Avançar para o conteúdo principal

"O maior de todos os acordos". UE e Índia assinam acordo de livre comércio com "numerosas oportunidades"

 

Rajat Gupta - EPA

"O maior de todos os acordos". UE e Índia assinam acordo de livre comércio com "numerosas oportunidades"

Ursula von der Leyen fala no "maior de todos os acordos comerciais", António Costa refere a "ambição elevada" e Narendra Modi destaca as "numerosas oportunidades". O acordo estava a ser negociado há cerca de duas décadas.

Joana Raposo Santos - RTP / 
Rajat Gupta - EPA

A Índia e a União Europeia oficializaram esta terça-feira a conclusão de um amplo acordo de livre comércio, negociado há mais de 20 anos, que, segundo o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, traz "numerosas oportunidades".

Num contexto geopolítico incerto, este pacto deve permitir às partes protegerem-se melhor da concorrência chinesa e dos efeitos da guerra tarifária iniciada pelos Estados Unidos.

"Diz-se no mundo que este é o acordo de todos os acordos", congratulou-se Modi, num discurso proferido em Nova Deli antes da reunião, no final da manhã, com os presidentes do Conselho Europeu, António Costa, e da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O pacto "vai oferecer numerosas oportunidades aos 1,4 mil milhões de indianos e aos milhões de habitantes da UE", acrescentou, "abrangendo cerca de 25% do produto interno bruto [PIB] e um terço do comércio mundial"Os últimos obstáculos à conclusão do texto foram retirados na segunda-feira, durante as negociações finais entre os dois lados.

A Índia e a UE esperam que o pacto impulsione o comércio bilateral, reduzindo os direitos aduaneiros em muitos setores. Em 2024, os dois lados trocaram 120 mil milhões de euros em mercadorias - um aumento de quase 90% em dez anos - e 60 mil milhões de euros em serviços, de acordo com a UE.

Bruxelas olha com interesse para o imenso mercado que representa o país mais populoso do planeta, com 1,5 mil milhões de habitantes e um forte crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior no último trimestre.

De acordo com as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Índia deverá ultrapassar este ano o Japão e tornar-se a quarta maior economia mundial, atrás de Estados Unidos, China e Alemanha. O país poderá subir ao pódio antes de 2030, de acordo com o Governo indiano.

 Jornal da Tarde | 27 de janeiro de 2026

Nova Deli considera a Europa uma fonte indispensável de tecnologias e investimentos, que necessita com urgência para acelerar a modernização do país e criar milhões de empregos para a população indiana.

"A UE pretende beneficiar do nível de acesso mais elevado alguma vez concedido a um parceiro comercial no mercado indiano, tradicionalmente protegido", declarou Ursula von der Leyen ao chegar no domingo à Índia, apostando numa duplicação das exportações europeias.

"Obteremos uma vantagem competitiva significativa em setores industriais e agroalimentares fundamentais", sugeriu.

A Índia pode, assim, abrir-se um pouco mais aos automóveis e vinhos europeus, em troca de um melhor acesso da Europa aos seus têxteis e medicamentos."O maior acordo alguma vez celebrado"
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou esta manhã que a UE e a Índia são "dois gigantes a fazer história" ao concluírem, após 18 anos, negociações para o maior acordo comercial de sempre.

"Conseguimo-lo: celebrámos o maior de todos os acordos comerciais e estamos a criar um mercado de dois mil milhões de pessoas. Esta é a história de dois gigantes - a segunda e a quarta maiores economias do mundo -, dois gigantes que escolhem a parceria num verdadeiro modelo em que os dois ganham", disse a líder do executivo comunitário no final da cimeira.


"Isto é apenas o começo [pois] iremos fortalecer ainda mais a nossa relação estratégica", adiantou a responsável, dando então conta do fim das negociações comerciais entre os dois blocos iniciadas em 2007, que estiveram bloqueadas por receios ambientais e agrícolas e foram retomadas em 2022.

