Cerca de 1,2 milhões de pessoas ficaram sem eletricidade este sábado, no seguimento de um ataque russo ao sistema energético ucraniano, noticiou a agência Reuters. Estima-se que cerca de seis mil edifícios na capital tenham ficado sem aquecimento, quando se registam temperaturas negativas. O ataque deu-se numa altura em que decorrem encontros trilaterais entre representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos, nos Emirados Árabes Unidos.
“Esforços de paz? Encontro trilateral na EAU? Diplomacia? Para os ucranianos, esta foi mais uma noite de terror russo”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, na rede social X. Sybiha escreveu os ataques - de 375 drones e 21 mísseis, dois deles mísseis balísticos, segundo a força aérea ucraniana - como “brutais”. E deixou um alerta sobre o seu impacto: “os seus mísseis atingiram não apenas o nosso povo, mas também a mesa das negociações”.
Apesar da crítica do ministro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou hoje que as negociações foram "construtivas" e antecipou novos encontros com a Rússia “possivelmente já na próxima semana”.
“Os representantes militares identificaram uma lista de questões para uma potencial próxima reunião. Desde que haja possibilidade para avançar – e a Ucrânia está pronta -, serão realizadas novas reuniões, possivelmente já na próxima semana”, escreveu Zelensky na rede social X.
Na publicação, Zelensky assinalou ainda que na reunião trilateral com Rússia e Estados Unidos da América foram discutidos “possíveis parâmetros para o fim da guerra”.
O chefe de Estado ucraniano apontou que há “um entendimento da necessidade de monitorização e supervisão americana do processo de fim da guerra e de assegurar uma segurança genuína”.
Zelensky apontou ainda que os enviados norte-americanos “levantaram a questão dos potenciais formatos para formalizar os parâmetros para o fim da guerra” e as condições de segurança necessárias.
Ciclo de ataques "viola o direito internacional"
Os ataques russos também foram criticados pelas Nações Unidas (ONU). “Este ciclo sistemático de ataques à infraestrutura energética viola o direito internacional humanitário e deve terminar. Os civis devem estar seguros e quentes nas suas casas e não viver com medo das perdas que a próxima ronda de destruição possa trazer”, afirmou hoje Matthias Schmale, coordenador humanitário da ONU para a Ucrânia, numa mensagem nas redes sociais.
O representante do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) denunciou que a mais recente onda de ataques matou e feriu civis e deixou “milhares expostos ao rigoroso inverno”. “Desde o início de 2026, os residentes da Ucrânia não sentiram alívio face aos ataques das Forças Armadas Russas”, afirmou.
Segundo o responsável, na noite passada, pelo menos uma pessoa foi reportada como morta, dezenas ficaram feridas e centenas de milhares enfrentam cortes de eletricidade, aquecimento e água.
Em Kharkiv (leste), foi atingido um dormitório que acolhia pessoas deslocadas que tinham fugido da violência na linha da frente. No ataque, um hospital e casas residenciais foram danificados, indicou.
Na capital, Kiev, “milhares de edifícios de apartamentos que tinham sido gradualmente religados a serviços essenciais após os dias 9 e 20 de janeiro perderam novamente o acesso, em temperaturas abaixo de zero”.
Além disso, a cidade de Chernigov (norte) e centenas de milhares de famílias em toda a região de Chernigov ficaram sem eletricidade.
“Equipas heroicas de reparação, agentes de proteção civil e humanitários continuam a reparar os danos e a apoiar as pessoas em temperaturas congelantes”, relatou Matthias Schmale.
Ainda na noite de sexta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do nórdico-báltico - uma formação de cooperação regional que inclui a Dinamarca, Estónia, Finlândia, Islândia, Letónia, Lituânia, Noruega e Suécia - emitiram um comunicado a apelar ao fim dos ataques a infraestrutura energética.
“Ataques claramente destinados a cortar o fornecimento de eletricidade, aquecimento e água para a população ucraniana em condições climáticas de inverno extremamente rigorosas, constituem uma clara violação das obrigações da Rússia sob o direito internacional humanitário e podem configurar crimes de guerra”, apontaram.
Comentários
Enviar um comentário