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Mário Ferreira comprou um gigante dos mares por 8,5 milhões. Custou 154 milhões em 1992


 Eis o valor do “negócio muito bom” realizado pelo empresário num leilão no Reino Unido, com a aquisição do Vasco da Gama, de 14 pisos, com capacidade para cerca de 1.200 passageiros e 550 tripulantes. É o maior da frota de mais de 50 navios-hotel do “tubarão” português.


"Holding" de Mário Ferreira comprou o navio Vasco da Gama, que pertencia à falida Cruise & Maritime Voyages, num leilão no Reino Unido.


Construído no início dos anos 90, nos estaleiros Fincantieri, em Trieste, Itália, por cerca de 180 milhões de dólares (153,6 milhões de euros ao câmbio atual), foi batizado com o nome de MS Statendam, tendo sido renomeado como Pacific Eden em 2015.


Em 2018, foi adquirido pela empresa Cruise & Maritime Voyages (CMV), que o rebatizou como Vasco da Gama, em homenagem ao famoso explorador português do século XV, que completou a primeira viagem marítima até à Índia.


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Com uma tonelagem bruta de 55.451 toneladas, 219 metros de comprimento, 30,8 metros de boca e 40 metros de altura, o Vasco da Gama tem 14 pisos e capacidade para cerca de 1.200 passageiros e 550 tripulantes, estando equipado com seis restaurantes, uma sala para espetáculos em dois níveis, quatro locais de entretenimento diferentes, um casino, cinema e vários outros salões, cafés e bares.


O navio oferece, ainda, duas piscinas, courts de ténis, voleibol e basquetebol, além de oferecer um ginásio de grandes dimensões e um SPA.


Em março passado, com a pandemia a paralisar a indústria dos cruzeiros, a CMV entrou em colapso, tendo sido declarada insolvente em julho, depois de ver os seus cinco navios arrestados pelas autoridades no Reino Unido, entre os quais o Vasco da Gama.


Um sexto navio que era operado pelo falido grupo britânico, o Astoria, ficou de fora do processo porque pertence à massa falida do ruinoso negócio do empresário Rui Alegre, cuja empresa de cruzeiros faliu com uma dívida de 150 milhões de euros ao Montepio.   


Para pagar as dívidas deixadas pela CMV aos credores, os cinco navios foram colocados em leilão. O primeiro a ir à praça foi o Vasco da Gama, que chegou a estar à venda, antes de ser arrestado, por 16,8 milhões de euros.


Abertas as propostas, a Mystic Cruises, da "holding" MysticInvest de Mário Ferreira, foi declarado vencedor, tendo a operação de aquisição do Vasco da Gama sido divulgada pelo grupo português esta quarta-feira, 14 de outubro.


"Foi um negócio muito bom", reagiu Mário Ferreira ao Negócios, sem revelar o valor da aquisição.


Já esta sexta-feira, quando confrontado pelo Negócios com o preço da compra do Vasco da Gama, o empresário confirmou que ganhou o leilão por um valor de "pouco mais de 10 milhões de dólares" (8,5 milhões de euros).


"A compra do Vasco da Gama foi uma boa oportunidade porque o nosso foco são os navios de cruzeiro de menor dimensão, com menos de mil passageiros e que nos permitem criar experiências mais personalizadas, seguras e intimistas para os nossos hóspedes", sublinhou o presidente da MysticInvest Holding, em comunicado enviado anteontem ao Negócios.


"O nosso posicionamento passa por oferecer uma experiência íntima, segura e de grande valor para os nossos hóspedes e acreditamos que o Vasco da Gama será uma excelente adição à nossa frota de cruzeiros oceânicos", garantiu Mário Ferreira.


Atualmente ancorado em Tilbury, no Reino Unido, o Vasco da Gama irá operar para os mercados britânico, alemão e português soba a alçada a Mystic Cruises.


Mais de 50 navios em operação e um investimento de 100 milhões em curso


Com a compra do Vasco da Gama, a Mystic Cruises soma mais um navio à sua frota, que é atualmente composta pelos navios MS World Explorer, lançado no ano passado, e pelo MS World Voyager, que foi entregue em agosto, mas que devido à pandemia ainda não navegou com passageiros.


"Apesar do momento atual de retração do mercado devido à covid-19", a Mystic Cruises "manteve os níveis de investimento na construção de navios novos em Viana do Castelo, que rondam os 100 milhões de euros, tendo já mais dois novos navios da classe Explorer em fase adiantada de construção"


Em causa estão o MS World Navigator, que se encontra já "na fase final de acabamentos e testes" e que "será entregue em abril de 2021, indo operar exclusivamente para o mercado americano, sob a marca Atlas Ocean Voyages.


Em junho de 2022, também para operar sob a marca da Atlas, a Mystic Cruises deverá receber o MS World Traveller por parte da West Sea, empresa do grupo Martifer que tem a subconcessão dos estaleiros navais de Viana do Castelo.


Além destes navios oceânicos, a "holding" de Mário Ferreira detém, entre outros negócios, 23 embarcações no rio Douro, entre os quais 18 navios-hotel, e a alemã Nicko, adquirida em sede de insolvência da empresa, em 2015, que opera cerca de três dezenas de navios-hotel em rios pelo mundo fora, desde o Danúbio, o Reno e o Elba, passando pelo Nilo, Yangtzé e Mekong, na China. 


https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/turismo---lazer/detalhe/mario-ferreira-comprou-um-gigante-dos-mares-por-85-milhoes-custou-154-milhoes-em-1992

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