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Vingança do Hamas nas ruas, milícias armadas e um acordo de paz incerto. Mesmo com cessar-fogo, Gaza ainda pode mergulhar numa guerra civil

 

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Não caíram bombas em Gaza no sábado — mas houve à mesma sangue derramado no enclave. O cessar-fogo manteve-se, enquanto o Hamas se preparava para libertar os reféns israelitas, o que acabou por acontecer esta segunda-feira — mas, ao mesmo tempo, o grupo tratava de ajustar contas com “colaboradores”. Ao todo, pelo menos 27 pessoas morreram nesse dia em confrontos entre o Hamas e outro grupo armado.

Homens armados e de cara tapada saíram para, supostamente, patrulhar as ruas, alguns com bonés que diziam mesmo “polícia”. Vídeos nas redes sociais davam conta de cenas de violência, com homens a serem espancados. O canal de Telegram Frente Interna da Palestina, com ligações ao Hamas, confirmou a operação: “Um número de colaboradores e informadores foram apreendidos e detidos na Cidade de Gaza, depois de se ter provado que estiveram envolvidos em espionagem a favor do inimigo”, foi escrito. E depois foi deixada a promessa de uma vendetta daqui para a frente: “Os serviços de segurança e de resistência estão a conduzir uma campanha de larga escala no terreno por todas as áreas da Faixa de Gaza, de norte a sul, para localizar e deter colaboradores e informadores.”

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Ao todo, de acordo com a BBC, o Hamas recorreu a telefonemas e mensagens de texto para convocar sete mil membros a fim de retomar o controlo do território assim que o cessar-fogo foi assinado. Os reféns podem ter sido libertados, mas a fase dois do plano de paz está longe de estar acordada e o grupo terrorista continua a resistir à ideia de desmilitarização.

Na manhã desta segunda-feira, o Presidente Donald Trump confirmou que o Hamas “se está a rearmar”, mas garantiu que os Estados Unidos da América deram autorização para isso. “Têm sido abertos sobre isso e demos-lhes autorização por um período de tempo”, disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One. Não há mais detalhes sobre o que isto implica para a próxima fase do processo de paz, nem quais as motivações dos norte-americanos, mas há sinais que apontam que esta pode ser uma tentativa de evitar um vazio de poder até serem definidos os novos termos da governação de Gaza.

Ao longo do último ano, vários grupos armados têm proliferado na região, alguns com apoio tácito de Israel, mas não é claro que posicionamento terão daqui para a frente. Agora, com as tropas israelitas a recuarem, o Hamas procura eliminar essa ameaça. Mas os especialistas avisam: se as negociações para a paz não levarem brevemente a um acordo para o futuro, o risco de guerra civil no enclave é real.

Confronto no sábado entre Hamas e clã Doghmush terminou com 27 mortos

Os confrontos entre o Hamas e outros grupos não começaram este sábado, apesar de terem subido de tom este fim de semana. No ano passado, o Hamas criou a unidade “Flecha” para atacar estes grupos, muitos ligados a clãs de Gaza, que fazem oposição interna ao grupo — alguns são acusados de saquear ajuda humanitária.

Segundo o Le Monde, o Hamas executou quatro membros de um dos grupos a 26 de maio. No mês passado, executou três pessoas, de acordo com o Telegraph. Ao longo dos últimos dias surgiram vídeos de um homem a ser baleado na perna e de outro a ser espancado com bastões.

Este fim de semana, a violência subiu de tom. No bairro de Sabra, na zona oeste da cidade de Gaza, registaram-se confrontos entre o Hamas e o clã Doghmush que resultaram na morte de 27 pessoasentre eles o influencer pró-Hamas — identificado pelo grupo como jornalista — Saleh Aljafarawi. No sul da capital, o grupo atacou o edifício onde esteve em tempos o Hospital Jordano: “O hospital tem sido usado como refúgio pela família Doghmush depois de as suas casas terem sido destruídas pelo exército israelita”, disse um residente ao Telegraph. “O Hamas exigiu que a família saísse do hospital, mas eles recusaram, o que levou a uma troca de tiros que resultou em várias baixas entre o Hamas, incluindo o filho do comandante Imad Aqel.”

