Avançar para o conteúdo principal

Android vai detetar roubo de telemóvel e bloquear acesso de forma imediata



 Google cita Brasil como inspiração para a funcionalidade, que tem uma margem de falsos positivos “muito baixa.”


A próxima atualização do sistema operativo Android irá introduzir uma funcionalidade que permitirá defender melhor os utilizadores do roubo dos seus smartphones. Chama-se Theft Lock, na designação inglesa, e foi inspirada pelo crescente problema de roubo de telefones Android no Brasil, segundo explicou o vice-presidente de engenharia do sistema, Dave Burke, numa mesa redonda onde o Dinheiro Vivo participou. 


“O roubo de smartphones é um problema sério”, declarou o executivo, que falava à margem do evento anual da empresa Google I/O, em Mountain View. Burke referiu que, em São Paulo, é roubado um telefone a cada cinco minutos. “Desenvolvemos uma forma de detetar um roubo e bloqueamos o telefone para manter os dados seguros”, resumiu. 


Sameer Samat, presidente do ecossistema Android, passou algum tempo a discutir o tema com consumidores brasileiros e disse, na mesa redonda, que o Brasil “foi muito influente na criação da funcionalidade.” Samat manteve até conversações com o governo do país, que salientou a gravidade do problema. De tal forma que muitos utilizadores andam com dois telefones, um contendo dados sensíveis (por exemplo para pagamentos) e outro que usam para falar na rua, correndo o risco de que seja roubado. 


Burke explicou que é a Inteligência Artificial embebida no Android que vai identificar uma sequência como sendo um roubo e ativar a proteção de forma automática. 


“Deteta se o telefone está desbloqueado e há um impacto repentino seguido de uma fuga”, descreveu Burke. Muitos roubos acontecem quando a pessoa está a usar o telefone na rua e alguém se aproxima de bicicleta ou mota e agarra o dispositivo de repente. Como está desbloqueado, o ladrão consegue acesso imediato aos dados mais sensíveis, causando danos imediatos. 


“Esta é a aplicação perfeita da IA”, considerou Burke, referindo que a margem de falsos positivos é “muito baixa.” Será ainda possível bloquear o telefone mesmo offline e de forma remota. 


Esta atualização vai beneficiar todas as versões de Android, mas há funcionalidades que serão exclusivas da nova iteração Android 15. Uma delas é a criação do Private Space, um telefone virtual dentro do telefone que só pode ser acedido mediante verificação do dono. 


E há outras: por exemplo, a deteção de ameaças em tempo real no Google Play (Live Threat Detection), que analisa e deteta aplicações suspeitas num “sistema anti-malware muito sofisticado”, segundo Dave Burke. O Android 15 irá também esconder notificações e palavras-passe temporárias para que não apareçam em partilhas de ecrã que possam ser usadas em ataques fraudulentos. 


O Google I/O decorre no anfiteatro Shoreline em Mountain View, Califórnia, onde a empresa está sediada. 


Android vai detetar roubo de telemóvel e bloquear acesso de forma imediata (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Portugal perto de amarrar 20 cabos submarinos e tornar-se ‘hub’ digital

 Mais do que ligar continentes, os cabos submarinos tornaram-se uma infraestrutura crítica para atrair centros de dados, cloud e inteligência artificial, reforçando a competitividade do país. A 8 de junho de 1870, Portugal entrou na era das telecomunicações globais com a entrada em funcionamento do primeiro cabo telegráfico submarino, que ligava Carcavelos a Porthcurno, na costa sul do Reino Unido. Mais de século e meio depois, o país continua a desempenhar um papel estratégico nas comunicações internacionais, beneficiando sobretudo da sua posição geográfica privilegiada no Atlântico. Localizado na interceção das ligações entre a Europa, as Américas e África, Portugal afirma-se como uma plataforma de ligação entre continentes. Segundo um estudo deste ano da Câmara de Comércio Americana em Portugal (AmCham Portugal), até ao final deste ano, o país deverá contar com 20 cabos submarinos amarrados à costa. Em 2027, está ainda prevista a entrada em operação de mais um sistema, reforçand...

Técnico (IST) lidera consórcio para o estudo de plasmas contendo antimatéria

O Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa lidera consórcio com financiamento europeu para o estudo de plasmas contendo antimatéria. Ao longo dos próximos quatro anos, projeto PAIR trabalhará para criar, diagnosticar e modelar “plasmas de pares”, um estado único da matéria contendo eletrões e positrões. Ao longo dos próximos quatro anos, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, encabeçará um consórcio dos principais centros mundiais de física e computação na área da física de plasmas com o intuito de estudar ‘plasmas de pares’, um estado único da matéria contendo eletrões e a sua contraparte de antimatéria, os positrões. O projeto, Plasma Antimatter Investigation and Realization (PAIR), recebeu financiamento através do programa Horizonte Europa da União Europeia. Durante décadas, o estudo destes ‘plasmas de pares’ limitou-se maioritariamente a cálculos teóricos e observações telescópicas distantes, dada a natureza exótica deste estado da matéria. Com esta inici...