Avançar para o conteúdo principal

Comissão Europeia exige mudanças no TGV português



 As linhas de Alta Velocidade Lisboa/Madrid, Porto/Lisboa e Porto/Vigo terão de ser em bitola europeia, que é 23 centímetros mais estreita do que a bitola Ibérica, usada na rede ferroviária nacional. Carlo Secchi, coordenador da Comissão Europeia para este projeto, em declarações exclusivas à TVI e CNN Portugal, explica que as novas linhas podem ser lançadas na bitola antiga, mas vão ter de ser remodeladas até 2030

A linha de alta velocidade Porto-Lisboa e as ligações internacionais a Vigo e a Madrid fazem parte do Corredor Atlântico, um dos nove corredores de transportes da União Europeia (UE), elegíveis para fundos comunitários. Para beneficiarem desse co-financiamento, todas elas terão de cumprir os requisitos de sinalização, alimentação eléctrica e de bitola vigentes na Europa. A Comissão Europeia aposta na ferrovia sem barreiras técnicas para ligar todas as capitais e cidades principais dos estados-membros, assim como para incrementar de forma substancial a transferência do tráfego de mercadorias das auto-estradas para o caminho-de-ferro, muito mais sustentável do ponto-de-vista económico e ambiental.


“Há a obrigação de cumprir com a bitola standard europeia na construção de novas linhas férreas”, explica Carlo Secchi, coordenador do Corredor Atlântico. O regulamento das redes transeuropeias admite que as obras ainda possam ser lançadas na bitola ibérica tradicional, mas para isso o Governo terá de apresentar uma análise de custo-benefício socioeconómico que demonstre a vantagem dessa política. Em qualquer caso, até 2030 as novas linhas deverão sofrer obras de remodelação para ficarem em bitola europeia.


“Na prática, concretamente, isso significa que as linhas da rede principal que ainda não estiverem construídas em meados de 2024, este ano, como a futura ponte sobre o Tejo, de Lisboa para o Poceirão, ou a futura linha de alta velocidade do Poceirão para Évora, terão de cumprir esse requisito”, garante Carlo Secchi. O prazo para as novas linhas serem plenamente interoperáveis é de seis anos. “O que nós propusemos, do lado da Comissão, é fazer o projeto em dois passos. Primeiro passo, uma conexão, o mais cedo possível, em cerca de seis horas, usando as duas linhas convencionais e existentes em bitola ibérica. Segundo passo, para uma conexão de aproximadamente três horas, em linhas de alta velocidade completamente desenvolvidas, na bitola europeia standard”, acrescenta o coordenador do Corredor Atlântico.


Também na nova linha Lisboa-Porto “o regulamento não proibirá Portugal de iniciar a construção em bitola ibérica, e posteriormente migrar a linha para a bitola europeia, o mais tardar até dezembro de 2030”. A pedido de um Estado-Membro, “em casos devidamente justificados, uma isenção temporária dos requisitos de interoperabilidade poderá ser garantida pela Comissão, através de um Acto de Execução, mas isso seria somente de forma temporária”, declara o coordenador do Corredor Atlântico.


O representante da Comissão Europeia, que esta semana vai reunir-se em Lisboa com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, refere ainda que o novo Regulamento exige a Portugal um plano de migração das linhas internacionais coordenado com Espanha. Questionado sobre se uma análise de custo-benefício contrária à migração poderá permitir a Portugal manter a bitola ibérica para sempre, Carlo Secchi responde: “Não, eu não acho que isso possa acontecer”. Espanha já tem mais de quatro mil quilómetros de linhas de alta velocidade em bitola europeia, embora mantenha uma rede tradicional, de bitola Ibérica, para muitas ligações regionais e tráfego de mercadorias. No entanto, o porto de mar de Barcelona já está ligado à Europa por bitola europeia e existem planos para alargar essa linha do Mediterrâneo, para passageiros e mercadorias, aos portos de Valência e de Algeciras. Muitas associações empresariais portuguesas têm insistido na importância de Portugal aderir a bitola europeia para não ficar dependente de Espanha na exportação e importação de mercadorias, pela via ferroviária, para todos os outros países da Europa.


Comissão Europeia exige mudanças no TGV português - CNN Portugal (iol.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Open Cosmos capta 300 milhões e “vai acelerar investimento em Portugal”

 Empresa britânica tem 50 milhões para investir em Portugal, onde pretende duplicar a equipa de 50 para 100 pessoas. Com este novo financiamento, esse plano vai "acelerar". A britânica Open Cosmos fechou uma ronda de 300 milhões de euros para acelerar a ligação a partir do Espaço. Portugal é “uma das quatro localizações core” da empresa, mercado onde tem previsto um investimento de 50 milhões. “Este financiamento vai apenas acelerar este investimento”, diz fonte oficial ao ECO/eRadar. “Portugal é uma das quatro localizações core da Open Cosmos. Tal como anunciámos anteriormente, a equipa em Portugal é constituída por 50 pessoas, e planeamos dobrar a equipa e investir 50 milhões no país”, adianta a mesma fonte. Com quatro fábricas no Reino Unido, Grécia, Espanha e Portugal, com 400 trabalhadores, e capacidade para fabricar um satélite por dia, a empresa tem vindo a lançar uma nova geração de satélites para a OpenConstellation, procurando reduzir o tempo de entrega de produtos ...

Energia nas rochas: será o subsolo a bateria de que precisamos para a transição energética?

Direitos de autor AP Photo/Ross D. Franklin Um estudo de investigadores portugueses analisou diferentes possibilidades de armazenamento de energia com ar comprimido em rochas porosas em profundidade. No melhor cenário, um reservatório poderia armazenar energia suficiente para o consumo de uma pequena cidade. Armazenar energia no subsolo: parece ficção científica mas é uma prática que não é propriamente nova no contexto da investigação geológica. Conhecida desde a década de 70 do século passado com as primeiras experiências em cavernas de sal na Alemanha, o processo representa um mundo de possibilidades no campo da energia renovável e da necessidade de armazenamento que este acarreta. "Um dos problemas que existe com a transição energética é a existência de uma maior disponibilidade de energia de fontes renováveis, que não é possível ser armazenada", explica à Euronews Ricardo Pereira, investigador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisb...