Avançar para o conteúdo principal

Aumento de cesarianas está a afectar a evolução do corpo das mulheres

O uso cada vez mais recorrente das cesarianas nos partos está a afectar a evolução do corpo das mulheres. A conclusão é de um estudo austríaco que constata que estas cirurgias não permitem às mulheres adaptar-se ao crescente aumento do tamanho dos bebés.

A investigação, levada a cabo na Universidade de Viena, na Áustria, apurou que as mulheres não desenvolvem pélvis mais largas, de modo a adaptarem-se ao crescente aumento do tamanho dos recém-nascidos, por causa do uso recorrente de cesarianas nos partos.

Está em causa uma “evolução” que decorre do facto de os avanços da medicina não permitirem aquela que seria a selecção natural, conforme explica o líder da investigação, Philipp Mitteroecker, do Departamento de Biologia Teorética da Universidade de Viena, em declarações à BBC.

“As mulheres com uma pélvis muito estreita não sobreviveriam ao parto há cem anos. Agora sobrevivem e passam o seu código genético para uma pélvis estreita às suas filhas”, realça o cientista.

“Sem a intervenção médica moderna, tais problemas eram, muito frequentemente, letais e isto, de uma perspectiva evolucionária, é selecção”, acrescenta.

No estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, atesta-se que “o uso regular de partos de cesariana, ao longo da última década, levou a um aumento evolucionário dos níveis da desproporção feto-pélvica de 10% a 20%“.

É o mesmo que dizer que, por causa das cesarianas, o corpo de algumas mulheres não consegue adaptar-se ao aumento de tamanho dos recém-nascidos, o que é também uma tendência moderna.

Os investigadores calculam que os casos em que o bebé não cabe no canal de nascimento aumentaram de 30 em mil em 1960 para 36 em mil hoje em dia. E a previsão é de que esta tendência continue a aumentar.

“Prova absoluta demorará centenas de anos”

Para o obstetra Diogo Ayres de Campos, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, as conclusões deste estudo austríaco não são, contudo, definitivas, afirma ao Diário de Notícias.

“É uma teoria que já tem algum tempo. Várias pessoas o defenderam no passado, mas a prova absoluta demorará centenas de anos”, refere Ayres de Campos, considerando que é “natural que estejamos a seleccionar uma população com bacias mais estreitas” quando, “a nível global, há um aumento do peso médio dos bebés e dos outros diâmetros”.

O obstetra britânico Daghni Rajasingam, consultado pela BBC, refere, por seu lado, que é preciso também considerar outros dados da sociedade actual, como os casos de diabetes e de obesidade durante a gravidez, que influenciam a necessidade de as mulheres recorrerem a cesarianas durante o parto.

A OMS tem alertado para o número elevado de cesarianas praticadas em todo o mundo.

Segundo o DN, dados de 2015, relativos a Portugal, mostram que no Serviço Nacional de Saúde há uma taxa de 28% de partos com cesariana, enquanto nos privados a média chega aos 66%, contra os 27,6% na média dos países da OCDE.

Em 2014, um estudo feito pela Universidade de Aveiro explicava o elevado número de cesarianas no privado com o factor económico, por serem mais caras do que os partos naturais, e no público com a intenção de “despachar” o processo perante a falta de profissionais.


Em: http://zap.aeiou.pt/aumento-cesarianas-esta-afectar-evolucao-do-corpo-das-mulheres-140716

Comentários

Notícias mais vistas:

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Office  EU é a alternativa europeia às suítes de produtividade norte‑americanas

 Plataforma europeia Office EU reúne e‑mail, documentos, calendário e videoconferência sob o RGPD, oferecendo uma alternativa às soluções dos EUA. Uma plataforma digital europeia está a posicionar-se como alternativa às grandes suítes de produtividade controladas por empresas norte-americanas. Chama-se Office  EU e reúne num só espaço todas as ferramentas básicas de escritório – desde edição de texto e folhas de cálculo até correio eletrónico, armazenamento de ficheiros e videoconferência. A sua principal diferença? É integralmente europeia, tanto na propriedade como na infraestrutura técnica, e cumpre as regras de proteção de dados da União Europeia. O OfficeEU visa oferecer a empresas, organizações e cidadãos uma solução de trabalho em nuvem sem recurso a servidores ou legislação de fora da Europa. O utilizador pode criar e partilhar documentos, gerir agendas e realizar chamadas de vídeo num ambiente regulado pelo RGPD, mantendo o controlo sobre os próprios dados. Entre as aplica...

Wall Street começa a chamar a atenção para os "ecos" da pior crise do século

  Para alguns investidores proeminentes, os paralelos com a crise dos subprimes parecem óbvios. Mas não há um consenso claro em Wall Street Nova Iorque -  Durante meses, investidores e analistas têm acompanhado de perto o obscuro setor financeiro conhecido como crédito privado, onde os sinais de alerta têm alimentado receios de uma repetição da crise financeira de 2008. Ainda não é claro se estes alertas representam apenas alguns erros isolados ou uma fragilidade sistémica mais grave no setor de 1,8 mil milhões de dólares. Mas, se esta última hipótese for sequer remotamente possível, vale a pena perceber o que raio se está a passar. Uma breve introdução ao "crédito privado" De uma forma muito simples, o termo refere-se aos investidores que emprestam dinheiro diretamente a empresas privadas, sem passar pelos bancos. Os mutuários — geralmente pequenas empresas que os bancos considerariam demasiado arriscadas ou complexas para um empréstimo tradicional — pagam uma taxa de juro m...