Avançar para o conteúdo principal

China declara guerra aos ecrãs nos carros com novas regras



 Ao contrário do que seria expectável, não foi a Europa nem os Estados Unidos da América que decidiram tomar medidas para combater a dependência dos ecrãs a bordo nos carros modernos. China adianta-se.


Parece cada vez mais próximo o inevitável regresso aos comandos físicos tradicionais nos automóveis. Os ecrãs (quase de perder de vista) invadiram os cockpits dos automóveis mais recentes, começando por ser percepcionados como um sinónimo de vanguarda tecnológica e um factor de diferenciação, em grande parte impulsionado pelos construtores de automóveis chineses (mas não só). Pois bem, isso estará em vias de mudar por iniciativa da própria China.


Ao contrário do que seria de esperar, não foi a Europa nem os Estados Unidos da América que tomaram a dianteira nesta matéria. À semelhança das novas regras que serão implementadas para reduzir o risco associado às portas de abertura electrónica (com puxadores embutidos sem accionamento mecânico ou “tipo Tesla”), o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês pretende obrigar os fabricantes de automóveis a garantir que diversas funções essenciais do veículo dispõem de comandos físicos dedicados, ao invés de serem operadas com recurso a ecrãs, diminuindo assim o tempo e a atenção despendidos pelo condutor para executar tarefas consideradas básicas, como por exemplo accionar os indicadores de mudança de direcção ou engrenar “drive”. É de esperar, por isso, um paulatino regresso dos manípulos tradicionais, atendendo a que, apesar de a nova regulamentação visar exclusivamente o mercado chinês, a realidade é que aí são produzidos muitos modelos com destino à exportação, não sendo crível ou expectável a introdução de alterações significativas.


Conforme relata o Car News China, o documento preliminar vem a ser preparado desde 2023, contando com o contributo de diversos players da indústria, desde gigantes locais como a BYD e a Great Wall Motor, passando pela Geely e pela joint venture FAW‑Volkswagen, sem esquecer entidades (mais) independentes como o Centro de Tecnologia e Pesquisa Automóvel da China.


Tal como referido, a revisão da regulamentação visa, sobretudo, reduzir a dependência em relação aos ecrãs tácteis, o que terá um impacto directo no design dos futuros modelos – ou não fosse a China o maior mercado automóvel do mundo. Os estilistas deixam, por isso, de ter rédea solta na concepção dos interiores, esperando-se que o conceito de habitáculo clean e minimalista à conta de displays venha a evoluir em sentido contrário à extrema digitalização. Até porque, ao que se sabe – o rascunho para consulta pública já estará concluído, mas não foi ainda divulgado –, há orientações muito específicas no que toca aos comandos físicos, para que a mudança realmente produza efeito a nível do incremento da segurança. Determina-se, por exemplo, que os botões devem ter uma dimensão mínima (10×10 mm) e estar posicionados de forma intuitiva para o condutor, para que este consiga executar operações sem desviar o olhar da estrada, tendo um feedback táctil ou sonoro ao comando que accionou.


China declara guerra aos ecrãs nos carros com novas regras – Observador


Comentários

Notícias mais vistas:

Construção da maior central solar em Portugal encravada há mais de dois anos na justiça, apesar de aprovada

Santa Luzia in northeastern Brazil.  EPA/SEBASTIAO MOREIRA  Desde 2024 que a autorização ambiental dada à central solar Fernando Pessoa foi suspensa por decisão do juiz e após impugnação do Ministério Público. Agência do Ambiente recorreu, mas não há decisão. A maior central solar aprovada para Portugal, com mais de mil megawatts (MW) de potência, está parada há mais de dois anos, na sequência de processos judiciais colocados contra a aprovação emitida pelas autoridades ambientais. A atribulada história do projeto, que foi batizado com o nome do poeta Fernando Pessoa, mostra que o licenciamento ambiental — por intervenção da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza de Florestas) — nem sempre é o maior obstáculo à execução dos projetos de energias renováveis. A central solar fotovoltaica Fernando Pessoa está prevista para o concelho de Santiago do Cacém e obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em jane...

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Governo assina contrato para DSTelecom levar fibra ótica a todo o país

Miguel Pinto Luz evidenciou que este projeto vai 'tornar viável viver e trabalhar fora das áreas metropolitanas'. - Luís Manuel Neves / Medialivre O Governo já assinou o contrato que vai permitir que a DSTelecom equipe Portugal com rede de fibra ótica, eliminando a atual fragmentação - as chamadas áreas brancas - que se tem sentido no acesso a internet, especialmente àquela de alta velocidade. O contrato foi assinado com as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a operadora que ganhou o concurso internacional em 2025. A DSTelecom vai ficar responsável pela instalação, gestão, exploração e manutenção das redes de comunicações eletrónicas de capacidade muito elevada, tendo o objetivo de dar cobertura a todo o território nacional. De acordo com o Executivo, esta instalação e consequente implementação visar levar internet mais rápida a edifícios residenciais e não residenciais, nomeadamente à indústria, comércio e atividades agrícolas. Em comunicado, o ministro...