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Residentes garantiram à BBC que cerca de 300 homens do Hamas atacaram o local onde estava o clã. Oito militantes do grupo e 19 membros dos Doghmush terão morrido nos confrontos, que levaram à fuga de dezenas de outras pessoas do local. “Desta vez as pessoas não estavam a fugir dos ataques de Israel”, disse à televisão um dos habitantes. “Estavam a fugir do seu próprio povo.”

Os Doghmush, a Força de Ataque Contra o Terror e as Forças Populares. Os grupos que tentam ocupar o vácuo

O surgimento de resistência armada à “Resistência” (como se auto-intitula o Hamas) não é novo. O grupo independente de monitorização de conflitos ACLED publicou um relatório em setembro onde dá conta de que, desde o início da guerra, cerca de 400 palestinianos foram mortos por outros palestinianos — eram “agentes da polícia, líderes de clãs e de gangues, ladrões, ativistas anti-Hamas, indivíduos acusados de colaborar com Israel e comerciantes acusados de especulação”. A esmagadora maioria ocorreu quando terminou o cessar-fogo de março de 2025, o que levanta a possibilidade de a violência se intensificar agora que há outro cessar-fogo incerto em vigor.

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O fenómeno de ressurgimento dos clãs em contextos de conflito no Médio Oriente é recorrente, como notava já no ano passado Yaniv Voller:  “Durante as guerras civis que despedaçaram as sociedades na Síria e no Iraque, as tribos e clãs experienciaram uma coesão renovada. Da mesma forma, no Afeganistão pós-2001, os senhores da guerra tribais em regiões do país não-Pashtun reconquistaram a influência que tinham perdido com a ascensão dos talibãs nos anos de 1990”, escreveu o especialista em insurgência e movimentos armados. “Os clãs já preencheram o vácuo deixado pelo Hamas no seu território. Com a posse de armas e capacidade de mobilizar membros nas suas áreas, os clãs podem ser dos primeiros a transmitir um sentimento de ordem e, tendo em conta os seus interesses e a sua história, contrariar as bolsas que restam do Hamas na Faixa.”

Mas estes clãs armados não são necessariamente pacíficos. Um dos grupos anti-Hamas mais conhecido é precisamente o da família Doghmush, que tem laços ao grupo jihadista Exército do Islão. Este grupo salafista é inspirado pela Al-Qaeda e em 2006 raptou o soldado israelita Gilad Shalit. No ano seguinte, raptou o jornalista britânico Alan Johnston.

Outros são fenómenos mais recentes. É o caso da milícia liderada por Hussam al-Astal, antigo responsável da Autoridade Palestiniana de origem beduína, a Força de Ataque Contra o Terror que se estabeleceu em Khan Yunis. Este sábado, com o início do cessar-fogo, Al-Astal prometeu resistir ao Hamas, conta a CNN: “A todos os ratos do Hamas, os vossos túneis estão destruídos, os vossos direitos já não existem. Arrependam-se antes que seja demasiado tarde — de hoje em diante já não há nenhum Hamas.”

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No passado, Shabab “manteve laços de tráfico de armas ao Estado Islâmico do Sinai, embora não subscrevesse a ideologia do grupo, e esteve também envolvido em tráfico de droga e em prestar segurança a instalações da Fatah”.

Este sábado, o líder do grupo deu uma entrevista ao Telegraph onde define a milícia como “uma força independente anti-Hamas”. Al-Astal decidiu falar sobre o recente acordo de paz na entrevista e mostrou-se otimista face ao comité de supervisão internacional previsto: “Tony Blair é um político decente”, afirmou. “Estamos prontos para colaborar com quem quer que seja que traga ajuda para o nosso povo em Gaza.”

