Avançar para o conteúdo principal

Isto é o que pode causar o próximo apagão em Portugal



 Tirando os fenómenos meteorológicos extremos, que são de facto a causa número um, o cenário muda para questões mais técnicas, humanas e até geopolíticas. Se olharmos para a realidade das redes elétricas modernas (muito interligadas e digitais), estas são as causas mais prováveis para o próximo grande apagão em Portugal.



Próximo apagão em Portugal: as causas mais prováveis


1. Desequilíbrio entre Oferta e Procura (Instabilidade da Rede)

linhas de alta tensão interferem com o GPS, o que fazem as molas nos cabos de alta-tensão?


Esta é uma causa crescente devido à transição energética. Antigamente, tínhamos grandes centrais (carvão/gás) que davam uma inércia estável à rede. Hoje, com a entrada massiva de energias renováveis (eólica e solar):


Intermitência: O sol não brilha e o vento não sopra sempre quando precisas de energia.


Falta de Sincronização: Se houver uma queda súbita na produção (ex: nuvens ou paragem do vento) e não houver capacidade de resposta imediata (baterias ou centrais de gás de arranque rápido), a frequência da rede baixa e o sistema desliga-se automaticamente para se proteger.



2. Ciberataques e Guerra Híbrida

Esta é entretanto a ameaça que mais tira o sono aos especialistas em segurança. As redes elétricas são geridas por sistemas informáticos (SCADA).


O Risco: Hackers (estatais ou criminosos) podem invadir estes sistemas de controlo e desligar subestações inteiras remotamente, ou impedir que os operadores vejam o que se passa na rede. Já aconteceu na Ucrânia e é um risco real na Europa.



3. Falhas de Equipamento e Envelhecimento

A infraestrutura física não dura para sempre.


Fadiga de Material: Transformadores, cabos de alta tensão e disjuntores têm um tempo de vida útil. Assim quando falham sem aviso (por falta de manutenção ou velhice), podem criar um efeito dominó.


Sobrecarga: Em dias de calor ou frio extremo, o consumo dispara (ar condicionado/aquecimento). Se os cabos e transformadores aquecerem demasiado, podem fundir ou disparar as proteções.



4. Erro Humano e Danos de Terceiros

Pode parecer básico, mas é extremamente comum.


Obras e Escavações: Muitas falhas locais ou regionais acontecem porque uma escavadora atingiu um cabo subterrâneo durante obras na estrada.


Erros de Operação: Um técnico que desliga o disjuntor errado ou configura mal um sistema de proteção pode, inadvertidamente, deixar uma zona inteira às escuras.



5. Tempestades Solares (Clima Espacial)

É um evento de baixa probabilidade, mas altíssimo impacto. Se o Sol emitir uma ejeção de massa coronal (uma explosão magnética) forte na direção da Terra, isso interage com o campo magnético do planeta.


sol a gritar


Assim isto induz correntes elétricas fortíssimas nos cabos longos da rede, queimando transformadores gigantes que demoram meses ou anos a substituir.



Resumo da Probabilidade

Se tivéssemos de apostar no culpado do próximo apagão que não seja causado por uma tempestade:


Mais provável (Curto Prazo): Falha técnica ou erro humano localizado.

Crescente probabilidade: Desequilíbrio da rede (devido à gestão complexa das renováveis).

Maior Risco Estratégico: Ciberataque.


Isto é o que pode causar o próximo apagão em Portugal | Leak


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Técnico (IST) lidera consórcio para o estudo de plasmas contendo antimatéria

O Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa lidera consórcio com financiamento europeu para o estudo de plasmas contendo antimatéria. Ao longo dos próximos quatro anos, projeto PAIR trabalhará para criar, diagnosticar e modelar “plasmas de pares”, um estado único da matéria contendo eletrões e positrões. Ao longo dos próximos quatro anos, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, encabeçará um consórcio dos principais centros mundiais de física e computação na área da física de plasmas com o intuito de estudar ‘plasmas de pares’, um estado único da matéria contendo eletrões e a sua contraparte de antimatéria, os positrões. O projeto, Plasma Antimatter Investigation and Realization (PAIR), recebeu financiamento através do programa Horizonte Europa da União Europeia. Durante décadas, o estudo destes ‘plasmas de pares’ limitou-se maioritariamente a cálculos teóricos e observações telescópicas distantes, dada a natureza exótica deste estado da matéria. Com esta inici...

Técnico acolhe novo data center da ULisboa

Técnico acolhe novo data center da ULisboa integrado numa das “maiores infraestruturas digitais do Ensino Superior português” Campus Oeiras do Técnico será um dos dois polos da nova infraestrutura digital da Universidade de Lisboa, destinada a apoiar investigação, inovação e colaboração com empresas.  O Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, vai acolher um novo data center no Campus Oeiras, integrado num investimento superior a 20 milhões de euros da Universidade de Lisboa (ULisboa) para a criação de uma das “maiores infraestruturas digitais do Ensino Superior português”. Financiado pelo Programa Regional Lisboa 2030, o projeto visa dotar a Universidade de recursos avançados de computação e Inteligência Artificial, reforçando a capacidade de resposta às “crescentes exigências da investigação, da inovação e da colaboração com empresas”. A nova infraestrutura permitirá aumentar os recursos de processamento e armazenamento de dados científicos, criando melhores condições ...