Avançar para o conteúdo principal

Guerra das emissões: União Europeia fecha “buraco” nas regras do protocolo WLTP

Não achavam estranho que as diferenças entre os valores NEDC e os WLTP fossem exageradamente altos? Oscilações entre 1 e 81 por cento não lhe faz levantar o sobrolho?



Está lançada a “guerra” entre as autoridades e a indústria automóvel! A Comissão Europeia apertou o protocolo de realização dos testes de homologação WLTP porque, alegadamente, os construtores andaram a enganar o regulador este tempo todo. Como?!

Pois é, ao que parece as marcas andavam a fazer os testes de homologação um bocadinho à “bruta” ou seja, desligavam os sistemas de limpeza dos gases, utilizavam os modos de condução mais agressivos e uma condução que tinha tudo menos ser económica. O quê?!! Então, andaram a fazer tudo para gastarem e poluírem mais?!

Fazer os testes WLTP com os sistemas anti-poluição desligados, com o motor no modo Sport e a condução mais desligada possível deu direito a discrepâncias entre o NEDC e o WLTP até 81%.
Ora ai está… não há quem pare a imaginação dos seres humanos! Os construtores andaram a manipular os testes WLTP com aquelas maroscas para que os veículos gastassem e emitissem de tal forma que enfraquecessem os futuros alvos de redução de emissões, alimentando a esperança que fosse evidente que não haveria forma de cumprir com esses limites.

Perante a monstruosidade dos investimentos necessários para a mobilidade elétrica e a eletrificação das gamas, a maioria deles com retorno desconhecido em tempo e valor, os construtores lembraram-se de tentar prolongar os prazos com esta marosca. Ou seja, emitindo muito mais que anteriormente, o “lobby” da indústria teria muito mais força para tentar um adiamento dos draconianos limites de emissões de CO2 e assim aumentar o período de investimento. Que neste momento se situa a níveis quase impossíveis num espaço de tempo inferior a 10 anos. Insustentável!

Porém, depois do Dieselgate – maldita guerra da sucessão na VW entre Ferdinand Piech e Martin Winterkorn! – as autoridades estão mais atentas e os defensores do ambiente e dos ursos polares estão, igualmente, atentos e a federação europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) denunciou estas práticas. Que não eram ilegais e por isso não terão sanções. Eram, apenas, um “buraco” no regulamento WLTP.

Que a Comissão Europeia acaba de fechar obrigando os construtores a fazer os testes com todos os sistemas de controlo de emissões ligados e utilização dos modos mais económicos de condução.

A ACEA o organismo que reúne os construtores europeus, manteve a postura e acolheu com aprovação o apertar das condições dos testes WLTP e o tal grupo de pressão ambientalista já veio pedir a todos os Governos que não utilizem os valores de CO2 anteriores a fevereiro, obtidos pelo protocolo WLTP, pois são “instáveis e não totalmente precisos.” Julia Poliscanova, gestora da mobilidade elétrica e dos veículos limpos da T&E, referiu que “veremos se com estas alterações ao WLTP ficaram fechados todos os alçapões para contornar a lei. É algo que iremos observar de forma cuidada durante este ano.” E para que não fiquem dúvidas, a T&E, um toldo que abriga todas as organizações não governamentais que promovem o transporte sustentável – e que tem como vice presidente o português João Vieira, da Quercus, e ex-GEOTA – pela voz da lituana Poliscanova, deixou o aviso “se os construtores querem vender estes carros testados antes de fevereiro de 2019 em 2020, terão de provar que cumprem os requerimentos ou então terão de os re-homologar!”

Como disse acima, está lançada a “guerra” e promete escalar de tom, pois os construtores não querem os limites absolutamente draconianos impostos pela União Europeia e tudo vão fazer para alterar o estado atual de coisas. Nãos e sabe o que ai vem, mas a procissão ainda não saiu do adro…

https://automais.autosport.pt/destaque-homepage/guerra-das-emissoes-uniao-europeia-fecha-buraco-nas-regras-do-protocolo-wltp/

Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Calçada portuguesa mata mais em Lisboa: Carlos Moedas muda de passeios "progressivamente"

 Tese de doutoramento no ISCTE mostra que quedas no passeio estão na origem de muitas mortes por pneumonia Ricardo Antunes, sociólogo e doutorado em Sociologia, investigou as causas remotas de 1935 óbitos hospitalares: 944 em Lisboa e 991 em Beja. “Surpreendentemente, percebi que na capital há mais mortes por pneumonia”, relata à CNN Portugal. Essa constatação deixou-o surpreendido. “Como é que a região mais rica do país, com os hospitais mais diferenciados, os melhores técnicos e a melhor tecnologia de saúde, ainda tem tantos casos fatais de uma infeção respiratória como a pneumonia?”, questionou-se o sociólogo. Ao reconstruir a história clínica dos falecidos, encontrou um padrão. “As informações nos registos de saúde mostram, claramente, que um número significativo dessas vítimas tinha, na sua história recente, um episódio de queda na via pública”, relata o enfermeiro, que se doutorou em Sociologia no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. Um dos capítulos da sua tese, sobre d...

Preços dos táxis vão mudar. Custo com bagagens e animais de estimação acaba

 O preço base de todas as viagens vai diminuir de 3,25 para 2 euros e o valor por hora e por quilómetro estarão indexados ao salário mínimo e à inflação. Taxímetros mudam obrigatoriamente até agosto. Taxistas estão insatisfeitos com novo regulamento do setor, com a ANTUP a defender que traz "enorme incerteza económica". O preço de uma viagem de táxi vai mudar. Será aplicada uma nova fórmula de cálculo, sendo apenas cobrado o suplemento de chamada — e caindo por terra outros custos extra, como o de transporte de bagagem. As novas medidas a aplicar, citadas pelo jornal Público, constam do novo regulamento elaborado pela Autoridade da Mobilidade e Transportes (AMT) e que esteve em consulta pública. Foi publicado em Diário da República no início deste mês de junho e entrará em vigor em meados de agosto. Inicialmente estava previsto que o novo regulamento fosse adotado já a partir desta sexta-feira, mas numa nota de ofício de uma reunião entre associações do setor e a AMT, à qual ...