Avançar para o conteúdo principal

Castelo de Leiria parece "um filme de terror"



 A quase totalidade das árvores do Castelo de Leiria foram destruídas pela depressão Kristin, que também fez cair um troço de muralha daquele monumento que, segundo a vice-presidente do município, "parece um filme de terror".


"Perderam-se cerca de 90% das árvores e arbustos. Parece um filme de terror", disse à agência Lusa Anabela Graça, que assume os pelouros dos Equipamentos Culturais, Cultura e Educação.


Monumento Nacional desde 1910, o Castelo de Leiria foi um dos equipamentos do património cultural do concelho mais afetados pela tempestade, tanto no interior como no exterior.


Registam-se "danos consideráveis devido à queda de árvores", mantendo-se "uma preocupação muito grande, porque os solos estão muito desprotegidos com as chuvas".


No edificado, as situações mais sensíveis são a Casa do Guarda, "recentemente reconstruída", atingida por uma árvore de grande porte, e a queda de um troço de muralha.


"De imediato tivemos uma equipa da Direção do Património Cultural (DPC) no local, logo no dia 29 de janeiro, bem como da CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional - Centro], que vieram avaliar o Castelo", salientou.


"Trata-se de um troço da muralha de alambor do último reduto, na vertente poente, cuja época de construção remontará ao segundo ou terceiro quartel do século XX", erigida no âmbito das obras da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.


Segundo Anabela Graça, os técnicos procederam a uma avaliação dos estragos: "Estamos a aguardar orientações, mas foi muito importante a vinda de imediato, porque não podemos interferir num Monumento Nacional".


A limpeza do Castelo de Leiria teve início na terça-feira e "está a andar a um ritmo muito bom", mas não há previsão para reabertura do monumento mais visitado de Leiria. Em 2025, foram registadas 121.371 entradas.


Outra preocupação é o Abrigo do Lagar Velho, no vale do Lapedo, freguesia de Santa Eufémia, a dez quilómetros de Leiria, classificado Monumento Nacional desde 2013.


O sítio arqueológico, onde em 1998 foi descoberta e desenterrada a "Criança do Lapedo", o primeiro esqueleto preservado do Paleolítico Superior em Portugal e, desde 2021, Tesouro Nacional, foi severamente afetado.


"O vale apresenta um elevado grau de devastação, com muitas árvores partidas e caídas, que é preciso limpar. Também é preciso recuperar o telheiro que protege o contexto arqueológico", processo que está a ser acompanhado por técnicos da DPC. 


Em Leiria, quase todos os edifícios municipais de valor patrimonial registaram danos nas coberturas, com telhas partidas, deslocadas ou projetadas.


"O caso mais grave foi no m|i|mo - Museu da Imagem em Movimento, que ficou com a cobertura poente e telhado da sala grande de exposições praticamente destruído", descreveu Anabela Graça.


No museu, que integra a Rede Portuguesa de Museus e que está no interior das muralhas do castelo, foram ainda afetadas as claraboias, sistema de AVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado) e "algumas portas e janelas foram arrancadas pela força do vento".


"Houve um esforço muito grande para haver a intervenção imediata, retirando todos os bens e equipamentos, para evitar mais perdas e avançar com medidas de segurança, salvaguarda e limpeza, com a colocação de lonas", acrescentou a vice-presidente.


Ainda na área cercada do Castelo, a Igreja de São Pedro, igualmente Monumento Nacional, sofreu danos consideráveis, com "perda de quantidade significativa de telhas".


No centro da cidade, o Centro de Artes Villa Portela, inaugurado em setembro de 2025, ficou praticamente sem árvores, quase todas arrasadas. Caíram mais de 80, entre elas algumas centenárias. O edifício principal, dedicado à arte contemporânea, escapou quase ileso à destruição.


No Agromuseu, na freguesia da Ortigosa, lamenta-se a derrocada do palheiro.


Todos os equipamentos culturais de Leiria estão encerrados.


Castelo de Leiria parece "um filme de terror"


Comentários

Notícias mais vistas:

Drones russos atingem dois navios civis no mar Negro

Drones russos atingiram dois navios civis com bandeira estrangeira no mar Negro na noite de quinta-feira, segundo as autoridades ucranianas. De acordo com Oleksii Kuleba, vice-primeiro-ministro ucraniano responsável pela Reconstrução, os drones atingiram um navio com bandeira de São Cristóvão e Neves e outro com bandeira panamiana, causando um morto e cinco feridos. Um dos marinheiros feridos está em estado crítico, adiantou Kuleba. "É mais uma prova de que a Rússia trava uma guerra contra a liberdade de navegação, o comércio internacional e a segurança alimentar global", escreveu. O governador da região ucraniana de Odessa, Oleh Kiper, afirmou que os navios já retomaram a marcha. Os ataques ocorreram numa vaga de ofensivas russas durante a noite em várias zonas da Ucrânia. Kiper acrescentou que ataques no sul da região de Odessa provocaram um incêndio num parque de camiões, que matou uma pessoa e feriu outras quatro. Pelo menos quatro pessoas ficaram ainda feridas noutro ata...

Calçada portuguesa mata mais em Lisboa: Carlos Moedas muda de passeios "progressivamente"

 Tese de doutoramento no ISCTE mostra que quedas no passeio estão na origem de muitas mortes por pneumonia Ricardo Antunes, sociólogo e doutorado em Sociologia, investigou as causas remotas de 1935 óbitos hospitalares: 944 em Lisboa e 991 em Beja. “Surpreendentemente, percebi que na capital há mais mortes por pneumonia”, relata à CNN Portugal. Essa constatação deixou-o surpreendido. “Como é que a região mais rica do país, com os hospitais mais diferenciados, os melhores técnicos e a melhor tecnologia de saúde, ainda tem tantos casos fatais de uma infeção respiratória como a pneumonia?”, questionou-se o sociólogo. Ao reconstruir a história clínica dos falecidos, encontrou um padrão. “As informações nos registos de saúde mostram, claramente, que um número significativo dessas vítimas tinha, na sua história recente, um episódio de queda na via pública”, relata o enfermeiro, que se doutorou em Sociologia no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. Um dos capítulos da sua tese, sobre d...

Sobe para 100 o número de feridos em colisão entre dois comboios em Bedford, Inglaterra. Nove pessoas em estado crítico

Comboios que colidiram ligam a cidade de Bedford ao aeroporto de Luton, em Londres.  Um maquinista morreu.  Subiu para 100 o número de feridos numa colisão entre dois comboios da East Midlands Railways, em Bedford, Inglaterra, esta sexta-feira. Até ao momento, o único morto registado foi o maquinista de um dos comboios. Nove pessoas estão em estado crítico, de acordo com as informações adiantadas pelas autoridades locais.  Recorde-se que o acidente ocorreu pouco depois das 17h00.  Os comboios que colidiram ligam a cidade de Bedford ao aeroporto de Luton, em Londres.  O Departamento de Investigação de Acidentes Ferroviários está em contacto com a Polícia britânica para se apurarem os factos do sucedido.   O rei britânico Carlos III já reagiu e disse estar "profundamente entristecido" com o acidente. "Os seus pensamentos e condolências estão com a família do falecido e com todos os feridos ou afetados por este trágico incidente", acrescentou.  Sobe ...