Avançar para o conteúdo principal

O que custa mais aos contribuintes: IUC ou Efacec?




 O negócio de venda da Efacec ainda não está fechado, convinha que alguém pedisse explicações sérias sobre a operação de reprivatização e o que custará aos contribuintes.


Apesar do IRS, o Orçamento do Estado para 2024 corre o sério risco de ficar cunhado como o ‘orçamento iuc’, pela forma como o Governo desvalorizou o risco político associado a um aumento de impostos sobre contribuintes que estarão, genericamente, entre os mais ricos dos mais pobres, aqueles que têm condições para ter um carro, mas não as necessárias para um veículo posterior a 2007. O aumento do IUC merece discussão, e provavelmente mudanças, mas se uma receita fiscal de 112 milhões de euros merece tanta discussão, não se justificaria pôr a venda da Efacec no centro do debate político?


O agravamento do Imposto Único Automóvel (IUC) serve para compensar o que custa a redução das portagens em várias autoestradas do interior. Isto foi dito de forma envergonhada, e do que se sabe a ideia terá partido até dos ministérios de Duarte Cordeiro e de João Galamba, para compensarem a perda de receita da Infraestruturas de Portugal, a empresa pública que tem as receitas das autoestradas. Houve uma avaliação política errada de uma medida que, como dizia Fernando Medina há dias, custa dois euros por mês. Mas são ‘apenas’ mais dois euros em cima de muitos outros. E o IUC prolonga-se no tempo. Mesmo assim…


Medina sentir-se-á até injustiçado, e eventualmente com alguma razão. Este Governo, e este orçamento, volta a redistribuir pelos mais vulneráveis, uma marca da política assistencialista. Houve um ‘clique’, e o IUC foi uma espécie de gota de água de uma fadiga financeira das famílias. Noutra coisa terá razão: Muitos a discutir o IUC, nenhuns a discutir a Efacec, que está em vias de ser vendida ao fundo alemão Mutares e que vai custar muitos mais aos contribuintes. Leu aqui primeiro: 300 milhões de euros, três vezes o que custa o IUC. Mas é um custo disfarçado, não vem numa qualquer fatura de eletricidade ou automóvel. É invisível, mas é um escândalo financeiro que está a passar sem escrutínio. Daquele a sério, com exceção do deputado Carlos Guimarães Pinto, da Iniciativa Liberal.


A Efacec foi nacionalizada sem uma justificação que se perceba — além do estafado argumento da empresa estratégico –, houve pelo menos duas tentativas de reprivatização que falharam e, pelos vistos, à terceira é de vez. O ministro da Economia já admite, envergonhado, que o Estado vai perder dinheiro, mas não está a dizer toda a verdade, nem lá perto anda. A Efacec perde cerca de 15 milhões de euros por mês, e foi salva por razões apenas políticas. Medina é o ministro que está a fechar a porta, apenas isso, de decisões que o precederam.


Isto, sim, deveria dar discussão, muito mais do que o IUC, até uma comissão de inquérito, porque é preciso conhecer em detalhe tudo o que levou à intervenção e o que justificará mais injeções de capital do Banco de Fomento e da Parpública.


O negócio de venda da Efacec ainda não está fechado, convinha que alguém pedisse explicações sérias sobre a operação de reprivatização e nos explicasse, como se tivéssemos quatro anos, euro por euro, o que foram e vão ser as responsabilidades dos contribuintes.


O que custa mais aos contribuintes: IUC ou Efacec? – ECO (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Ministro das Finanças celebra subida de rating como “mais uma grande vitória de Portugal”

 Decisão “demonstra a confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa”, assinala o Ministério, frisando que “apenas seis países da Zona Euro têm neste momento classificação superior". O Ministério das Finanças sublinhou esta sexta-feira que a subida do rating de Portugal de A para A+ por parte da Fitch, que é a segunda subida promovida pela agência de notação financeira desde abril de 2024, “demonstra a confiança dos investidores internacionais na economia portuguesa”. “Se considerarmos as subidas promovidas pela S&P (uma em fevereiro de 2025 de A- para A e outra em agosto de 2025 de A para A+) esta é já a quarta revisão de rating que o país regista nos últimos dois anos”, destaca a tutela. Sublinhando ainda que Portugal passa a ter um rating igual ao de França, Bélgica, Estónia, Lituânia, Eslovénia e Malta – e que “apenas seis países da Zona Euro têm neste momento uma classificação superior”. Para o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento,...

Em plena crise de Ceuta, Marrocos procura alternativa a Espanha para chegar à Europa: Portugal pode abrir nova porta elétrica

 Governo português esclareceu em agosto que a interligação se encontra numa “fase de avaliação e não de decisão de investimento” e que só avançará caso seja possível obter financiamento europeu ou privado Em plena crise de Ceuta, Marrocos procura alternativa a Espanha para chegar à Europa: Portugal pode abrir nova porta elétrica Portugal e Marrocos recuperaram um projeto que pode alterar o mapa das ligações elétricas entre a Europa e o Norte de África. Os dois países querem estudar uma interligação direta através de um cabo submarino, estimado em 800 milhões de euros em 2018, e pretendem pedir financiamento a Bruxelas e atrair investidores privados para tornar a infraestrutura possível. A concretizar-se, Marrocos passaria a dispor de uma segunda ligação direta ao mercado elétrico europeu, deixando de depender exclusivamente de Espanha. Mas o projeto poderá ter também consequências deste lado da fronteira: uma maior capacidade para exportar eletricidade para Marrocos pode, em determ...