Avançar para o conteúdo principal

“A Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”: planeta ultrapassou seis dos nove limites de estabilidade


Kevin Frayer/Getty Images


 Um novo estudo publicado na revista “Science” esta quarta-feira alerta que o planeta ultrapassou seis dos nove limites de estabilidade e resiliência, podendo colocar a Terra num novo período geológico. “A Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”, alerta a investigação.


Em causa estão os limites para além dos quais os principais sistemas do planeta Terra (como o clima, água, biodiversidade) deixam de ter capacidade para se manterem nas condições seguras e estáveis que se têm observado nos últimos 10 mil anos.


"Este período do Holoceno, que começou com o fim da última era do gelo e durante o qual evoluíram a agricultura e as civilizações modernas, foi caracterizado por condições planetárias relativamente estáveis e quentes. As atividades humanas trouxeram agora a Terra para fora da janela de variabilidade ambiental do Holoceno, dando origem à proposta da época do Antropoceno”, concluem os investigadores da Universidade de Estocolmo.


A primeira avaliação deste género foi realizada em 2009, tendo já na altura concluído que três dos limites tinham sido superados. Posteriormente, 2015, este número tinha subido para quatro. Agora, os cientistas concluíram que foram superados seis dos nove limites dos processos que regulam a estabilidade e resiliência do sistema da Terra. Esta foi a primeira avaliação que contemplou todos os nove processos, sendo assim “primeiro exame científico de saúde para todo o planeta”.


Mais especificamente, identificam os investigadores, foram ultrapassadas as fronteiras quanto às alterações climáticas, integridade da biosfera, sistema terrestre, novas entidades, alterações na água doce e fluxos biogeoquímicos.


Embora o romper destes limites não seja considerado irreversível, estes são pontos a partir dos quais o planeta incorre no risco de sofrer mudanças profundas nos sistemas físicos, biológicos e químicos que asseguram a viabilidade da vida (nos suportes que conhecemos) na Terra.


“Esta atualização do quadro das fronteiras planetárias pode servir como um renovado alerta para a humanidade de que a Terra corre o risco de deixar o seu estado semelhante ao do Holoceno”, afirmam os cientistas. "Os resultados do nosso modelo demonstram que um dos meios mais poderosos que a humanidade tem à sua disposição para combater as alterações climáticas é respeitar os limites da mudança do sistema terrestre."


“A Terra está agora bem fora do espaço operacional seguro para a humanidade”: planeta ultrapassou seis dos nove limites de estabilidade - Expresso


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Hidrogénio verde deve começar a ser produzido em Sines em 2025

 © Paulo Spranger/Global Imagens  GreenH2Atlantic é o projeto que integra empresas como a EDP, Galp, Martifer, Efacec e Bondalti, e que acaba de receber luz verde de Bruxelas. Construção da unidade industrial apontada para 2023. Início da produção em 2025. A partir da central termoelétrica de Sines vai começar-se a produzir hidrogénio renovável (leia-se verde) dentro de quatro anos, graças ao projeto GreenH2Atlantic. Este projeto é responsabilidade de um consórcio de 13 entidades e acaba de ser selecionado por Bruxelas para ser apoiado por um fundo de 30 milhões de euros, no âmbito do programa Horizon 2020 - Green Deal, foi esta terça-feira anunciado. "Um consórcio de 13 empresas e parceiros de investigação foi selecionado pela Comissão Europeia no âmbito do Green Deal para desenvolver um projeto de produção de hidrogénio verde de 100 MW [megawatts] em Sines", lê-se num comunicado da EDP, que integra o projeto. O consórcio integra também a Galp, a Martifer, a Efacec, a Engie,...

Novo aeroporto de Lisboa. Governo exige à ANA duas pistas para grandes aviões e questiona falta de segundo terminal

Foto: ANDRÉ KOSTERS / LUSA  Resposta a relatório da ANA sobre novo aeroporto questiona eliminação de segundo terminal de passageiros para acolher expansão e existência de uma única pista preparada para aviões de maior dimensão. Plano do novo Aeroporto Luis de Camões durante a entrega do Relatório Inicial (High Level Assumption Report) da concessionária ANA sobre o desenvolvimento da capacidade aeroportuária de Lisboa,  para iniciar formalmente negociações sobre a extensão do contrato de concessão e viabilizar a construção do novo Aeroporto Luís de Camões, em Alcochete, 17 de dezembro de 2024.  ANDRÉ KOSTERS/LUSA O Governo questionou a ANA sobre o que qualifica de “alteração relevante da estratégia de expansão e faseamento do NAL (Novo Aeroporto de Lisboa)”. No comentário de resposta ao mais recente relatório técnico entregue em julho pela ANA sobre o desenvolvimento do aeroporto Luís de Camões, o Estado pede à concessionária que esclareça vários temas relacionados co...