Avançar para o conteúdo principal

Franceses prometem investir "dezenas de milhões" na indústria naval nacional se a marinha portuguesa comprar fragatas

 

Marinha acompanha passagem de navio russo (Marinha)

Se Portugal optar pelas fragatas francesas de nova geração, a construtora compromete-se a investir dezenas de milhões de euros na modernização do Arsenal do Alfeite e a canalizar uma fatia relevante do contrato diretamente para a economia e indústria nacional, exatamente uma das prioridades já assumidas pelo ministro da Defesa, Nuno Melo

Intensifica-se a "luta" entre empresas de defesa para fornecer a próxima geração de fragatas da marinha portuguesa. A empresa francesa Naval Group anunciou esta terça-feira um plano que promete transformar a indústria naval nacional com o investimento de "dezenas de milhões de euros" para criar um hub industrial no Alfeite, caso o governo português opter por comprar as fragatas de nova geração do fabricante francês.

"O Naval Group apresentou às autoridades portuguesas uma proposta para investir os montantes necessários, estimados em dezenas de milhões de euros, para modernizar o Arsenal do Alfeite e criar um polo industrial naval, reforçando as capacidades industriais navais de Portugal e o apoio a longo prazo à Marinha Portuguesa", revela o grupo através de um comunicado.

Na prática, o Naval Group propõe a criação de uma nova empresa, detida em conjunto com o Arsenal, que ficará responsável pela gestão e execução de todos os futuros contratos de manutenção da Marinha Portuguesa. O fabricante defende que o investimento representaria uma contribuição direta para a "soberania" e para a "autonomia estratégica" do país.

Numa altura em que o Governo continua a estudar as suas opções para a modernização da frota, o grupo francês aposta na cooperação económica para seduzir o executivo, um argumento que o ministro da Defesa, Nuno Melo, já admitiu ser uma das prioridades. O Naval Group afirma 20% do valor total investido na compra das fragatas será devolvido diretamente à economia nacional ao longo do ciclo de vida dos navios.

Atualmente, o governo português encontra-se a avaliar as várias opções para a modernização da armada, depois de a NATO ter revisto os "alvos capacitários" dos vários membros. O executivo português está a estudar a possibilidade de aquisição de duas ou três fragatas, num negócio que pode ascender aos três mil milhões de euros. 

Segundo a proposta do grupo francês, a nova entidade a criar não serviria apenas os interesses nacionais. A ambição é transformar o estaleiro da margem sul do Tejo num polo competitivo capaz de atrair clientes internacionais e apoiar as próprias atividades globais do grupo francês, assegurando assim postos de trabalho qualificados e uma carga de trabalho sustentável que não dependa exclusivamente do Orçamento do Estado.

O anúncio desta terça-feira não surge por acaso. Ocorre na véspera de uma visita crucial da principal concorrência, os estaleiros Fincantieri. Os italianos preparam-se para realizar, já esta quarta-feira, o seu próprio "Industry Day" em Lisboa, onde apresentarão a fragata da classe FREMM e as suas propostas de parceria industrial.

A pressão sobre o Ministério da Defesa é máxima. Nuno Melo tem poucos dias até ao final de novembro para fechar o plano de investimento nacional que permitirá a Portugal aceder aos fundos europeus do programa SAFE. Se a aquisição das fragatas for incluída neste pacote, Portugal poderá beneficiar de condições de financiamento vantajosas, mas isso obriga a uma definição rápida sobre quem será o parceiro estratégico.

Para tentar ganhar vantagem na corrida e demonstrar que o compromisso com Portugal vai além das promessas, o Naval Group sublinha o histórico recente de cooperação, destacando a assinatura, a 6 de novembro, de um memorando de entendimento com o LASIGE, unidade de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, para o desenvolvimento na área da defesa.

Além disso, o grupo francês revela que, na sequência de uns "Industry Days" realizados em outubro, já está a cooperar ativamente com 17 empresas portuguesas, de um universo de 45, com o objetivo de as integrar nas cadeias de valor europeias. Uma estratégia que visa provar ao Governo que o "navio" está pronto para zarpar, faltando apenas a "luz verde" para a compra das fragatas.


Franceses prometem investir "dezenas de milhões" na indústria naval nacional se a marinha portuguesa comprar fragatas - TVI Notícias


Comentários

Notícias mais vistas:

Este erro com as batatas pode libertar veneno sem saberes

As batatas são um dos alimentos mais consumidos em Portugal e no mundo. Cozidas, fritas, em puré ou assadas, estão presentes em quase todas as mesas. Mas há um detalhe que muitos desconhecem: um simples erro na forma como guardas ou cozinhas batatas pode levar à formação de uma substância tóxica que, em excesso, pode ser perigosa para a saúde. O veneno escondido nas batatas As batatas fazem parte da família das solanáceas, a mesma do tomate e da beringela. E tal como muitas plantas dessa família, também produzem compostos chamados glicoalcaloides, sendo o mais conhecido a solanina. Em pequenas quantidades, a solanina não causa problemas. Mas quando a batata é mal armazenada ou começa a ganhar manchas verdes e rebentos, a concentração desta toxina aumenta. E é aí que mora o perigo. Como a solanina afeta o corpo O consumo de batatas com altos níveis de solanina pode provocar sintomas de intoxicação alimentar, como: Náuseas e vómitos; Dores de estômago ; Diarreia; Dor de cabeça ; Em casos...

Lufthansa Ground Services Portugal escolhe veículo elétrico português BEN para operações nos aeroportos de Lisboa e Porto

 O protocolo entre a LGSP e o CEiiA será assinado a 29 de junho, na Casa da Música, no Porto, durante a cerimónia de inauguração da Help Alliance Portugal, a primeira associação da organização criada fora da Alemanha. A ocasião incluirá também a apresentação pública e demonstração do veículo BEN. A Lufthansa Ground Services Portugal (LGSP) escolheu o veículo elétrico português BEN, desenvolvido pelo CEiiA, para reforçar a sua operação de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa e do Porto, num projeto que arrancará com testes em setembro e deverá entrar em funcionamento em 2027. Segundo um comunicado divulgado hoje, o acordo prevê a integração de uma frota de veículos BEN no apoio de rampa às aeronaves e em serviços personalizados de assistência em escala, sendo a primeira vez que uma empresa do grupo Lufthansa adota este veículo desenvolvido em Portugal. O BEN é um veículo elétrico compacto, com cerca de 2,5 metros de comprimento, capacidade para até três ocupantes e espaço ...

Maior fábrica do mundo de baterias “em segunda mão” abriu em apenas seis semanas

Uma startup do Canadá inaugurou aquela que descreve como a maior fábrica de reaproveitamento de baterias de veículos elétricos do mundo. O mais impressionante não é apenas a escala do projeto, mas a velocidade, uma vez que da apresentação pública à entrada em funcionamento passaram-se apenas seis semanas. Uma segunda vida para baterias “reformadas” Pelas mãos da Moment Energy, uma startup da Colúmbia Britânica, no Canadá, a chamada Megafactory 1 abriu portas em Surrey , na área metropolitana de Vancouver, a 23 de junho. O objetivo é que, em vez de reciclar imediatamente as baterias que saem de veículos elétricos em fim de vida útil, a Moment Energy testa-as, desmonta-as e reconstrói-as em sistemas de armazenamento de energia à escala comercial . De facto, uma bateria retirada de um carro elétrico está longe de estar “morta”, mantendo tipicamente entre 80% e 85% da sua capacidade original. Apesar de já não ser suficiente para mover um automóvel com o desempenho exigido, é material dema...