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Mira a navios e barcos em colisão: Dinamarca avisa para ações da Rússia e já fala em ataques militares à NATO



 Pouco maior que o Alentejo, este país tem sido um alvo primordial das ações russas


A Dinamarca mudou o chip e já fala em guerra. Híbrida, é certo, mas uma guerra que diz que a Rússia desencadeou contra o pequeno país, que tem sido fortemente fustigado por incidentes que, em muitos casos, ainda não têm explicação.


É o caso dos drones que já foram vistos em cinco aeroportos dinamarqueses, incluindo no de Copenhaga, o principal do país.


Sem culpar diretamente a Rússia pelo que tem acontecido, a Dinamarca não tem dúvida: existe uma guerra híbrida em curso contra o país e foi a Rússia a desencadeá-la.


Isso mesmo foi dito com todas as palavras pelo chefe dos serviços de segurança das Forças Armadas da Dinamarca, Thomas Ahrenkiel, que emitiu vários avisos durante uma conferência de imprensa em que sublinhou que a probabilidade de uma sabotagem é bastante elevada.


Sabotagem à Dinamarca, sim, mas também à NATO, já que este é um país integrante da Aliança Atlântica.


“Sabemos que a Rússia está por detrás de várias sabotagens, incluindo ciberataques, contra os países ocidentais”, afirmou, referindo que as informações apontam que os drones que sobrevoaram o espaço aéreo polaco foram enviados de forma deliberada por Moscovo como um teste.


“Podem estar a preparar-se para intervir se tentarmos prevenir que a ‘frota fantasma’ navegue”, acrescentou Thomas Ahrenkiel, falando numa das principais preocupações do Ocidente neste momento.


É que, segundo as informações preliminares, a “frota fantasma” que o Kremlin utiliza para continuar a comercializar petróleo conseguindo fugir às sanções já está a operar para lá disso, já que há relatos de que foram lançados drones deste tipo de embarcações.


Apesar disso, o líder dos serviços de informação das Forças Armadas dinamarquesas garantiu que não está em causa um ataque militar direto, mas antes ataques híbridos, ciberataques, sabotagens ou, de alguma forma, o exercer de uma influência.


Procurando dar exemplos concretos, Thomas Ahrenkiel garantiu que são vários os casos que estão a ser analisados e que têm dedo russo. Entre eles estão movimentos de navios de guerra da Rússia em rota de colisão com embarcações da Dinamarca em águas dinamarquesas.


Mais grave ainda, o responsável referiu que foram detetados movimentos de navios de guerra da Rússia a fazerem mira a navios de guerra e a helicópteros dinamarqueses nas águas da Dinamarca.


“Temos visto vários incidentes nos estreitos dinamarqueses, onde helicópteros da Força Aérea e navios da Marinha são iluminados por radares de disparos e são apontados fisicamente com armas a partir de navios russos”, explicou Thomas Ahrenkiel.


Há ainda casos de jamming, atividade em que os sistemas de comunicação GPS são afetados por interferência de terceiros. O responsável dinamarquês não tem dúvidas: um desses casos teve origem num navio de guerra russo que passou pela Dinamarca com um sonar e equipamento para esse tipo de ação.


“Não temos dúvidas de que a Rússia está a levar a cabo estas atividades e temos visto outros exemplos na Europa, onde atores russos estão por detrás, por exemplo, de sabotagens contra empresas específicas”, acrescentou Thomas Ahrenkiel.


“É algo que se está a tornar muito claro e a emergir: a Rússia está a levar a cabo uma guerra híbrida. É um agudizar da nossa última avaliação”, reiterou.


Para o ministro dinamarquês da Defesa, que corroborou todas as palavras do responsável dos serviços de informação, estes são atos de “um inimigo cobarde que não mostra a face”.


Troels Lund Poulsen quer, portanto, que a Dinamarca se prepare para o que quer que seja que possa surgir, até porque as avaliações atuais apontam para uma probabilidade de a situação piorar nos próximos tempos. Sem entrar em muitos detalhes, o governante deu um exemplo: um ataque híbrido pode afetar o fornecimento de água.


“A Rússia está a utilizar atividades híbridas na tentativa de enfraquecer a coesão política e o poder de decisão dos países da NATO. O objetivo da Rússia não é ter ganhos rápidos, mas criar um estado constante de incerteza no qual a coesão da NATO se vá perdendo lentamente”, pode ler-se no relatório de avaliação apresentado.


Em suma, e de acordo com a análise apresentada, faz-se a seguinte leitura da situação atual:


A ameaça de uma sabotagem contra as Forças Armadas da Dinamarca é elevada;

A ameaça de ciberataques destrutivos contra a Dinamarca é média;

A ameaça de provocações militares contra países da NATO é elevada;

A ameaça de operações de influência contra a Dinamarca é baixa;

A ameaça de ataques militares regulares contra a Dinamarca é não existente.

“Não esperamos que a Rússia faça ataques militares regulares à Dinamarca neste momento. Mas esperamos que, a longo prazo, possa vir a fazê-lo contra a NATO”, terminou Thomas Ahrenkiel.


Mira a navios e barcos em colisão: Dinamarca avisa para ações da Rússia e já fala em ataques militares à NATO - CNN Portugal


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