Avançar para o conteúdo principal

Portugueses no reino unido sentem-se perseguidos com adopções forçadas

Os emigrantes portugueses que vivem no Reino Unido estão preocupados com as chamadas “adopções forçadas” que já levaram vários governos estrangeiros a protestarem nos serviços sociais britânicos contra a forma como são tratados os filhos dos seus nacionais. Há quem fale de um verdadeiro “negócio de milhões”.

A plataforma Advogados Portugueses contra Adopções Forçadas revela que, no último ano e meio, pelo menos 30 crianças foram retiradas a famílias portuguesas no Reino Unido pelos serviços sociais do país, conforme reporta o Jornal de Notícias.

O advogado Pedro Proença, que integra a plataforma que foi criada para apoiar juridicamente os emigrantes portugueses a quem foram retirados filhos ou que estão a ser vigiados pelas autoridades britânicas, esteve na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, nesta terça-feira, 8 de Novembro, onde deixou um apelo à intervenção do governo.

A plataforma identificou cerca de 60 famílias sinalizadas pelos serviços sociais do Reino Unido, apontando que pelo menos metade delas ficou sem os filhos.

“Negócio” que movimenta 2,2 mil milhões de euros por ano

Pedro Proença disse aos deputados que está em causa um “negócio de milhões”, cuja “matéria-prima são as crianças”, que leva à retirada de cerca de 120 mil crianças às suas famílias a cada ano que passa, segundo cita o JN.

O advogado fala de uma lei “altamente permissiva” que possibilita “uma análise subjectiva e quase de futurologia” sobre o que pode acontecer às crianças e, por outro lado, constata que o Estado inglês paga, anualmente, dois mil milhões de libras (cerca de 2,2 mil milhões de euros) a casas e famílias de acolhimento para onde os menores são encaminhados.

Vários países com comunidades emigrantes no Reino Unido já terão apresentado protestos formais junto do governo britânico por causa da “forma como os seus nacionais são tratados pelos serviços sociais” do país, refere Pedro Proença, citado pelo JN.

Secretário de Estado nega perseguição às famílias portuguesas

O gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, já reagiu a estes dados, negando qualquer perseguição às famílias portuguesas.

Segundo os serviços consulares portugueses no Reino Unido, foram sinalizadas, desde 2014, 154 crianças portuguesas, das quais 20 foram encaminhadas para adopção.

Numa nota enviada à Lusa, José Luís Carneiro adianta que chamou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros a embaixadora do Reino Unido, “a quem solicitou que avaliasse, com as autoridades britânicas com responsabilidade na matéria, se os fundamentos legais relativos à protecção de menores estão a ser integralmente respeitados, de acordo com a lei inglesa e as convenções internacionais”.

“Não existe um movimento concertado das autoridades britânicas para retirar, em particular, crianças a famílias portuguesas residentes no Reino Unido”, refere ainda a nota que salienta que a grande maioria dos menores afastados dos agregados são ingleses.

Por outro lado, o Governo garante que “a rede consular portuguesa no Reino Unido acompanha os casos de menores em risco desde que são sinalizados até que seja proferida decisão final”, salientando porém que “a jurisdição é inglesa”.

Os consulados procuram assegurar que as famílias portuguesas “têm o mesmo tratamento que as britânicas” e ainda garantir “apoio judiciário (algumas até tiveram mais do que um advogado), obrigatório neste tipo de processos para quem tem dificuldades financeiras, e tradutor, se não dominarem a língua inglesa”, acrescenta a nota.

Quando os pais são avaliados pelas autoridades inglesas, os consulados prestam aconselhamento às famílias “sobre como deverão comportar-se, explicando as diferenças legislativas e culturais entre os sistemas português e britânico”, esclarece também o gabinete de José Luís Carneiro.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros faz a ligação com os serviços sociais portugueses, para avaliar a possibilidade de elementos da família, residentes em Portugal, se responsabilizarem pelos menores até os pais terem superado as avaliações requeridas pelos serviços sociais britânicos.

Por outro lado, “os postos consulares estão muitas vezes presentes em tribunal, na qualidade de observadores, nos casos mais complexos”.

O representante da plataforma Advogados Portugueses contra as Adopções Forçadas disse na comissão parlamentar que os serviços consulares não têm capacidade para responder, em tempo útil, a todos os casos, disponibilizando assim o apoio jurídico da associação.

Pedro Proença revelou ter pedido uma audiência ao Ministério dos Negócios Estrangeiros há um mês, mas diz que ainda não obteve resposta.

Na mensagem enviada à Lusa, a mesma fonte do gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse não ter recebido qualquer pedido de reunião desta plataforma, mas referiu que os serviços consulares em Londres já receberam um grupo de advogados, liderados por Varela Gomes, com a mesma finalidade.


Em: http://zap.aeiou.pt/portugueses-no-reino-unido-sentem-perseguidos-adopcoes-forcadas-137235

Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

A Internet vai deixar de ser anónima? O que diz um especialista sobre a nova lei portuguesa

A  nova lei digital portuguesa para menores de 16 anos  tem levantado um debate intenso nas redes sociais e na opinião pública. Entre receios de vigilância estatal, o possível fim do anonimato online e dúvidas sobre a proteção de dados, a desinformação começou rapidamente a circular. Para esclarecer o que é tecnicamente possível, o que é juridicamente exigido e onde estão, de facto, os riscos, falámos com Carlos Quintinha, engenheiro de software, especialista em DevOps e CEO da  OneShift . Quintinha aceitou responder de forma direta às principais preocupações levantadas sobre verificação de idade, Chave Móvel Digital, RGPD, encriptação ponta-a-ponta e eventuais precedentes institucionais. A entrevista que se segue não é um posicionamento político. É uma análise técnica. E, num tema onde o ruído tem sido maior do que a informação, isso faz toda a diferença. Verificação de idade e Chave Móvel Digital Imagem via Autenticao.Gov.pt A lei prevê verificação obrigatória de idade ...

J.K. Rowling

 Aos 17 anos, foi rejeitada na faculdade. Aos 25 anos, sua mãe morreu de doença. Aos 26 anos, mudou-se para Portugal para ensinar inglês. Aos 27 anos, casou. O marido abusou dela. Apesar disso, sua filha nasceu. Aos 28 anos, divorciou-se e foi diagnosticada com depressão severa. Aos 29 anos, era mãe solteira que vivia da segurança social. Aos 30 anos, ela não queria estar nesta terra. Mas ela dirigiu toda a sua paixão para fazer a única coisa que podia fazer melhor do que ninguém. E foi escrever. Aos 31 anos, finalmente publicou seu primeiro livro. Aos 35 anos, tinha publicado 4 livros e foi nomeada Autora do Ano. Aos 42 anos, vendeu 11 milhões de cópias do seu novo livro no primeiro dia do lançamento. Esta mulher é JK Rowling. Lembras de como ela pensou em suicídio aos 30 anos? Hoje, Harry Potter é uma marca global que vale mais de $15 bilhões. Nunca desista. Acredite em você mesmo. Seja apaixonado. Trabalhe duro. Nunca é tarde demais. Esta é J.K. Rowling. J. K. Rowling – Wikipédi...