Avançar para o conteúdo principal

Tribunais portugueses têm juízes que nunca frequentaram curso de Direito

O Supremo Tribunal de Justiça é um deles e integra três juízes militares que não têm formação jurídica, nunca tendo frequentado qualquer curso de direito.

O caso é reportado pelo jornal Público que salienta que estes juízes militares “fazem julgamentos e ganham tanto como os seus pares civis”, apesar de não possuírem um curso de Direito ou qualquer formação jurídica.

De acordo com o diário, dos 17 militares que exercem funções como juízes, somente três têm uma Licenciatura em Direito, dois na GNR e um no Exército, mantendo salário idêntico ao dos juízes com formação e as mesmas regalias.

Um jurista encara a situação como uma espécie de “prémio de carreira, um reconhecimento” para estes militares. Sem se identificar, esta fonte lembra que “o estatuto remuneratório dos juízes é mais simpático que o dos militares”.

A formação jurídica não é considerada um “requisito essencial”, quer estes juízes “exerçam funções nos tribunais de primeira instância, nos de segunda ou no Supremo”, atesta o jornal.

A presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses, Manuela Paupério, sublinha essa ideia, considerando no Público que os juízes militares não podem redigir sentenças e que “são como os juízes sociais”, nomeadamente os professores, psicólogos e outros que colaboram no âmbito de conflitos de família e menores.

Estes juízes militares têm um papel considerado relevante no julgamento de elementos das forças de defesa nacional, mas também podem julgar civis. “Quem atentar contra os interesses militares comete um crime militar”, explica Manuela Paupério.

A inclusão destes militares sem formação na magistratura é polémica e tem despoletado vários processos judiciais, cujas decisões não são exatamente óbvias, uma vez que a “lei é dúbia”, refere o Público.

O diário cita, nomeadamente, o caso de um coronel da GNR que, em 2014, foi preterido em prol de dois coronéis sem curso de Direito e que espera receber uma indemnização do Ministério da Administração Interna; e a situação de dois oficiais do Exército e da Marinha licenciados, um deles possuindo mesmo experiência jurídica, que não conseguiram entrar no Supremo Tribunal de Justiça e esperam levar o caso ao Tribunal Constitucional.

Os pretendentes a juízes são indicados pela hierarquia militar e depois, é o Conselho Superior da Magistratura (CSM) que faz a seleção final e que pode “preterir candidatos licenciados em Direito em benefício de outros candidatos que não tenham tal grau académico, sempre que considere que estes últimos apresentam qualidades que melhor asseguram o desempenho do cargo”, cita o Público.

http://zap.aeiou.pt/tribunais-juizes-nunca-frequentaram-curso-direito-145813

Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...