À Força de Ataque soma-se ainda o grupo de Yasser Abu Shabab, membro da tribo Tarabin, que opera no sul, em Rafah, e que é suspeito de liderar ataques a camiões de ajuda humanitária. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional israelita diz que, no passado, Shabab “manteve laços de tráfico de armas ao Estado Islâmico do Sinai, embora não subscrevesse a ideologia do grupo, e esteve também envolvido em tráfico de droga e em prestar segurança a instalações da Fatah”.

DR Facebook

Yasser Abu Shabab, líder das Forças Populares, milícia anti-Hamas que opera em Gaza

Shabab sempre teve confrontos com o Hamas, tendo sido detido várias vezes pelo grupo no passado. Em dezembro, o seu irmão foi morto e o resto da família desvinculou-se dele por receio de represálias. É agora o líder das Forças Populares, controlando algumas centenas de homens, que recruta pelas redes sociais oferecendo salários de cerca de 800 euros para soldados e 1.300 para oficiais.

A estratégia de apoio tácito de Israel, que pode correr mal

As Forças Populares ganharam recentemente destaque pelas suspeitas de que podem estar a colaborar com Israel — uma acusação que Shabab nega.

A independência de Shabab foi posta em causa ainda em junho deste ano, quando o antigo ministro da Defesa israelita Avigdor Lieberman acusou o Governo de estar a colaborar com “criminosos que se identificam com o Estado Islâmico”. Perante isto, o primeiro-ministro não negou. “Com base no conselho dos nossos responsáveis de segurança, apoiámos clãs em Gaza que se opõem ao Hamas”, escreveu o primeiro-ministro israelita no X. “Qual é o mal disso? É uma coisa boa. Salva as vidas dos soldados.”

No início deste mês, a Sky News publicou uma investigação onde dava conta de que as Forças Populares estavam a receber comida diretamente da Gaza Humanitarian Foundation, o organismo estabelecido por Israel para distribuir ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Com base em entrevistas a um comandante sénior do grupo e a um soldado israelita, bem como a várias informações publicadas nas redes sociais, a Sky News noticiou que o grupo estava a ser autorizado a contrabandear não só armamento, mas também dinheiro e carros.

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“Estas forças populares são um pau de dois bicos. Não estamos a falar de democratas pacíficos. Estamos a falar de gangues que se fartaram do maior gangue de todos, que é o Hamas.”

Em Israel, há quem considere acertada a estratégia de dar força a grupos como este. “Eles podem ser as pessoas fortes no local e tomarem controlo da sua área, família ou tribo e não deixar o Hamas entrar, e nós podemos apoiá-los”, declarou o antigo major-general Yaakov Amidror. “Se eles poderem ser uma parte da solução, ótimo. Se acontecer o pior, será como na Somália, ninguém tem o controlo. Isso é mau para Israel, mas é melhor do que ter o Hamas.”

Nem todos, porém, consideram esta uma boa ideia. “Estas forças populares são um pau de dois bicos”, disse à Euronews Fleur Hassan-Nahoum, vice-presidente da Câmara de Jerusalém. “Não estamos a falar de democratas pacíficos. Estamos a falar de gangues que se fartaram do maior gangue de todos, que é o Hamas.”

Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, Shabab ainda não se pronunciou. Na conta de Facebook das Forças Populares, por onde o grupo costuma comunicar, não foi feita nenhuma publicação desde o dia 9.

Os riscos são ainda maiores a longo prazo, apontam alguns especialistas que dão o exemplo de outras experiências semelhantes no Médio Oriente, como o apoio dos Estados Unidos durante a guerra da União Soviética no Afeganistão a grupos armados que se vieram a transformar nos talibãs. “Quando a guerra acabou, os talibãs começaram a atacar os americanos com as suas próprias armas”, disse ao Washington Post Michael Milshtein, antigo conselheiro das IDF para as questões palestinianas. “Pode acontecer exatamente a mesma experiência aqui em Gaza — é muito provável.”

