Avançar para o conteúdo principal

Quebra no consumo das famílias é maior do que no tempo da troika



 Vendas do retalho alimentar estão a crescer 12,3% no acumulado do ano, em termos de valor, mas famílias compraram menos 9% em volume. Entre 2012 e 2014, diminuição foi de 5%


As vendas do retalho alimentar estão a estabilizar. É verdade que os dados do setor mostram um crescimento acumulado, desde janeiro a outubro, de 12,3%, mas, na quadrissemana 41 a 44, correspondente ao mês de outubro, o aumento foi já só de 7,6%, longe dos valores a dois dígitos que tem mantido desde outubro de 2022. No total, os portugueses deixaram 11 314 milhões de euros nas suas compras para o lar, mais 1289 milhões do que no ano passado. No entanto, lembra a Centromarca, as compras das famílias estão a cair, em volume, mais até do que durante o período da troika.


"A diminuição da inflação faz com que se comece a notar cada vez mais o efeito da quebra em volume que estava completamente disfarçada. Com o aumento dos preços, tudo parecia crescer, quando, na realidade, crescia o dinheiro [pago], mas não o que se vendia. Agora, diria que, em especial até março do ano que vem, vamos começar a sentir, cada vez mais, dois efeitos distintos: é que as pessoas estão a comprar menos, e mesmo o que compram é de uma gama de valor mais baixa", diz o diretor-geral da Centromarca.


Os dados são da Nielsen e referem-se às vendas, em valor, dos super e hipermercados, mas também das mercearias e pequeno comércio, informação que Pedro Pimentel complementa com números da Kantar, suportados nas compras realizadas por um painel de famílias, e que registam, até setembro, uma diminuição acumulada de 9%, em volume, desde o início do ano. "É uma quebra brutal. Compara com números do tempo da troika e que, entre 2012 e 2014, tivemos uma quebra de 5%, que foi muito mais visível porque não tínhamos então a inflação para disfarçar os números", explica. Mas há outros fatores a ajudar a "disfarçar" esta situação, como o crescimento do turismo, que é hoje "muito mais forte" do que existia em 2014, "o que faz com que as vendas, as saídas de caixa dos supermercados - seja para os restaurantes e cafés ou para os próprios turistas -, disfarcem este número".


Para que melhor se entenda a dimensão desta quebra, Pedro Pimentel lembra que, normalmente, a variação de volumes comprados pelas famílias varia entre 1 a 1,5%, para cima ou para baixo. "Uma quebra de 9% num espaço muito curto significa que não só as pessoas tiveram que tomar medidas um bocadinho à força, como essas medidas foram tomadas não apenas na quantidade do que compram, mas também na escolha de produtos de preço mais baixo", refere.


No entanto, o responsável acredita que, eventualmente, a queda possa já ter chegado ao fim. "Não há ainda nenhuma recuperação de consumo, há claramente aqui um sinal de que a quebra provavelmente terá chegado ao seu ponto mais baixo e agora estaremos numa fase de alguma estabilização para depois, quando as pessoas sentirem que o seu poder económico e de compra recuperou alguma coisa, possam também recuperar a forma como fazem as suas compras", defende. Admite, no entanto, que tudo depende, como sempre nestas matérias, da evolução da conjuntura económica nacional e internacional, lembrando que basta um foco externo que faça disparar as cotações do petróleo para complicar todas estas contas.


Voltando aos números da Nielsen, dos 11 314 milhões de euros deixados no retalho alimentar, 40,4% foram para artigos de mercearia, 17,6% para laticínios e 7,8% para congelados. Comparando com os primeiros 10 meses de 2022, os gastos em mercearia cresceram 13%, aumentando ainda 16% e 15%, respetivamente, nos laticínios e nos congelados.


Os produtos das marcas da distribuição, as chamadas "marcas brancas", pesam, este ano, 44,3% do valor total das vendas do setor, sendo que, há um ano, estavam nos 40,1%. E é na alimentação que se vê esse o quanto as famílias estão a preferir as marcas de distribuição, mais baratas, do que as de fabricantes. A quota, em valor, dos produtos de mercearia em marca branca subiu de 47,5% para 51,1%, passando de 41,5% para 46,4% nos laticínios e de 56,6% para 62,1% nos congelados.


Num mercado a crescer 12,3%, para os tais 11 314 milhões de euros, as marcas de fabricantes estão a crescer 4,5% enquanto as da distribuição disparam 24% face a 2022.


Quebra no consumo das famílias é maior do que no tempo da troika (dinheirovivo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

J.K. Rowling

 Aos 17 anos, foi rejeitada na faculdade. Aos 25 anos, sua mãe morreu de doença. Aos 26 anos, mudou-se para Portugal para ensinar inglês. Aos 27 anos, casou. O marido abusou dela. Apesar disso, sua filha nasceu. Aos 28 anos, divorciou-se e foi diagnosticada com depressão severa. Aos 29 anos, era mãe solteira que vivia da segurança social. Aos 30 anos, ela não queria estar nesta terra. Mas ela dirigiu toda a sua paixão para fazer a única coisa que podia fazer melhor do que ninguém. E foi escrever. Aos 31 anos, finalmente publicou seu primeiro livro. Aos 35 anos, tinha publicado 4 livros e foi nomeada Autora do Ano. Aos 42 anos, vendeu 11 milhões de cópias do seu novo livro no primeiro dia do lançamento. Esta mulher é JK Rowling. Lembras de como ela pensou em suicídio aos 30 anos? Hoje, Harry Potter é uma marca global que vale mais de $15 bilhões. Nunca desista. Acredite em você mesmo. Seja apaixonado. Trabalhe duro. Nunca é tarde demais. Esta é J.K. Rowling. J. K. Rowling – Wikipédi...

Diarreia legislativa

© DR  As mais de 150 alterações ao Código do Trabalho, no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, foram aprovadas esta sexta-feira pelo Parlamento, em votação final. O texto global apenas contou com os votos favoráveis da maioria absoluta socialista. PCP, BE e IL votaram contra, PSD, Chega, Livre e PAN abstiveram-se. Esta diarréia legislativa não só "passaram ao lado da concertação Social", como também "terão um profundo impacto negativo na competitividade das empresas nacionais, caso venham a ser implementadas Patrões vão falar com Marcelo para travar Agenda para o Trabalho Digno (dinheirovivo.pt)

O fim do dinheiro físico: estamos a um apagão de perder tudo?

Primeiramente, estamos a caminhar a passos largos para uma dependência quase total das infraestruturas digitais no nosso dia a dia. Quando pagas um simples café com o smartphone ou com o cartão, dependes da bateria do teu equipamento, da qualidade da rede da tua operadora, dos servidores do teu banco e das plataformas de processamento de pagamentos. Consequentemente, se apenas um destes elos falhar, a transação não acontece e o sistema cai por terra. O fim do dinheiro físico pode levar-nos a perder tudo num apagão? Fim do dinheiro físico: o cerco cada vez mais apertado às notas e moedas Além disso, a legislação europeia e nacional está a apertar o cerco ao uso de dinheiro vivo, o que acelera esta transição para o digital. A União Europeia aprovou recentemente um limite máximo de 10 000 euros para pagamentos em numerário, uma regra que entrará em vigor em todos os Estados-membros até 2027. Por outro lado, em Portugal, as restrições já são significativamente mais severas. Atualmente, a l...