Avançar para o conteúdo principal

Mais de 21 mil `fake news` russas nos dias antes das negociações em Genebra



 Entre 13 e 15 de fevereiro, cerca de 130 fontes envolvidas em ações russas de Manipulação e Interferência de Informações Estrangeiras (FIMI) publicaram aproximadamente 21,4 mil peças que mencionavam a Ucrânia, segundo uma organização ucraniana que combate a desinformação.


A estratégia da Rússia antes da reunião trilateral em Genebra, que envolve também Kiev e Washington, foi de lançar `fake news` sobre a divisão da NATO, retratar a Ucrânia como um Estado falhado ou rotulá-la como terrorista, segundo dados do Spravdi, organização ucraniana que combate a desinformação, citados pelo portal de notícias ucraniano Euromaidan.


O Spravdi apontou que estas são "campanhas sistemáticas de desinformação, propaganda, incitação e operações psicológicas conduzidas pelo Estado agressor contra a Ucrânia e os seus parceiros", noticiou o Euromaidan.


De acordo com os analistas, as fontes russas coordenaram o ambiente informacional antes da reunião de Genebra, esta terça e quarta-feira, procurando desacreditar os esforços diplomáticos da Ucrânia e impor a narrativa da sua alegada "incapacidade de negociar".


Foram também amplamente divulgadas narrativas sobre uma alegada "cisão" no seio da União Europeia (UE) e da NATO, a alegada "ingratidão" da Ucrânia e a erosão da aliança EUA-Europa, segundo o Spravdi.


Para atingir este objetivo, as trocas de mensagens entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foram manipuladas, tal como as declarações da Conferência de Segurança de Munique.


Uma linha de ação separada centrou-se em amplificar as alegações sobre o alegado "cancelamento" de uma reunião entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e os líderes da UE e da Ucrânia em Munique.


Sobre este tema, pelo menos 3.000 publicações ofereceram interpretações manipuladas das declarações dos participantes, criando a impressão de isolamento diplomático de Kiev, destacou o Euromaidan.


O segundo bloco da campanha retratou a Ucrânia como um "Estado falhado" sob "governação externa".


Para isso, foram promovidas alegações de uma possível "administração externa", juntamente com campanhas de informação sobre o ex-ministro da Energia ucraniano, Herman Halushchenko, envolvido em corrupção, enfatizando narrativas de corrupção.


A terceira direção foi a imposição da narrativa da "Ucrânia como um Estado terrorista", incluindo através da manipulação da informação sobre os apagões nas regiões fronteiriças da Rússia (oblasts de Belgorod e Bryansk), com deturpação deliberada das relações de causa e efeito.


Para a amplificação em massa das manipulações foram utilizadas redes da RT, Sputnik, Pravda e outras ações de FIMI.


A ofensiva militar russa no território ucraniano iniciada em fevereiro de 2022 mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


Mais de 21 mil `fake news` russas nos dias antes das negociações em Genebra


Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...