Avançar para o conteúdo principal

Voyager 1 deteta um ‘murmúrio’ interestelar


 Sonda que está há 40 anos no espaço continua a fazer descobertas promissoras. Agora, a equipa anunciou que um dos instrumentos a bordo conseguiu detetar um vago murmúrio a acontecer persistentemente no espaço interestelar


A Voyager 1 está no espaço já desde 1977, mas continua a fornecer importantes pistas que alimentam a comunidade científica. Agora, a equipa anuncia que o Plasma Wave System (PWS) a bordo e que deteta a densidade dos eletrões conseguiu apanhar vestígios persistentes de um ‘murmúrio’.


Stella Ocker, uma das autoras do estudo publicado na Nature Astronomy, explica que “é muito leve e monótono, porque está numa largura de banda de frequência muito reduzida. Estamos a detetar o leve e persistente murmurar de gás interstelar”. A descoberta sugere que existe um nível de atividade basal mais frequente do que se sabia até agora.


O instrumento foi usado para gravar as ondas de rádio provenientes dos gases no espaço e nas magnetosferas de Júpiter e Saturno. No entanto, só depois de a Voyager 1 ter saído do Sistema Solar é que o PWS começou a ser verdadeiramente útil. O PWS é um dos poucos aparelhos que ainda está operacional e foram as suas medições que permitiram inferir que, em 2012, a sonda chegou efetivamente ao espaço interestelar, tornando-se o primeiro objeto feito por humanos a conseguir a proeza.


A sonda está para lá da heliosfera, ou seja, para lá da influência direta do Sol, mas ainda assim viu o seu trabalho afetado por ‘explosões’ de energia que provêm do astro ‘rei’. O PWS detetou sinais destes fenómenos pela primeira vez em 2014 e estes foram descritos como verdadeiros tsunamis que dificultavam a perceção de outros sinais. James Corden, o autor principal do estudo, descreve o espaço interstelar como tendo uma “chuva suave contínua. No caso destas explosões solares, é como detetar um trovão no meio de uma tempestade, mas depois volta tudo a uma chuva miudinha contínua”.


A descoberta deste ‘murmúrio’ gasoso pode ajudar os cientistas a preparar as próximas missões direcionadas para o espaço interstelar.


https://visao.sapo.pt/exameinformatica/noticias-ei/ciencia-ei/2021-05-11-voyager-1-deteta-um-murmurio-interestelar/

Comentários

Notícias mais vistas:

Bruxelas considera que é possível acabar com mudança da hora e vai apresentar estudo

 A Comissão Europeia considera que alcançar um consenso para acabar com a mudança da hora "ainda é possível" e vai apresentar um estudo nesse sentido este ano, com os Estados-membros a manifestarem-se disponíveis para analisá-lo assim que for entregue. Na madrugada do dia 29 deste mês, a hora volta a mudar em toda a União Europeia (UE), para dar início ao horário de verão, o que acontece atualmente devido a uma diretiva europeia que prevê que, todos os anos, os relógios sejam, respetivamente, adiantados e atrasados uma hora no último domingo de março e no último domingo de outubro. Em setembro de 2018, a Comissão Europeia propôs o fim do acerto sazonal, mas o processo tem estado bloqueado desde então, por falta de acordo entre os Estados-membros sobre a matéria. Numa resposta por escrito à agência Lusa, a porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonnen referiu que o executivo decidiu propor o fim da mudança horária em 2018 após ter recebido "pedidos de cidadãos e dos ...

Armazenamento holográfico

 Esta técnica de armazenamento de alta capacidade pode ser uma das respostas para a crescente produção de dados a nível mundial Quando pensa em hologramas provavelmente associa o conceito a uma forma futurista de comunicação e que irá permitir uma maior proximidade entre pessoas através da internet. Mas o conceito de holograma (que na prática é uma técnica de registo de padrões de interferência de luz) permite que seja explorado noutros segmentos, como o do armazenamento de dados de alta capacidade. A ideia de criar unidades de armazenamento holográficas não é nova – o conceito surgiu na década de 1960 –, mas está a ganhar nova vida graças aos avanços tecnológicos feitos em áreas como os sensores de imagem, lasers e algoritmos de Inteligência Artificial. Como se guardam dados num holograma? Primeiro, a informação que queremos preservar é codificada numa imagem 2D. Depois, é emitido um raio laser que é passado por um divisor, que cria um feixe de referência (no seu estado original) ...

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...