Avançar para o conteúdo principal

Fraquíssima qualidade da gestão?


Esta semana, na Universidade de Coimbra, no GraPE 2019, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros identificou como principais problemas das empresas portuguesas a "descapitalização" e a "fraquíssima qualidade da gestão".

A este propósito, afirmou ainda que o tecido industrial tem dificuldades em apostar na inovação e que os empresários não entendem a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados.

As reações dos empresários, felizmente atentos, não tardaram, considerando francamente estranho que um governante passe este cartão de visita das empresas portuguesas, pois entendem que esta não será a melhor forma de captar investimento estrangeiro, que é uma das responsabilidades da diplomacia económica e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A recuperação económica dos últimos anos e a criação de emprego desde 2014 deveu-se especialmente à dinâmica do tecido empresarial e à qualidade da gestão privada em Portugal, pois as nossas empresas são das mais inovadoras do mundo, apresentando patentes e soluções absolutamente originais que são depois replicadas noutros países da Europa e do mundo. Não só as empresas portuguesas como os trabalhadores portugueses, reconhecidos assim em todos os países do mundo. Inclusivamente, nas Web Summit, em Lisboa, foi destacada exatamente a capacidade de inovação dos empreendedores nacionais. Também nas últimas décadas são muitos os exemplos em praticamente todos os setores de atividade: lembro-me da criação da Via Verde, lembro-me do conceito dos produtos/serviços pré-pagos nas telecomunicações móveis, lembro-me do destaque da investigação de portugueses em laboratório nas ciências biomédicas, entre inúmeros desenvolvimentos científicos de criação portuguesa, que foram dignos de avultados financiamentos internacionais.

Num país como uma gestão pública crónica absolutamente medíocre é muito curioso que se critique a gestão privada das empresas que alimentam, juntamente com as famílias portuguesas, um Estado voraz com cerca de 5,2 milhões de euros por hora! São os contribuintes portugueses que financiam a baixa qualidade da gestão e da administração pública.

No que se refere à descapitalização, não será um problema absoluto e transversal a todas as empresas. Mas fica uma sugestão para os governantes e para a gestão (pública!!!) da CGD – sendo o maior banco português (e público!!!) porquê ter um comportamento de "seguidor" da banca comercial privada? Não deveria ter também um papel específico de banco de investimento e apoio ao tecido empresarial? Porquê optar também por uma enorme carteira de crédito à habitação?

Não é difícil ser gestor quando se depende de orçamentos de "dinheiro certo" dos outros e não se tem a necessidade de criar valor, nem preocupação séria com custos. São as empresas privadas que pagam IRC sobre os seus lucros e as famílias sobre o seu trabalho, para sustentar a gigante e ineficiente máquina pública, essa sim, incapaz de se reinventar e de ser proativa (sim, é um conceito de gestão) a nível de administração central e também local. A estratégia não existe. Os planos e o controlo não funcionam, a organização é caótica e a liderança é fraca (sim, são tarefas básicas de gestão).

Possivelmente capaz de chegar a um histórico Orçamento do Estado de défice zero em 2020, não por saber reduzir custos, mas por se servir de um "brutal aumento de impostos" que Vítor Gaspar desenhou e que "muito jeito tem feito" ao governo socialista, tanto que nunca o reverteu. De facto, como Margaret Tatcher disse, o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros…

https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/miguel-varela/detalhe/fraquissima-qualidade-da-gestao

Comentários

Notícias mais vistas:

Crise causada pelo conflito no Médio Oriente será "grande, global e assimétrica", diz Fundo Monetário Internacional

Kristalina Georgieva alertou para choques na energia e inflação. Petróleo pode cair 13% e GNL 20%. Reuniões de primavera do FMI e Banco Mundial arrancam na próxima semana. Estas declarações, da diretora-geral do FMI, ocorrem poucos dias antes do início das reuniões de primavera da organização internacional e do Banco Mundial, que já anunciaram a revisão em baixa das projeções de crescimento. Mais contexto. Mais verdade. Temos 10 estadias para 2 noites, 2 adultos num dos hotéis de luxo AlmaLusa Hotels para oferecer.Oferecer Com uma redução de 13% no fluxo diário de petróleo e de até 20% no fluxo de gás natural liquefeito (GNL), os efeitos da crise causarão graves perturbações na economia global. Contudo, essas perturbações afetarão desproporcionalmente os países próximos às zonas de conflito e aqueles dependentes de importações de energia. Assim, em todos os cenários considerados pelo FMI, o impacto comprometerá seriamente as expectativas de crescimento para este ano. “Mesmo o nosso cen...

Aeroporto: há novidades

 Nenhuma conclusão substitui o estudo que o Governo mandou fazer sobre a melhor localização para o aeroporto de Lisboa. Mas há novas pistas, fruto do debate promovido pelo Conselho Económico e Social e o Público. No quadro abaixo ficam alguns dos pontos fortes e fracos de cada projeto apresentados na terça-feira. As premissas da análise são estas: IMPACTO NO AMBIENTE: não há tema mais crítico para a construção de um aeroporto em qualquer ponto do mundo. Olhando para as seis hipóteses em análise, talvez apenas Alverca (que já tem uma pista, numa área menos crítica do estuário) ou Santarém (numa zona menos sensível) escapem. Alcochete e Montijo são indubitavelmente as piores pelas consequências ecológicas em redor. Manter a Portela tem um impacto pesado sobre os habitantes da capital - daí as dúvidas sobre se se deve diminuir a operação, ou pura e simplesmente acabar. Nem o presidente da Câmara, Carlos Moedas, consegue dizer qual escolhe... CUSTO DE INVESTIMENTO: a grande novidade ve...

Governo "corrige discriminação": Subsídio de funeral de crianças aumenta

  O Governo anunciou o aumento do subsídio de funeral para crianças e deficientes profundos durante o briefing do Conselho de Ministros, que ocorre nesta quinta-feira, 9 de abril. O ministro da Presidência considerou que, com esta alteração, se corrige uma "discriminação". O  briefing do Conselho de Ministros desta quinta-feira, 9 de abril, já teve início. Durante a conferência de imprensa o Governo anunciou o aumento do subsídio de funeral para crianças e deficientes profundos.   O ministro da Presidência considerou que a alteração corrige uma "discriminação" na lei. "O Governo aprovou um diploma que altera o valor do subsídio de funeral para menores, pessoas com incapacidade absoluta e permanente para o trabalho e pessoas com deficiência que  tinham um valor de cobertura em caso de evento de funeral  - o caso de uma morte, sempre traumática e trágica para as famílias - que era  um apoio que rondava os 268 euros e com a decisão hoje tomada esse apoio aumen...