão falar com Marcelo para travar Agenda para o Trabalho Digno (dinheirovivo.pt)

Já temos memória RAM a 1200€ em Portugal

  Crise da RAM em Portugal? preços disparam, pré-builds voltam a fazer sentido e a culpa é da IA. Sim, a febre já chegou a Portugal. Seja pelo stock “antigo” estar a escoar demasiado rápido, ou porque as lojas sabem que podem aproveitar a onda para fazer dinheiro a sério com o stock que tinham em armazém, a realidade é que os preços estão a aumentar a uma velocidade absurda. Por isso, se estás a montar um PC novo ou a pensar fazer upgrade de RAM, já levaste com o choque. Ou seja, kits que há meses custavam 60 ou 70 euros agora andam nos 400, 500 ou até 700 euros.  Não, não é exagero . Há quem tenha comprado 32 GB DDR5 6000 por 70 euros em março e hoje vê exatamente o mesmo kit a 700 euros. O que é que se passou para os preços da RAM ficarem fora de controlo em tão pouco tempo? RAM está a disparar. E não é só “ganância das lojas”. Sim, é verdade que os fornecedores e próprias lojas estão a aproveitar a onda. Porque o stock não desaparece assim de um momento para o outro. Mas a ...

Aeroporto: há novidades

 Nenhuma conclusão substitui o estudo que o Governo mandou fazer sobre a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Mas há novas pistas, fruto do debate promovido pelo Conselho Económico e Social e o Público. No quadro abaixo ficam alguns dos pontos fortes e fracos de cada projeto apresentados na terça-feira. As premissas da análise são estas: IMPACTO NO AMBIENTE: não há tema mais crítico para a construção de um aeroporto em qualquer ponto do mundo. Olhando para as seis hipóteses em análise, talvez apenas Alverca (que já tem uma pista, numa área menos crítica do estuário) ou Santarém (numa zona menos sensível) escapem. Alcochete e Montijo são indubitavelmente as piores pelas consequências ecológicas em redor. Manter a Portela tem um impacto pesado sobre os habitantes da capital - daí as dúvidas sobre se se deve diminuir a operação, ou pura e simplesmente acabar. Nem o presidente da Câmara, Carlos Moedas, consegue dizer qual escolhe... CUSTO DE INVESTIMENTO: a grande novidade ve...