Avançar para o conteúdo principal

Taxa e volume de desemprego começaram a subir no terceiro trimestre face há um ano



 INE. Portugal tinha 326,1 mil pessoas sem trabalho, mais 4,4% (13,7 mil) relativamente ao homólogo". Emprego cresce apenas 0,5%, mas supera fasquia dos 5 milhões de pessoas.


O peso do desemprego no total da população ativa (a taxa) e o número de desempregados começaram a subir, ligeiramente, no terceiro trimestre deste ano face a igual período do ano passado, o que pode sinalizar um ponto de viragem no mercado de trabalho, que até aqui estava a conseguir aliviar este problema, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), nos novos dados oficiais do Inquérito ao Emprego relativo ao terceiro trimestre.


A taxa de desemprego ficou na mesma entre o segundo e o terceiro trimestre, nos 6,1% da população ativa, mas em termo homólogos o indicador subiu 0,1 pontos percentuais (p.p.) (face ao 3.º trimestre de 2022, portanto).


Ainda segundo o instituto, "no 3.º trimestre de 2023, a taxa de desemprego foi superior à média nacional (6,1%) em duas regiões NUTS II do país (Norte: 6,7%; Área Metropolitana de Lisboa: 6,6%)".


E ficou abaixo da média "nas restantes cinco regiões (Região Autónoma dos Açores: 6%; Alentejo: 5,9%; Centro: 5%; Algarve: 4,8%; Região Autónoma da Madeira: 4,8%)".


Em termos homólogos, o peso do desemprego esta a piorar de forma notória no Alentejo e no Norte do país.


"Observaram-se acréscimos deste indicador em quatro regiões, o maior dos quais no Alentejo (1,5 p.p.)", a que se pode juntar a subida de 0,8 décimas no Norte.


Em sentido contrário, registaram-se "decréscimos na Área Metropolitana de Lisboa (1,2 p.p.) e na Região Autónoma da Madeira (1,4 p.p.), não se tendo observado alterações homólogas na taxa de desemprego da Região Autónoma dos Açores", segundo as estatísticas oficiais do novo inquérito ao emprego.


Ainda segundo o INE, a população desempregada rondará agora (período de julho a setembro) 326,1 mil pessoas, ou seja, "aumentou 0,5% (1,4 mil casos) em relação ao trimestre anterior e 4,4% (13,7 mil) relativamente ao homólogo".


Desemprego jovem volta a ser um quinto do total


No entanto, no caso da taxa, há sinais mais preocupantes no desemprego jovem, que sobe de forma notória seja em termos homólogos, seja em cadeia.


"A taxa de desemprego de jovens (população com 16 a 24 anos) foi estimada em 20,3%, valor superior em 3,2 p.p. ao do trimestre anterior e em 1,5 p.p. ao do trimestre homólogo", contabiliza o instituto.


Ou seja, a incidência do problema do desemprego entre os jovens é quase quatro vezes pior face à na média da população portuguesa, com tendência para se agravar, como mostram os novos dados do INE.


Emprego perde gás arrastado pelos menos escolarizados


No emprego, os indicadores continuam a ser positivos, mas também aqui já há sinais de menor dinamismo, reflexo da quebra da atividade registada no terceiro trimestre.


Recorde-se que a economia portuguesa surpreendeu vários analistas, ao registar uma quebra real do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,2% entre o segundo e o terceiro trimestre, a primeira contração que acontece desde o início de 2021.


Em cadeia, entre segundo e terceiro trimestre, o emprego ainda resiste, mas sobe apenas 0,5% no terceiro trimestre, ultrapassando, em todo o caso, a fasquia dos cinco milhões de postos de trabalho. Mas, há um ano, o aumento trimestral nestes meses de verão foi mais do dobro (1,1%).


O acréscimo homólogo foi de 2,2% entre o terceiro trimestre de 2022 e igual período deste ano.


Diz o INE que "no 3.º trimestre de 2023, a população empregada (5,015 milhões de pessoas) aumentou 0,5% (26,8 mil) em relação ao trimestre anterior e 2,2% (109,2 mil) relativamente ao trimestre homólogo de 2022".


No entanto, é preciso ver que, no grosso da população empregada que é a menos qualificada (cerca de um terço tem a escolaridade mais baixa, o novo ano ou menos, quase 1,8 milhões de pessoas), a economia já se encontra a destruir emprego e muito, tendo o respetivo indicador caído quase 2% em termos homólogos entre os menos escolarizados. Estamos a falar de menos 34,1 empregos em apenas um ano.


Em todo o caso, compensou a subida no emprego das pessoas com o secundário completo (mais 6,4%) e com o ensino superior (2,9%), o que confirma a ideia tantas vezes propagada pelo governo e os economistas de que ter mais qualificações compensa em termos de emprego e protege as pessoas contra eventuais situações de desemprego.


Taxa e volume de desemprego começaram a subir no terceiro trimestre face há um ano (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Bruxelas considera que é possível acabar com mudança da hora e vai apresentar estudo

 A Comissão Europeia considera que alcançar um consenso para acabar com a mudança da hora "ainda é possível" e vai apresentar um estudo nesse sentido este ano, com os Estados-membros a manifestarem-se disponíveis para analisá-lo assim que for entregue. Na madrugada do dia 29 deste mês, a hora volta a mudar em toda a União Europeia (UE), para dar início ao horário de verão, o que acontece atualmente devido a uma diretiva europeia que prevê que, todos os anos, os relógios sejam, respetivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia propôs o fim do acerto sazonal, mas o processo tem estado bloqueado desde então, por falta de acordo entre os Estados-membros sobre a matéria. Numa resposta por escrito à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonnen referiu que o executivo decidiu propor o fim da mudança horária em 2018 após ter recebido "pedidos de cidadãos e dos ...

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...