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Passos diz que Estado tem sido "óbice ao crescimento" e alerta para "previsão miserável" a partir de 2027




 O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou hoje que o Estado tem sido "um óbice muito grande ao crescimento da economia", apontou uma "previsão miserável" a partir de 2027 e considerou que "faz-se pouco" na reforma do Estado.


"O Estado hoje ainda é um óbice muito grande ao crescimento da economia. E cada vez, me parece, a sua qualidade tem vindo a cair de forma mais gravosa", afirmou, no lançamento do ensaio "Economia, Inovação e Inteligência Artificial", editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em Lisboa.


Passos Coelho sublinhou que não se trata de uma "questão partidária", porque já houve vários partidos no Governo, mas deixou mais um alerta: "Fala-se muito da reforma do Estado, mas faz-se pouco por isso", considerou.


O atual professor universitário defendeu que, com a generalização da inteligência artificial, Portugal tem de se distinguir pela "qualidade das instituições e a capacidade de investir adequadamente no capital humano".


"E aí nós temos um atraso grande em relação aos nossos parceiros. Quando olhamos para as previsões da maior parte das instituições internacionais, veja qual é a previsão que há para crescimento `per capita` a partir de 2027: é miserável, e mesmo sem ser `per capita`, é miserável. Regressaremos à nossa tendência de longo prazo, que é na casa de 1%, 1,1%", previu.


"Se continuarmos assim, não é a inteligência artificial que nos vai salvar", avisou.


Questionado, em concreto, como é que o Estado pode apoiar as empresas e a economia de forma a aproveitar ao máximo as potencialidades da inteligência artificial, Passos Coelho criticou, por exemplo, a forma como Portugal tem acedido ao financiamento europeu.


"Usamos mal o financiamento europeu destinado à investigação e ao desenvolvimento. Aplicamos mal (...) Há uma espécie de empresas que se especializaram na captação desses fundos e que impedem que outras possam aceder a eles", considerou, dizendo que há, nesta área, um ecossistema muito enviesado" em que "são sempre os mesmos que recebem os apoios".


O antigo primeiro-ministro considerou que, se as empresas que aproveitam esse financiamento "nem crescem, nem inovam mais do que as outras que não recebem", há "alguma coisa que não está a funcionar bem".


"Quando nós passamos do Portugal 2020 para o Portugal 2030 e nada mudou na maneira como equacionamos a distribuição de recursos, há aqui qualquer coisa que não está a funcionar bem. O Estado não está a usar a inteligência artificial para tirar conclusões, para mudar os processos, para investir de outra maneira e isso hoje é urgente", defendeu.


Passos - que assegurou não ser "um pessimista" - considerou, ainda assim, que a inteligência artificial tem riscos, como tornar mais facilmente substituível o fator humano.


"Podemos ser altamente produtivos para aqueles que estão a trabalhar, mas cada vez menos as pessoas terão do que viver, porque não serão precisas para produzir nada", alertou, avisando que já são precisos menos juristas ou menos pessoas na área da Medicina.


Por isso, defendeu, as políticas públicas têm de atuar para que cada país aposte no que os pode distinguir dos outros e que já não será a tecnologia, "conhecida por todos e que pode ser apropriada por todos".


"Não podemos ficar de braços cruzados", apelou.


Na conversa com os autores do livro, Óscar Afonso e Nuno Torres, participou também a cientista e antiga ministra Elvira Fortunato, a um debate a que assistiram os antigos governantes do PS António Costa Silva e António Mendonça e o antigo governador do Banco de Portugal Carlos Costa.


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