Avançar para o conteúdo principal

Novo coronavírus globaliza-se. Primeiro caso detetado nos EUA


Foi confirmada nos Estados Unidos, na terça-feira, a infeção de um cidadão que regressou da região chinesa afetada pelo vírus misterioso que já provocou seis mortos.

No espaço de 24 horas, duplicaram os números oficiais: o misterioso vírus de Wuhan, da família dos coronavírus responsável por surtos com centenas de mortes por todo o Mundo, já soma seis mortos e mais de 300 infetados só na China. E saltou continentes, saindo da Ásia com o primeiro caso confirmado nos EUA. E cresce o alarme perante uma hipotética nova pneumonia atípica, animado com rumores nas redes sociais chineses segundo os quais se multiplicam casos não diagnosticados. Casos, até, de morte.

O paciente norte-americano, na casa dos 30 anos, regressou na semana passada da região afetada, onde nunca visitou mercados. Está internado em Seattle, a recuperar, o que coincide com a sintomatologia verificada na China: o novo vírus, aparentemente ligado a um mercado de peixe com animais vivos em Wuhan, na província central do Hubei, só é fatal em idosos e pessoas debilitadas. Mas a globalização dos casos - que ontem se estenderam a suspeitas na Austrália e nas Filipinas e a confirmações em Taiwan e em várias províncias da China, somadas a casos importados no Japão, Tailândia e Coreia do Sul - e a confirmação, anteontem, de que há casos de contaminação de pessoa para pessoas, não tranquiliza.

A Organização Mundial da Saúde reúne-se hoje para determinar se há motivos para decretar emergência de saúde pública mundial, enquanto as autoridades nacionais vão traçando planos para uma eventual ação e instalando verificações nos aeroportos. Em Portugal, coube à Direção-Geral da Saúde juntar peritos do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, do INEM e de hospitais de referência numa comissão de avaliação da situação e definição de eventuais medidas.

A rapidez da evolução dos números é vista como prova da atenção da Comissão Nacional de Saúde chinesa - cuja perito enviado ao terreno, Wang Guangfa, assumiu publicamente ter sido ele próprio infetado.

Mas é uma segurança que talvez esteja a chegar tarde: vários relatos nas redes sociais chinesas, alguns dos quais entretanto apagados, apontam para casos de doentes atendidos com sintomas iguais ao do já batizado como 2019-nCoV, mas nunca diagnosticados como tal, o que deixa supor que o rol de vítimas é bem maior.


O jornal britânico "The Guardian" conta a história de Huang, cidadão de Wuhan. Viu a mãe de 65 anos, saudável e ativa, adoecer. Febril e com tosse, foi ao hospital no dia 12, já o coronavírus tinha encerrado o mercado local e começava a somar infeções.

Atendida por profissionais de saúde devidamente protegidos, não foi sujeita a testes para despistar suspeitas nem isolada. Dois dias depois, entrou em semi-inconsciência e acabou por morrer passadas umas horas. Com pneumonia aguda, mas sem direito a figurar na lista oficial de óbitos devidos ao 2019-nCoV, apesar de médicos terem admitido a Huang que era, de facto, o caso. Pediram-lhe a rápida cremação do corpo. A falha parece, neste caso, ser do hospital e não das autoridades sanitárias, o que não é tranquilizador. A realidade, apontam estudos epidemiológicos estrangeiros, pode ir até 1700 casos. E a proximidade das festividades do Novo Ano Lunar não ajuda à equação.

https://www.jn.pt/mundo/primeiro-caso-de-virus-misterioso-da-china-detetado-nos-eua-11732749.html

Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Salário mínimo cada vez mais perto do mediano. O rácio entre os dois já chega aos 91%, diz o Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal, Álvaro dos Santos Pereira. Foto: JOÃO RELVAS/LUSA  Banco de Portugal avisa que esta compressão da distribuição salarial levanta questões relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia. A distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem no setor privado tem registado uma compressão, nomeadamente associada ao salário mínimo, que tem um “papel central” na formação dos ordenados, conclui uma análise do Banco de Portugal. O rácio entre o salário mínimo e o salário mediano subiu para 91% em 2025. Segundo a caixa divulgada esta segunda-feira, sobre a distribuição dos salários dos trabalhadores por conta de outrem, que estará disponível no Boletim Económico de junho, os aumentos salariais mais elevados ocorrem nos níveis inferiores associados ao salário mínimo, por via da atualização deste valor. No verão, a atualidade não fica em pausa.Assine por 39,90€/ano habilite-se a ganhar 1 estadia num hotel ...

Valor do salário mediano próximo do mínimo? "É gravíssimo", alerta Cotrim

 O antigo líder da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, considerou "gravíssimo" que o salário mediano em Portugal esteja apenas 110 euros acima do salário mínimo nacional. O liberal alerta que esta proximidade desvaloriza a qualificação. O antigo líder da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, considerou que "é gravíssimo" que o salário mediano em Portugal esteja com valores tão próximos com o salário mínimo nacional.    "O salário bruto mediano em Portugal são 1.030 euros, isto quer dizer que há 50% dos trabalhadores que ganham mais de 1.030 euros e 50% de trabalhadores ganham menos de 1.030", começou por explicar no seu espaço de comentário "Visto Assim Daqui", na SIC Notícias, frisando que "isto já é mau porque não é um valor extraordinário". Cotrim Figueiredo sublinhou que "o pior" é que "estes 1.030 euros são apenas 110 euros mais altos do que os 920 euros" do salário mínimo nacional. "Está...