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Linhas brancas que os aviões deixam no céu têm consequências graves. E Portugal pode ter um papel importante


 A aviação precisa de acelerar a descarbonização (foto: Freepik)


Os rastos de condensação dos aviões, as linhas brancas que deixam no céu, provocam o aquecimento do planeta, mas é possível preveni-los e Portugal pode dar um contributo importante, indica um estudo divulgado hoje.


Da responsabilidade da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E), que defende transportes sem emissões e acessíveis, o estudo foi divulgado pela associação portuguesa Zero, que faz parte da T&E.


Alertando que os rastos de condensação também são responsáveis pelo aquecimento global, o estudo indica que eles se podem evitar e que tal é essencial para reduzir o impacto climático da aviação.


Segundo o documento, o aquecimento causado por rastos de condensação na Europa é sazonal e concentrado no tempo.


Em 2019, 75% do aquecimento causado por rastos de condensação ocorreu em voos entre janeiro e março e outubro e dezembro, e 40% em voos ao final da tarde e à noite.


A associação Zero diz em comunicado que os voos noturnos no outono e no inverno foram responsáveis por 25% do aquecimento causado por rastos de condensação.


Mas esses voos correspondem só a 10% do tráfego aéreo, pelo que é possível ajustar as rotas de alguns voos em horários específicos, sendo mínimos os efeitos no tráfego aéreo mas grandes os benefícios climáticos.


Segundo o estudo, o Atlântico Norte tem “um elevado potencial de prevenção de rastos de condensação”, porque os voos são essencialmente de longo curso, mas há baixa densidade de tráfego, e “a prevenção de rastos de condensação deve começar primeiro nas regiões responsáveis por elevado aquecimento, mas com baixo tráfego”.


Essa prevenção poderia ter resolvido cerca de 70% do aquecimento causado por rastos de condensação na Europa em 2019. Os aviões podiam ser redirecionados tendo em conta previsões meteorológicas, exemplifica a Zero.


E acrescenta: as Regiões de Informação de Voo (RIV) do Norte e Leste da Europa, bem como do Atlântico Norte que incluem Shanwick (Reino Unido e Irlanda), Gander (Canadá), Nova Iorque (EUA) e Santa Maria (Portugal) “destacam-se pela elevada formação de rastos de condensação com forte efeito de aquecimento climático”.


Por tal, explica a associação, Portugal pode ter “um papel fundamental” na prevenção de rastos e dos seus efeitos no aquecimento global, pois é responsável pela Região de Informação de Voo de Santa Maria, que integra uma área com elevada formação de rastos de condensação.


A T&E deixa um apelo à União Europeia, ao qual a Zero se associa, para que adote medidas para prevenir os rastos de condensação, desde legislação a incentivos às companhias aéreas e aos centros de controlo de tráfego aéreo.


Os rastos de condensação formam-se quando os aviões voam por regiões de ar muito frio e húmido e na maior parte dos casos dissipam-se em poucos minutos, mas em certas condições podem ficar na atmosfera horas ou dias e podem causar entre 1-2% de todo o aquecimento global.


Dados de 2019 indicam que apenas 3% dos voos globais originaram 80% do aquecimento causado por rastos.


Linhas brancas que os aviões deixam no céu têm consequências graves. E Portugal pode ter um papel importante - AWAY magazine



Comentário do Wilson:


Com a verdade me enganas:


Apesar de não ser falso o que este artigo diz, quem o lê (e que não seja meteorologista ou Físico) fica com a idéia  errada que os rastos de condensação são responsáveis pelo aquecimento global.


A verdade é que se amanhã deixasse de haver aviões nos céus a temperatura do planeta aumentaria no próprio dia.

Isto é uma das coisas que aprendi nas aulas de Física Planetária, do meu curso de Física, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


Não estou a dizer que os aviões não sejam responsáveis pelo aquecimento global mas é o CO2 que eles produzem que são os verdadeiros vilões.


Também não estou a dizer que o artigo é falso, é verdade que os rastos de condensação dos aviões feitos ao final da tarde e noite fazem algum efeito de estufa. Assim o que o artigo recomenda está correcto.


No entanto o artigo não esclarece que os rastos de condensação feitos durante o dia ajudam ao arrefecimento do planeta pois ajudam a reflectir a radiação solar.




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