Avançar para o conteúdo principal

Carros eléctricos vão ter baterias 41% melhores

24M revelou uma nova tecnologia de baterias que permitirá oferecer mais 41% de capacidade, face às da Tesla, e até mais 75%, comparando com a média do sector. Serão ainda 50% mais baratas de produzir.



O aspecto das células da 24M é similar às baterias de bolsa normais, mas lá dentro o número de camadas é muito inferior e funcionam de

O armazenamento de energia é a grande limitação dos veículos eléctricos, isto porque a capacidade de recarregar a potências mais elevadas (de 150 a 250 kW e, em breve, 350 kW) diminui consideravelmente os tempos de carga, passando para minutos o que há dois ou três anos eram horas. O problema é que, para melhorar a capacidade das baterias sem incrementar o peso ou o preço, é necessário optimizar a sua química. E a verdade é que há acumuladores melhores e piores, pois se é frequente ver os técnicos apontar à Tesla uma densidade energética de 250 Wh/kg, a maioria das baterias do mercado ainda anda pelos 200 Wh/kg, e por vezes menos, o que obriga a carregar mais quilos de baterias para garantir a mesma autonomia.


A indústria dos acumuladores tem-se desdobrado em investimentos multimilionários, não só na tentativa de encontrar melhores soluções para o futuro – por exemplo, para conseguir produzir baterias sólidas, ou seja, sem electrólito líquido –, mas igualmente optimizar as actuais. Porém, estas melhorias são, no fundo, “um pau de dois bicos”, pois com a actual tecnologia de acumuladores de iões de lítio é possível conceber baterias com maior densidade energética, com mais ciclos de vida (mais duradouras) ou mais seguras (com menos tendência para se incendiarem em caso de acidente com fuga de electrólito ou aquecimento excessivo). Lamentavelmente, parece não ser possível melhorar estes três aspectos em simultâneo.

Um exemplo desta limitação encontra-se nas novas NCM 811 (8 partes de Níquel, 1 de Cobalto e 1 de Manganês) em que muitos (todos?) fabricantes de baterias estão a trabalhar, que por terem menos cobalto reduzem os custos e por terem mais níquel aumentam a densidade energética. Mas o alto teor de níquel, apesar de estar parcialmente estabilizado com a presença do manganês, leva a que as NCM 811 apresentem uma maior probabilidade de se incendiarem. A Tesla, que anuncia a melhor densidade energética do mercado, recorre a um princípio similar às NCM 811, mas estabiliza o níquel com alumínio.

Dois electrólitos para (quase) duplicar a capacidade
O salto tecnológico de que as baterias necessitam para melhorar a eficiência, a longevidade e a segurança pode muito bem estar a ser dado pela 24M. Ou pelo menos um dos saltos, pois a Maxwell, especialista em ultracondensadores recentemente adquirida pela Tesla, já fala em densidades energéticas de 500 Wh/kg, elevando ainda mais a fasquia, graças a uma solução completamente distinta da 24M.

No final de Março, a 24M anunciou ter entregue a um cliente as primeiras baterias de iões de lítio, que denominou semi-sólidas, assegurando que eram mais eficazes e mais baratas do que as tradicionais. Esses acumuladores tinham uma densidade energética de 250 Wh/kg, ou seja, o que a Tesla já consegue com as células 2170. Mas a novidade é que a mesma 24M, formada por inventores e cientistas em Massachusetts, revelou igualmente ter fornecido baterias com 280 Wh/kg, estando a preparar-se para, em breve, atingir os 400 Wh/kg. Tudo isto fruto da investigação suportada por um contrato com o Advanced Battery Consortium americano, no valor de 7 milhões de dólares (reforçado em final de 2018 por mais 22 milhões).

No International Battery Seminar & Exhibit, em Fort Lauderdale, na Florida, a companhia americana abriu parcialmente o jogo em relação aos acumuladores que espera produzir ainda em 2019, com uma densidade de 350 Wh/kg. Isto significa que, comparadas com uma bateria convencional (200 Wh/kg), as novas da 24M permitirão poupar 107 kg numa bateria de 50 kWh (com 250 kg, apenas ao nível das células, faltando o pack e a respectiva refrigeração), ou 214 kg num acumulador com 100 kWh. Ou seja, serão muito mais leves. Mas não só.

Qual é o truque?
A 24M continua a guardar religiosamente os seus segredos, mas sempre vai libertando alguns elementos que permitem antecipar o que está a preparar. Em vez de recorrer à construção tradicional de uma bateria “líquida”, por assim dizer (e por oposição às sólidas que chegarão dentro de uns anos), que passa por terem o ânodo e o cátodo mergulhados dentro de um electrólito líquido, onde os protões (iões positivos, no caso de lítio) se deslocam do ânodo para o cátodo, enquanto os electrões que perderam vão alimentar o motor eléctrico, a bateria da 24M é completamente distinta.

