Avançar para o conteúdo principal

Governo cria regime especial de avaliação para que professores possam progredir



Os cerca de 17 mil professores que vão beneficiar este ano da recuperação do tempo de serviço congelado vão ter condições especiais de avaliação para que possam subir de escalão já em 2019.

No total apenas 30 mil professores vão progredir.

O Governo decidiu criar um regime especial de avaliação de desempenho para permitir a subida na carreira dos professores que em 2019 e 2020 vão beneficiar da recuperação do tempo de serviço congelado. Só este ano, segundo contas do Ministério das Finanças, deverão progredir cerca de 17 mil docentes devido à recuperação de dois anos, nove meses e 18 dias, aprovada pelo Governo. Os sindicatos exigiam que fossem reconhecidos nove anos, dois meses e quatro dias.

A informação sobre a criação de um regime especial de avaliação está contida numa circular publicada nesta sexta-feira no site da Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE), que responde assim às solicitações nesse sentido que têm sido feitas pelos sindicatos de professores e pelos responsáveis dos centros de formação.

Esta decisão deve-se, segundo a DGAE, ao facto de a recuperação do tempo de serviço congelado poder “antecipar consideravelmente a respectiva data da progressão” de muitos professores que não têm ainda os outros requisitos necessários para subir de escalão. Esta é uma situação que deriva do facto de a recuperação dos dois anos, nove meses e 19 dias só ter sido consignada legalmente nos últimos meses, tornando assim impossível o cumprimento a tempo das condições para a progressão estipuladas pelo Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Nos termos do ECD, os professores progridem na carreira, que tem dez escalões, quando cumprem três condições cumulativas: concluírem o tempo de permanência em cada escalão (quatro anos em média), terem no mínimo Bom na avaliação de desempenho e contarem em cada patamar da carreira com 50 horas de formação contínua. Na passagem entre alguns escalões existem ainda outros requisitos como a observação de aulas por avaliadores externos e a existência de vagas, que são abertas pelo Governo.

A recuperação do tempo de serviço dos professores foi consignada num diploma de Março, a que se juntou um outro promulgado no mês passado que garante que um terço dos dois anos, nove meses e 18 dias fixados para o efeito possa ser já recuperado este mês, sendo as outras duas partes atribuídas em 2020 e 2021. Para que tal seja efectivado, os professores têm de comunicar até 30 de Junho que aceitam este faseamento.

Juntando-se às reservas já expressas pelos sindicatos de professores, os responsáveis pelos centros de formação dirigiram esta semana uma carta à secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, dando conta de que estando o final do ano lectivo à porta muitos docentes poderiam ficar excluídos da possibilidade de subirem de escalão por motivos que lhe são alheios. E que dizem essencialmente respeito à impossibilidade de operacionalizar os mecanismos de avaliação externa e de formação exigidos pelo ECD, que estão precisamente a cargo daqueles centros.

O que existia antes vai contar
Segundo a nota informativa publicada pela DGAE, os professores que ficarão em condições de progredir poderão utilizar a última avaliação de desempenho que tiveram desde que esta não seja anterior a 2007. Nos escalões em que não é precisa a observação de aulas para progredir, que são quase todos, as notas são atribuídas pelos directores das escolas com base nos relatórios de auto-avaliação entregues pelos professores.

No caso de ser necessária também a observação de aulas, o que acontece na passagem para o 3.º e 5.º escalão, o regime especial agora criado prevê que os professores possam progredir já desde que requeiram esta avaliação externa até ao próximo dia 30. A observação será feita depois, mais concretamente durante o primeiro período do próximo ano lectivo.

Quanto às horas de formação exigidas, os professores poderão apresentar também as que foram realizando nos escalões em que estiveram antes posicionados desde que estas não excedam um quinto das que frequentaram no patamar em que agora se encontram. Por cada quatro anos são necessárias 50 horas de formação, um tempo que desce para metade no 5.º escalão que é o único em que o tempo de permanência é apenas de dois anos.

Este regime especial só se aplica aos professores que vão progredir este ano e no próximo devido à recuperação do tempo de serviço. Estão assim excluídos os docentes que estão em condições de subir de escalão só por força do descongelamento das carreiras iniciado em Janeiro de 2018 e que neste ano serão cerca de 13 mil. Juntando os 17 mil que, segundo as Finanças, poderão progredir devido à recuperação do tempo congelado, serão assim apenas 30 mil os professores que em 2019 vão mudar de escalão, com os respectivos aumentos salariais.

https://www.publico.pt/2019/06/07/sociedade/noticia/governo-cria-regime-especial-avaliacao-professores-possam-progredir-1875821

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Como a Google está a transformar smartphones antigos em pequenos servidores

Os smartphones antigos podem ter um destino bem diferente da reciclagem ou de uma gaveta esquecida.  Projeto da Google reutiliza motherboards de smartphones reformados para reduzir a necessidade de fabricar novo hardware. Um projeto apoiado pela Google Research está a demonstrar que é possível reutilizar a motherboard destes equipamentos para criar uma plataforma de computação de baixo impacto ambiental, prolongando a vida útil do hardware e reduzindo a necessidade de produzir novos servidores para determinadas workloads. Reutilizar a parte mais valiosa do smartphone O projeto está a ser desenvolvido por investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego, com o apoio da Google Research. Em vez de aproveitarem o smartphone completo, a equipa reutiliza apenas a motherboard, onde se encontram o processador, a memória e o armazenamento, componentes que representam cerca de metade da pegada de carbono incorporada do dispositivo. Depois de removerem os restantes componentes, como ...