Em comunicado entretanto divulgado em Bruxelas, a Comissão Europeia assinalou que este é "o maior acordo alguma vez celebrado por qualquer uma das partes", que vai criar um mercado comercial sem barreiras para dois mil milhões de pessoas e eliminar até quatro mil milhões de euros em direitos aduaneiros por ano para os exportadores europeus.

A UE e a Índia já comercializam mais de 180 mil milhões de euros em bens e serviços por ano, gerando cerca de 800.000 postos de trabalho na União, pelo que se espera que este acordo duplique as exportações de bens da UE para a Índia até 2032 ao eliminar ou reduzir as tarifas aduaneiras em 96,6% do valor das exportações de bens europeus para a Índia. Costa saúda acordo e lembra raízes indianas de Goa
Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou o momento histórico e lembrou as suas raízes indianas e a cimeira do Porto de 2021.

"Hoje é um momento histórico: estamos a abrir um novo capítulo nas nossas relações no comércio, na segurança e nos laços entre os povos", disse em declarações em Nova Deli no final da 16.ª cimeira UE-Índia.

"Sou o presidente do Conselho Europeu, mas também sou um cidadão indiano e, por isso, como podem imaginar, [o dia de hoje] tem um significado especial para mim, [pois] tenho muito orgulho nas minhas raízes em Goa, de onde é originária a família do meu pai", admitiu o antigo primeiro-ministro português, lembrando ainda quando a presidência portuguesa do Conselho da UE organizou a cimeira do Porto, em maio de 2021, que permitiu "relançar as negociações comerciais" hoje concluídas.


Nova Deli e Bruxelas pretendem também assinar esta terça-feira um acordo sobre a circulação de trabalhadores sazonais, intercâmbio de estudantes, investigadores ou profissionais altamente qualificados, bem como um pacto de segurança e defesa.


"O maior de todos os acordos". UE e Índia assinam acordo de livre comércio com "numerosas oportunidades"


Comentários

Notícias mais vistas:

Cheques Psicologia e Nutrição para jovens dos 12 aos 35 anos

 Na nova edição para 2026 dos cheques Psicologia e Nutrição, os cheques deixam de estar limitados ao ensino superior e chegam agora a jovens entre os 12 e os 35 anos. Além do alargamento da medida a jovens dos 12 aos 35 anos, as principais alterações são: Eliminação do limite máximo de cheques por jovem A continuidade do acompanhamento passa a depender da avaliação clínica dos profissionais de saúde, de acordo com as necessidades de cada jovem Aumento do valor pago aos profissionais de saúde por consulta/cheque de 35 para 40 euros Integração da medida no Programa Cuida-te, com gestão feita pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) Mais informação sobre como pedir os cheques Psicologia e Nutrição em: Cheques Psicologia e Nutrição para jovens dos 12 aos 35 anos - gov.pt

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Empresa turca fecha contrato para fornecimento de 100.000 drones kamikaze

Foto: Anadolu  A empresa turca Pasifik Technology fechou um contrato para fornecer 100.000 drones kamikaze MERKUT FPV e quatro tipos adicionais de sistemas não tripulados para um país não revelado. De acordo com o site Defence Blog, o contrato, que representa um dos maiores acordos de exportação de drones únicos anunciados publicamente por uma empresa de defesa turca, abrange cinco plataformas não tripuladas distintas nos domínios aéreo e terrestre. A peça central do acordo são 100.000 unidades do sistema de drones kamikaze MERKUT FPV, complementados por 10 helicópteros não tripulados ALPIN, 25 mini helicópteros não tripulados DUMRUL desenvolvidos pela Titra Technology, 500 drones kamikaze táticos DELİ e 500 unidades autônomas de suporte e vigilância terrestre KORGAN. Trata-se de um pacote de 101.035 sistemas não tripulados para um país comprador não revelado. O valor do contrato também não foi divulgado no anúncio da empresa. O drone kamikaze MERKUT FPV oferece de 20 a 30 minutos ...