Avançar para o conteúdo principal

Campo magnético da Terra está enfraquecendo - e não sabemos o que isso significa


 Enfraquecimento do campo magnético da Terra

O campo magnético da Terra já diminuiu em quase 10% na média global, mas o fenômeno é particularmente forte em uma área que se estende da América do Sul à África.

Conhecida como "Anomalia Magnética do Atlântico Sul", esta área já tem causado distúrbios técnicos nos satélites que orbitam a Terra e que passam acima dela.

Ainda sem explicações para o fenômeno e, portanto, sem condições de prever seu comportamento futuro, geofísicos começaram a usar dados da constelação de observatórios Swarm, da Agência Espacial Europeia, para tentar lançar alguma luz sobre o estranho comportamento do magnetismo terrestre na região.

Anomalia do Atlântico Sul

O campo magnético da Terra, vital para a vida no nosso planeta, é uma força complexa e dinâmica que nos protege da radiação cósmica e das partículas carregadas do Sol.

As teorias atuais indicam que o campo magnético é gerado, ao menos em grande parte, por um oceano de ferro líquido superaquecido e em turbilhão que compõe o núcleo externo da Terra, a cerca de 3000 km abaixo dos nossos pés. Atuando como um condutor giratório, semelhante ao que acontece num dínamo de bicicleta, esse fluxo cria correntes elétricas que, por sua vez, geram o nosso campo eletromagnético - os geofísicos sabem que esta explicação é parcial porque já se sabe que as as marés oceânicas contribuem para o magnetismo da Terra.

Este campo está longe de ser estático e varia em força e direção tanto no espaço quanto no tempo. Por exemplo, estudos recentes mostraram que a posição do polo norte magnético está mudando rapidamente.

Nos últimos 200 anos, o campo magnético perdeu cerca de 9% da sua força - em uma média global. A redução da intensidade magnética foi particularmente forte entre a América do Sul e a África: Apenas nos últimos 50 anos, a força mínima de campo nessa área caiu de cerca de 24.000 nanoteslas para 22.000, enquanto, ao mesmo tempo, a área da anomalia cresceu e moveu-se para o oeste a um ritmo de cerca de 20 km por ano.

Nos últimos cinco anos, um segundo centro de intensidade mínima surgiu no sudoeste da África - indicando que a Anomalia do Atlântico Sul poderia dividir-se em duas células separadas.

Campo magnético da Terra está enfraquecendo

Campo magnético da Terra está enfraquecendo

Ao contrário do pólo norte geográfico, que fica em um local fixo, o norte magnético vagueia, aparentemente devido à competição entre duas bolhas magnéticas na borda do núcleo externo da Terra.

[Imagem: Philip W. Livermore et al. - 10.1038/s41561-020-0570-9]


Mapa do magnetismo terrestre

O campo magnético da Terra é visualizado como um poderoso ímã dipolar no centro do planeta, inclinado em torno de 11° em relação ao eixo de rotação. No entanto, o crescimento da anomalia do Atlântico Sul indica que os processos envolvidos na produção do campo são muito mais complexos do que os cientistas têm imaginado - modelos dipolares comuns são incapazes de explicar o comportamento recente da Anomalia do Atlântico Sul, por exemplo.

A expectativa é que os dados da constelação de observatórios Swarm, que estão permitindo criar um mapa 3D do campo magnético da Terra, ajudem a entender melhor a anomalia.

"O novo mínimo oriental da Anomalia do Atlântico Sul apareceu na última década e, nos últimos anos, está se desenvolvendo vigorosamente. Temos muita sorte de ter os satélites Swarm em órbita para investigar o desenvolvimento da Anomalia do Atlântico Sul. O desafio agora é entender os processos no núcleo da Terra que impulsionam estas mudanças," disse Jürgen Matzka, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências.

Inversão dos polos magnéticos da Terra

Alguns cientistas têm levantado a hipótese de que o atual enfraquecimento do campo seria um sinal de que a Terra está caminhando para uma inversão dos polos, quando os polos magnéticos norte e sul trocam de lugar. Eventos assim ocorreram muitas vezes ao longo da história do planeta e, apesar de estarmos atrasados pela taxa média em que estas reversões ocorrem - aproximadamente a cada 250.000 anos -, a queda de intensidade no Atlântico Sul ainda está dentro do que é considerado um nível normal de flutuação.

No entanto, os satélites e outras naves espaciais que voam pela área estão mais propensos a sofrer avarias técnicas, uma vez o campo magnético é mais fraco nessa região, de modo que as partículas carregadas podem penetrar nas altitudes dos satélites de órbita baixa da Terra.

O mistério da origem da anomalia do Atlântico Sul ainda não foi resolvido. O que se espera é que as observações da constelação Swarm deem aos geofísicos novas ideias sobre como ocorrem os processos pouco compreendidos do interior da Terra.

https://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=campo-magnetico-terra-esta-enfraquecendo&id=010125200527#.X0Wl7chKguW


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Queremos criar um centro altamente especializado na área dos drones em Oeiras

Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab. Foto: Hugo Amaral/ECO  O Oeiras Valley Innovation Lab quer ser um cluster de defesa na área de drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. O coordenador Tiagos Bastos fala do projeto ao ECO/eRadar. Criar o primeiro laboratório de defence tech do país é um dos objetivos do Oeiras Valley Innovation Lab. O espaço está a posicionar-se como um cluster de indústria de defesa, com foco nos drones, acolhendo empresas como a Beyond Vision ou a UAVision. Tiago Bastos, coordenador do Oeiras Valley Innovation Lab, explica a ambição do projeto que está a ganhar asas em Oeiras: “Fazer um centro, um projeto de âmbito nacional, estratégico para Portugal, mas com impacto a nível internacional, especializado nos drones. Mas, sobretudo, especializado no desenvolvimento de prototipagem em tempo real.” Ligando academia, empresas e end users, ou seja, as Forças Armadas, explica. Alguma relação com o cluster de drones que Henri...

Portugal perto de amarrar 20 cabos submarinos e tornar-se ‘hub’ digital

 Mais do que ligar continentes, os cabos submarinos tornaram-se uma infraestrutura crítica para atrair centros de dados, cloud e inteligência artificial, reforçando a competitividade do país. A 8 de junho de 1870, Portugal entrou na era das telecomunicações globais com a entrada em funcionamento do primeiro cabo telegráfico submarino, que ligava Carcavelos a Porthcurno, na costa sul do Reino Unido. Mais de século e meio depois, o país continua a desempenhar um papel estratégico nas comunicações internacionais, beneficiando sobretudo da sua posição geográfica privilegiada no Atlântico. Localizado na interceção das ligações entre a Europa, as Américas e África, Portugal afirma-se como uma plataforma de ligação entre continentes. Segundo um estudo deste ano da Câmara de Comércio Americana em Portugal (AmCham Portugal), até ao final deste ano, o país deverá contar com 20 cabos submarinos amarrados à costa. Em 2027, está ainda prevista a entrada em operação de mais um sistema, reforçand...