Avançar para o conteúdo principal

Governo força serviços do Estado a validar faturas da Endesa antes de pagar


João Galamba, secretário de Estado da Energia © André Rolo / Global Imagens


 Operadora espanhola vai ter de mostrar ganhos com o travão ao preço do gás. Os restantes comercializadores só terão de apresentar o benefício se incluírem na fatura o custo com o mecanismo ibérico.


Salomé Pinto


Todas as contas que o Estado tem com a Endesa vão ser passadas a pente fino. Os serviços do Estado vão ser forçados a validar as faturas de energia da elétrica espanhola, emitidas entre 2 de agosto e 31 de maio de 2023, antes de procederem ao respetivo pagamento, segundo um despacho publicado esta segunda-feira, que vem concretizar o diploma anterior, assinado pelo primeiro-ministro, António Costa, e publicado em Diário da República a 2 de agosto. Esta ação do Governo é uma resposta às afirmações do presidente da operadora, Nuno Ribeiro da Silva, que, em entrevista à Antena 1 e ao Negócios, admitiu que a fatura da luz poderia subir mais de 40% como consequência do chamado 'travão ibérico', isto é, o mecanismo acordado entre Portugal e Espanha que estabelece um teto de 40 euros por MWh de gás natural utilizado na produção de eletricidade.


No despacho, assinado pelo secretário de Estado da Energia, João Galamba, o Governo determina que "todas as faturas emitidas às entidades compradoras vinculadas", ou seja, serviços do Estado que possuem contratos com a Endesa, e que estejam sujeitas a pagar o mecanismo, isto é, que "digam respeito a contratos de fornecimento de energia elétrica celebrados depois de 26 de abril de 2022", vão ter de incluir informação sobre o benefício líquido decorrente da aplicação do ajuste dos custos de produção de energia elétrica, "nos termos a definir pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE)".


Para o efeito, a ERSE publicará no seu site os valores de referência dos custos do travão. As faturas que apresentarem uma subida indevida no preço, devem ser devolvidas ao comercializador "para a devida correção", tendo que ser remetidas à ERSE para os efeitos previstos no regime sancionatório do setor energético". As inconformidades serão publicadas no site da ERSE que terá ainda de as reportar à Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) para validação. Esta entidade terá de responder no prazo de 10 dias úteis. A fatura só é paga se não houver confirmação de desconformidades por parte da ENSE.


Quanto aos restantes comercializadores do mercado livre, a questão é opcional. Só terão obrigatoriamente de apresentar o benefício do mecanismo se o custo do ajuste constar na respetiva fatura, de acordo com o mesmo despacho. "No caso de haver desconformidades, aplica-se o regime legal já em vigor, não estando essas faturas sujeitas a validação do secretário de Estado do Ambiente e da Energia", João Galamba, esclarece fonte oficial do ministério do Ambiente ao Dinheiro Vivo.


A validação prévia das faturas da Ense e as novas regras para os operadores que optarem por apresentar o custo do 'travão' ibérico estarão em vigorar até 31 de maio de 2023, data em que termina o mecanismo excecional e temporário de ajuste dos custos de produção de energia elétrica no âmbito do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL), determina o mesmo despacho.


Comentário do Wilson:

Correndo o risco de também ser perseguido por este governo, mantenho a critica pesada o que fiz anteriormente em:

 Galamba passa a validar pagamentos do Estado à Endesa. Entidades públicas devem avaliar mercado (recortesdowilson.blogspot.com)


Governo força serviços do Estado a validar faturas da Endesa antes de pagar (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Bruxelas adverte governo de Pedro Sánchez que baixar IVA dos combustíveis é contra regras europeias

A Comissão Europeia enviou uma carta ao governo de Pedro Sánchez, indicando que baixar o IVA nos combustíveis para a taxa de 10% vai contra as regras europeias.  O Governo de Pedro Sánchez recebeu uma advertência da Comissão Europeia por ter baixado o IVA dos combustíveis, em violação das regras europeias. Tal como o Observador já tinha avançado, a descida do IVA da taxa normal para uma taxa reduzida de 10% em Espanha vai contra as regras da União Europeia definidas para este imposto. Isso mesmo admitiu fonte oficial de Bruxelas ao Observador, ao remeter para a diretiva europeia os produtos e serviços que podem ter taxa reduzida, que integra o gás e a eletricidade — onde o IVA pode ser 5% — mas que exclui essa aplicação aos combustíveis fósseis. Face à aplicação pelo Governo de Pedro Sánchez de uma taxa reduzida de 10% aos combustíveis fósseis, Bruxelas enviou uma carta a Espanha advertindo-a de que essa redução viola as normas europeias, noticia o El País que indica que a carta fo...

O fim do dinheiro físico: estamos a um apagão de perder tudo?

Primeiramente, estamos a caminhar a passos largos para uma dependência quase total das infraestruturas digitais no nosso dia a dia. Quando pagas um simples café com o smartphone ou com o cartão, dependes da bateria do teu equipamento, da qualidade da rede da tua operadora, dos servidores do teu banco e das plataformas de processamento de pagamentos. Consequentemente, se apenas um destes elos falhar, a transação não acontece e o sistema cai por terra. O fim do dinheiro físico pode levar-nos a perder tudo num apagão? Fim do dinheiro físico: o cerco cada vez mais apertado às notas e moedas Além disso, a legislação europeia e nacional está a apertar o cerco ao uso de dinheiro vivo, o que acelera esta transição para o digital. A União Europeia aprovou recentemente um limite máximo de 10 000 euros para pagamentos em numerário, uma regra que entrará em vigor em todos os Estados-membros até 2027. Por outro lado, em Portugal, as restrições já são significativamente mais severas. Atualmente, a l...

J.K. Rowling

 Aos 17 anos, foi rejeitada na faculdade. Aos 25 anos, sua mãe morreu de doença. Aos 26 anos, mudou-se para Portugal para ensinar inglês. Aos 27 anos, casou. O marido abusou dela. Apesar disso, sua filha nasceu. Aos 28 anos, divorciou-se e foi diagnosticada com depressão severa. Aos 29 anos, era mãe solteira que vivia da segurança social. Aos 30 anos, ela não queria estar nesta terra. Mas ela dirigiu toda a sua paixão para fazer a única coisa que podia fazer melhor do que ninguém. E foi escrever. Aos 31 anos, finalmente publicou seu primeiro livro. Aos 35 anos, tinha publicado 4 livros e foi nomeada Autora do Ano. Aos 42 anos, vendeu 11 milhões de cópias do seu novo livro no primeiro dia do lançamento. Esta mulher é JK Rowling. Lembras de como ela pensou em suicídio aos 30 anos? Hoje, Harry Potter é uma marca global que vale mais de $15 bilhões. Nunca desista. Acredite em você mesmo. Seja apaixonado. Trabalhe duro. Nunca é tarde demais. Esta é J.K. Rowling. J. K. Rowling – Wikipédi...