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Gronelândia: cientistas preveem queda iminente do nível do mar apesar de subida global



Cientistas dizem que a descida do nível do mar na Gronelândia terá efeitos em cadeia sobre comunidades costeiras, rotas marítimas, pesca e infraestruturas.

A subida das temperaturas está a fazer aumentar o nível do mar em todo o mundo, colocando milhões em risco de inundações graves e de erosão costeira. Mas, na Gronelândia, acontece o contrário.

Investigadores do Observatório Terrestre Lamont-Doherty, que integra a Columbia Climate School, alertam que o nível do mar à volta da ilha autónoma deverá, na verdade, descer, apesar de as emissões que aprisionam o calor estarem a provocar derretimento recorde do gelo.

Publicado na Science Communications, o estudo prevê que, num cenário de baixas emissões, a queda do nível do mar deverá rondar 0,9 metros até 2100. Num cenário de elevadas emissões, poderá atingir 2,5 metros.

Por que está o nível do mar na Gronelândia prestes a descer?

Pode parecer paradoxal que um território maioritariamente coberto de gelo enfrente uma descida do nível do mar num mundo em aquecimento, mas é precisamente isso que torna a Gronelândia uma anomalia. À medida que a camada de gelo perde massa, a terra por baixo eleva-se, liberta do seu enorme peso.

A coautora do estudo, Jacqueline Austermann, compara o efeito à descompressão de um colchão de espuma viscoelástica quando quem nele está se levanta.

Os investigadores atribuem a elevação do terreno na Gronelândia tanto à perda recente como histórica de gelo, explicando que, à medida que a camada de gelo perde massa, o nível do mar desce ainda mais devido à gravidade.

"Quando a camada de gelo é muito grande, tem muita massa", diz a autora principal, Lauren Lewright.

"A superfície do mar é atraída para a camada de gelo por essa força gravítica. À medida que a camada perde massa, a sua atração sobre a superfície do mar diminui, o que se traduz numa descida do nível do mar."

Ambos os efeitos poderão representar até 30% da futura queda do nível do mar na Gronelândia e são, tecnicamente, conhecidos como "ajuste isostático glacial".

Comunidades costeiras deixadas em seco

A subida do nível do mar está há muito associada a mais inundações costeiras e à erosão acelerada do litoral. Por cada centímetro de subida do nível do mar, cerca de seis milhões de pessoas no planeta ficam expostas a inundações costeiras.

Quando acontece o contrário, também há consequências. As comunidades costeiras na Gronelândia constroem as suas infraestruturas a pensar no nível do mar atual, o que poderá deixá-las "em seco" caso se registe uma queda assinalável.

"O maior impacto recai sobre as comunidades locais e sobre as rotas marítimas, a pesca e as infraestruturas", afirma Austermann.

Há a possibilidade de que a descida do nível do mar ajude certos glaciares a estabilizar quando entram no oceano, o que poderá abrandar o seu recuo. Porém, os investigadores dizem não saber se a queda prevista do nível do mar é suficiente para que esse efeito de estabilização ocorra.


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