Outros avisam que até Israel tem essa experiência, com o apoio durante a década de 1980 à Irmandade Muçulmana em Gaza, grupo do qual germinou mais tarde o Hamas. “Na altura, Israel pensou que o maior adversário na Faixa de Gaza era, claro, a Organização pela Libertação da Palestina, por isso tentou reforçar a Irmandade Muçulmana”, considera o historiador militar israelita Guy Aviad. “É claro que, em retrospetiva, vemos que esse foi um erro enorme.”

E se o Hamas não se desmilitarizar? “Esta é a receita perfeita para a guerra civil”

Não é seguro estimar que papel terão estes grupos numa situação de paz com Israel. E com um futuro incerto para a Faixa de Gaza, também não é garantido que o Hamas simplesmente deponha armas e se anule como movimento político.

Isso mesmo declarou recentemente Mousa Abu Marzouk, responsável sénior do grupo, ao Drop Site News, rejeitando a entrega voluntária de armas. “Francamente, declarações deste tipo são geralmente retórica e não refletem a realidade”, disse. “Se têm a promessa de um partido de que não irá usar armas, ou de que está em tréguas ou em cessar-fogo, isso deveria, sem sombra para dúvidas, ser mais importante do que procurar quantas espingardas é que o Hamas ainda tem.”

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Para além disso, apesar de o Hamas estar profundamente enfraquecido depois de dois anos de guerra, está longe de ter morrido como movimento político. E não perdeu a sua capacidade de mobilização, como alerta o diretor do Middle East Forum, Gregg Roman: “A narrativa que o Hamas vai promover em todo o mundo árabe e islâmico é simples: fez o nariz de Israel sangrar no 7 de Outubro, aguentou dois anos de bombardeamentos, forçou as IDF a retirarem da Cidade de Gaza através da resistência e negociou a libertação de dois mil palestinianos, incluindo de 250 terroristas condenados a penas perpétuas. A destruição de Gaza vai ser enquadrada como um sacrifício heróico de resistência à ocupação.”

No terreno, apesar de haver bolsas de resistência ao Hamas como as encabeçadas pelos clãs e gangues, há também muitos palestinianos que podem alinhar-se com o grupo terrorista. “Regra geral, as pessoas não apoiam as execuções e estão horrorizadas com este tipo de castigos públicos, mas vêem qual é a alternativa, que é estes gangues armados, que em muitos casos podem ser piores do que o Hamas, a andar à solta”, alerta Tariq Kenney-Shawa, do think tank palestiniano Al-Shabaka.

Certo é que a violência pode continuar muito para lá da aplicação do cessar-fogo. “Gaza está inundada de armas. Saqueadores roubaram milhares de armas e de munições dos armazéns do Hamas durante a guerra e alguns grupos até receberam fornecimento de Israel”, avisa um antigo responsável de segurança da Autoridade Palestiniana em Gaza à BBC. “Esta é a receita perfeita para uma guerra civil: armas, frustração, caos e um movimento desesperado por restabelecer o controlo sobre uma população destroçada e exausta.”

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“Acredito que as tentativas reiteradas [do Hamas] de manter a sua influência por qualquer meio, incluindo o seu envolvimento em matérias de segurança, pode vir a por em causa o acordo e mergulhar os habitantes de Gaza num sofrimento ainda maior.”

Não há ainda acordo sobre quem governará Gaza no futuro, qual a composição da Força de Intervenção internacional e, muito menos, sobre como formar uma nova polícia que garanta a segurança nas ruas do enclave. Por essa razão, há quem tema que o cenário de execuções públicas e confrontos sangrentos entre o Hamas e outras fações se possa normalizar.

“Há sem dúvida um medo generalizado entre os habitantes de Gaza de uma potencial luta interna, tendo em conta tantas condições que podem alimentá-la”, considera Khalil Abu Shammala, especialista em direitos humanos que vive no enclave. “Acredito que as tentativas reiteradas [do Hamas] de manter a sua influência por qualquer meio, incluindo o seu envolvimento em matérias de segurança, pode vir a por em causa o acordo e mergulhar os habitantes de Gaza num sofrimento ainda maior.”

A vingança do Hamas nas ruas e o risco de guerra civil – Observador


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