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"Ataque sem precedentes": Israel começa a demolir sede da UNRWA em Jerusalém Oriental



Israel tem acusado repetidamente a UNRWA de dar cobertura aos militantes do Hamas, alegando que alguns dos funcionários desta agência da ONU participaram no ataque do grupo islamista a Israel em 7 de outubro de 2023.

Os bulldozers israelitas iniciaram esta terça-feira as demolições na sede da agência da ONU para os refugiados palestinianos, a UNRWA, em Jerusalém Oriental, naquilo a que a organização chamou um "ataque sem precedentes".

O porta-voz da UNRWA, Jonathan Fowler, disse, em declarações à agência noticiosa AFP, que as forças israelitas "invadiram" o complexo pouco depois das 7 da manhã e expulsaram os seguranças que vigiavam o local, antes de os bulldozers entrarem e começarem a demolir os edifícios.

"Este é um ataque sem precedentes contra a UNRWA e as suas instalações. E constitui também uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas", afirmou Fowler.

"Isto deveria ser um sinal de alerta", acrescentou.

"O que acontece hoje à UNRWA pode acontecer amanhã a qualquer outra organização internacional ou missão diplomática em todo o mundo."

Fotos do local mostram maquinaria pesada a demolir estruturas no complexo, onde uma bandeira israelita tremulava no topo.

Estudantes no pátio da escola para rapazes da UNRWA em Jerusalém Oriental, 29 de abril de 2025
Estudantes no pátio da escola para rapazes da UNRWA em Jerusalém Oriental, 29 de abril de 2025 AP Photo

Um fotógrafo da AFP informou que o ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, tinha feito uma breve visita ao local.

"Este é um dia histórico, um dia de celebração e um dia muito importante para a governação em Jerusalém", afirmou Ben Gvir num comunicado.

"Durante anos, estes apoiantes do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão a ser removidos daqui juntamente com tudo o que construíram neste local. É isto que vai acontecer a todos os apoiantes do terrorismo", acrescentou.

Israel tem acusado repetidamente a UNRWA de dar cobertura aos militantes do Hamas, alegando que alguns dos funcionários desta agência da ONU participaram no ataque do grupo islamista a Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

Uma série de investigações, incluindo uma liderada pela antiga ministra dos Negócios Estrangeiros de França, Catherine Colonna, encontrou algumas "questões relacionadas com a neutralidade" na UNRWA, mas sublinhou que Israel não apresentou provas conclusivas da sua principal alegação.

"Não há imunidade"

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita defendeu as demolições e afirmou que "o Estado de Israel é proprietário do complexo de Jerusalém".

"A ação de hoje não constitui uma nova política, mas sim a aplicação da legislação israelita existente relativa à UNRWA-Hamas".

O complexo em Jerusalém Oriental, anexado por Israel, já não acolhe pessoal da UNRWA desde janeiro de 2025, quando uma lei que proíbe as suas operações entrou em vigor após uma batalha de meses sobre o seu trabalho na Faixa de Gaza.

Palestinianos deslocados aquecem-se à volta de uma fogueira num campo de tendas na Cidade de Gaza, 18 de janeiro de 2026
Palestinianos deslocados aquecem-se à volta de uma fogueira num campo de tendas na Cidade de Gaza, 18 de janeiro de 2026 AP Photo

"A UNRWA-Hamas já tinha cessado as suas operações neste local e já não tinha qualquer pessoal ou atividade da ONU no local", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"O complexo não goza de qualquer imunidade e a apreensão deste complexo pelas autoridades israelitas foi efectuada em conformidade com o direito israelita e internacional", acrescentou.

Embora a proibição da UNRWA se aplique em Jerusalém Oriental devido à sua anexação por Israel, a agência continua a operar na Cisjordânia ocupada e em Gaza.

No início de dezembro, o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens do complexo pelas autoridades israelitas. Essa intervenção, segundo disse a polícia à AFP, fazia parte de uma operação de cobrança de dívidas.

Numa publicação no X, Lazzarini afirmou que as autoridades levaram "mobiliário, equipamento informático e outros bens", enquanto a bandeira da ONU do complexo foi substituída por uma bandeira israelita.

Na altura, o secretário-geral da ONU, António Guterres, emitiu uma declaração condenando veementemente a "entrada não autorizada", afirmando que o complexo continuava a acolher "instalações das Nações Unidas e é inviolável e imune a qualquer outra forma de interferência".

Meses após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, as autoridades israelitas declararam Guterres e Lazzarini como persona non grata em Israel.


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