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Brasileiro ruma a Moscovo para ser motorista... e acaba soldado na guerra


Brasileiro ruma a Moscovo para ser motorista... e acaba soldado na guerra - © Russian Defense Ministry/Anadolu via Getty Images


 Marcelo Pereira, um brasileiro de 29 anos, recebeu uma proposta de trabalho como motorista em Moscovo. No entanto, ao chegar à Rússia, descobriu que, na verdade, ele tinha sido recrutado como atirador na frente da guerra com a Ucrânia.


Foi em novembro que o engodo teve início. Marcelo Pereira, um brasileiro de 29 anos, que morava em Boa Vista, Roraima, no Norte do Brasil recebeu uma proposta de trabalho de um amigo para ser motorista na Rússia.


As condições - e o salário - eram melhores do que as que tinha no seu emprego no Brasil e, por isso, Marcelo depressa tomou a decisão de se despedir e rumar a Moscovo.


"A gente tinha planos de ter nossa casa e nosso carro", contou a parceira de Marcelo, Gisele, ao g1. Em breve, aliás, planeavam também formalizar o seu casamento.


A mãe de Marcelo, Alessandra, revelou que o casal passava por dificuldades financeiras, com o jovem a ter várias dívidas que lhe chegavam a penhorar o salário. "Ele estava muito perturbado aqui", confessou.


Ao aceitar a proposta, Marcelo obteve o apoio de uma empresa, que nas redes sociais se apresenta como assessoria do exército de Moscovo focada, em particular, na entrada de novos recrutas nas forças armadas russas. Com o seu apoio, Marcelo obteve rapidamente o passaporte e foi-lhe comprado o bilhete de avião.


"Foi tudo muito rápido com essa viagem", afirmou Giselle.


A passagem chegou às mãos do jovem no dia 28 de novembro, com data marcada para dois dias depois, no dia 30, mas foi só a 3 de dezembro que Marcelo chegou a Moscovo. Quase uma semana depois, a 9 de dezembro, contou a Giselle que assinou o contrato com o Ministério da Defesa da Rússia - contrato esse que estava em russo.


"Ele não fala outra língua. Só fala português", revelou Giselle.


As letras cirílicas, indecifráveis aos olhos de Marcelo, não estipulavam o início de um contrato com o ministério como motorista, mas sim como atirador na frente da guerra, munido com um fuzil AK-74.


Ao se aperceber do engano, Marcelo dirigiu-se ao consulado do Brasil na Rússia para tentar retificar a situação e regressar a casa. Contudo, lá ter-lhe-ão dito que "esses casos acontecem" e que ele "não é o primeiro".


Giselle tem conseguido falar esporadicamente com Marcelo, especialmente através do Telegram, onde vai recebendo algumas novidades suas - mas demoram a chegar e são sempre poucas.


"Não estou conseguindo entrar em acordo com o pessoal, pois eles não me entendem e nem eu entendo eles", disse Marcelo numa dessas mensagens. "Já pedi para o subcomandante me tirar daqui e expliquei que vim por uma falsa promessa de emprego civil. Mas eles não me estão dando ouvidos", continuou.


No Brasil, a família de Marcelo também já alertou as autoridades competentes, nomeadamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, que está a acompanhar o caso, mas ainda sem avanços no processo.


"Tu na luta aí, eu na luta aqui, para nada acontecer. Espero em Deus que o mais rápido possível me tire daqui", pode ler-se numa das mensagens do jovem.


A família acredita que Marcelo esteja em Luhansk - que fica na Ucrânia, mas que está atualmente a ser ocupado pela Rússia - e que seja lá que esteja a receber treino militar.


Em novembro (precisamente no mês em que Marcelo embarcou para a Rússia) a embaixada do Brasil em Moscovo publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras. O aviso surgiu depois de um aumento no número de brasileiros mortos em combate ou que tiveram dificuldade em quebrar contratos com exércitos estrangeiros.


Brasileiro ruma a Moscovo para ser motorista... e acaba soldado na guerra - Notícias ao Minuto


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