Cada eléctrodo está mergulhado no seu próprio electrólito e não há contacto entre ânodo e cátodo, ao estarem afastados por um separador. Segundo Naoki Ota, o responsável técnico da 24M, esta solução, que denomina semi-sólida, “permite recorrer a um novo tipo de soluções químicas que aumentam a densidade (de imediato 350 Wh/kg, com potencial para continuar a crescer), mas que conseguem ainda aumentar o número de ciclos de carga/descarga e reduzir consideravelmente os custos”.

O que tem atrasado – e continua a atrasar – a produção de baterias sólidas é a dificuldade na interacção sólido-sólido que as caracteriza. Esta nova solução, com um separador não permeável e condutor a posicionar-se entre o que chamam o “anólito” e “católito”, ou seja, os electrólitos que envolvem, respectivamente, o ânodo e o cátodo, ultrapassa por completo este problema. Isto torna a bateria mais fácil de produzir, exigindo para cúmulo um esquema de fabricação mais simples e barato, para depois, ao possuir menos separadores e menos camadas, reduzir os materiais dispendiosos necessários para fazer funcionar a bateria.

A 24M afirma mesmo que é possível abrir mão do electrólito à base de lítio, expandindo o tipo de potenciais electrólitos, que até podem ser água ou outros, com óbvias consequências positivas para os custos de produção, que a empresa estima serem inferiores em 50%. Isto também traz benefícios para o número de ciclos de vida, pois deixa de ter lugar a deposição de matéria nos eléctrodos, bloqueando-os. O que significa que as baterias se tornam mais duradouras.

Por outro lado, o facto de possuírem camadas de 450 mícron de espessura, em vez de 60, leva a que as novas baterias da 24M consigam ter mais 80% de materiais activos para gerar energia (para o mesmo volume), segundo os seus fundadores. Assim se explica o ganho de densidade energética – que se traduz em maior autonomia para o mesmo peso de bateria –, que é de 41% face aos acumuladores da Tesla, mas de 75% face à média do mercado.

https://observador.pt/2019/04/04/carros-electricos-vao-ter-baterias-41-melhores/

Comentários

Notícias mais vistas:

Vem aí um Super El Niño histórico em 2026: o que significa para Portugal

  Se tens acompanhado as notícias sobre o clima, já percebeste que a meteorologia de 2026 promete ser muito complicada. Efetivamente, os especialistas do portal  lusometeo.com  alertam que a formação de um Super El Niño em 2026 é agora uma certeza absoluta e os modelos matemáticos mostram dados extremos. Por isso, preparamo-nos para enfrentar o episódio mais violento do último século. O oceano Pacífico Equatorial Leste pode registar um aumento assustador de três graus centígrados acima da média, criando uma bomba-relógio atmosférica. Super El Niño histórico em 2026: afinal, como é que isto afeta o nosso país? Antes de mais, existe um mito muito comum que precisa de ser desfeito imediatamente. Como explica claramente a equipa do portal lusometeo.com, este fenómeno não tem uma ligação direta com o estado do tempo diário em Portugal. Neste sentido, não vais sentir um impacto meteorológico automático no teu quintal só porque o Pacífico aqueceu. Contudo, isto não significa de ...

Supercarregadores portugueses surpreendem mercado com 600 kW e mais tecnologia

 Uma jovem empresa portuguesa surpreendeu o mercado mundial de carregadores rápidos para veículos eléctricos. De uma assentada, oferece potência nunca vista, até 600 kW, e tecnologias inovadoras. O nome i-charging pode não dizer nada a muita gente, mas no mundo dos carregadores rápidos para veículos eléctricos, esta jovem empresa portuguesa é a nova referência do sector. Nasceu somente em 2019, mas isso não a impede de já ter lançado no mercado em Março uma gama completa de sistemas de recarga para veículos eléctricos em corrente alterna (AC), de baixa potência, e de ter apresentado agora uma família de carregadores em corrente contínua (DC) para carga rápida com as potências mais elevadas do mercado. Há cerca de 20 fabricantes na Europa de carregadores rápidos, pelo que a estratégia para nos impormos passou por oferecermos um produto disruptivo e que se diferenciasse dos restantes, não pelo preço, mas pelo conteúdo”, explicou ao Observador Pedro Moreira da Silva, CEO da i-charging...

Passageiros sem direito a indemnização em cancelamento de voo por falta de combustível

 Os passageiros aéreos não terão direito a indemnização caso o cancelamento do voo se deva à escassez de querosene, segundo orientações adotadas esta sexta-feira pela Comissão Europeia, que proíbem a aplicação de taxas adicionais sobre bilhetes. O executivo comunitário considerou, segundo um comunicado, que "uma escassez local de combustível" se enquadra na categoria de circunstâncias extraordinárias que isentam as transportadoras aéreas de indemnizar os clientes, mas sustentou que “os preços elevados dos combustíveis não devem ser considerados como constituindo uma circunstância extraordinária”. "Falta de combustível sim, preços elevados não", sintetizou, na conferência de imprensa diária, a porta-voz da Comissão para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen, reiterando que não há ainda "nenhuma evidência de que vá haver uma escassez de combustível para aviões". Por outro lado, Bruxelas esclareceu que "não é permitido cobrar taxas adicionais retroativamente, co...