Avançar para o conteúdo principal

Caleidoscópio reabre no Campo Grande com McDonalds e Sala de estudo 24h/dia

No novo Caleidoscópio as salas de estudo vão estar abertas 24 horas

O arquiteto Pedro Oliveira fez ontem uma visita guiada ao espaço a Fernando Medina e ao reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz

Depois de dois anos de obras, o centro académico é desde ontem uma varanda aberta sobre o lago e o Jardim do Campo Grande

Os engenheiros que trabalharam na edificação do novo Caleidoscópio do Campo Grande, em Lisboa, inaugurado ontem, contaram ao arquiteto Pedro Oliveira histórias de "um edifício onde comeram a primeira piza ou de quando aqui vinham ao cinema". E foram essas memórias que Pedro Oliveira usou para resgatar esse edifício fantasma da década de 1970 e a sua a relação com o Jardim do Campo Grande, que estava perdida. Dois anos de obras depois o novo Caleidoscópio abriu portas como centro académico destinado não só aos 22 mil estudantes da Universidade de Lisboa, mas também a todos os outros universitários da capital.

É ainda uma varanda sobre o lago e sobre o jardim do Campo Grande. Com a inovação de ter salas de estudo abertas 24 horas e acessíveis com cartão de estudante. Presentes na inauguração do espaço, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e o reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Cruz Serra, lembraram que a requalificação e a aposta em transformar o edifício em centro de estudos partiu da iniciativa de António Costa quando liderava a autarquia e do então reitor da UL, Sampaio da Nóvoa (agora reitor honorário), em 2010. "É um ativo estratégico para o futuro", definiu Fernando Medina. O reitor Cruz Serra foi mais longe: "Que daqui a uns anos se possa ouvir cientistas e políticos dizer que foi no Caleidoscópio que fizeram os estudos extramuros."

São três mil metros de espaço, com uma pala que é o ex-líbris do projeto e que faz uma "praça aberta sobre o lago", como descreveu o arquiteto. Destaca-se uma longa divisão panorâmica com 175 lugares para os estudantes trabalharem numa área de 140 metros quadrados; e ainda um anfiteatro com 72 lugares. No piso inferior, uma galeria de exposições onde agora se pode apreciar a evolução da obra em painéis fotográficos.

O projeto do centro académico partiu de um protocolo entre a Câmara de Lisboa, a Universidade de Lisboa e a McDonald"s. A cadeia norte-americana ficou com 23% do espaço total para um restaurante a troco de assegurar boa parte do financiamento da reabilitação do Caleidoscópio. O investimento total foi de 2,5 milhões de euros.

Por baixo, cheira a hambúrguer

A partir do hexágono, a forma do espaço, Pedro Oliveira criou os gabinetes que serão para as associações académicas. Numa visita guiada conduzida pelo arquiteto, Fernando Medina e o reitor António Cruz Serra aperceberam-se do cheiro a hambúrgueres que invadia lentamente um dos gabinetes. O restaurante McDonald"s já estava a funcionar...

Três estudantes olhavam com atenção os detalhes da sala de estudos, talvez prevendo longas maratonas de trabalho. Eram eles Manuel Talhinhas, presidente da associação de estudantes da Faculdade de Farmácia da UL, Pedro Labisa, vice-presidente para as relações internas, e Ana Bugalho, vice-presidente para as relações externas. "É sem dúvida um grande espaço que estava muito degradado. Muitos estudantes desconheciam que ele pertencia à universidade. Aqui há uns anos quando se começou a falar da reabilitação do edifício e de ter um espaço de restaurante pareceu-nos bem porque temos as nossas cantinas de ação social mas não são suficientes", comentou Manuel Talhinhas. "É também um espaço de estudo e de convivência de estudantes das várias faculdades de Lisboa e isso não havia", acrescenta. Manuel, Pedro e Ana lembraram também como a nova iluminação noturna no Jardim do Campo Grande acabou com o sentimento de "insegurança" que havia quando se caminhava na zona à noite. "A biblioteca da Faculdade de Farmácia fecha muito cedo, perto das 20.00, e tínhamos de ir para o Técnico ou para a de Letras. Agora temos esta sala de estudos sempre aberta e vai ser mais fácil para todos nós deslocarmo-nos para aqui", referiu Ana Bugalho.

A inauguração fechou ao toque da tuna debaixo da pala de um Caleidoscópio totalmente renascido.


Em: http://www.dn.pt/sociedade/interior/no-novo-caleidoscopio-as-salas-de-estudo-vao-estar-abertas-24-horas-5423116.html

.

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Técnico acolhe novo data center da ULisboa

Técnico acolhe novo data center da ULisboa integrado numa das “maiores infraestruturas digitais do Ensino Superior português” Campus Oeiras do Técnico será um dos dois polos da nova infraestrutura digital da Universidade de Lisboa, destinada a apoiar investigação, inovação e colaboração com empresas.  O Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, vai acolher um novo data center no Campus Oeiras, integrado num investimento superior a 20 milhões de euros da Universidade de Lisboa (ULisboa) para a criação de uma das “maiores infraestruturas digitais do Ensino Superior português”. Financiado pelo Programa Regional Lisboa 2030, o projeto visa dotar a Universidade de recursos avançados de computação e Inteligência Artificial, reforçando a capacidade de resposta às “crescentes exigências da investigação, da inovação e da colaboração com empresas”. A nova infraestrutura permitirá aumentar os recursos de processamento e armazenamento de dados científicos, criando melhores condições ...

Lisboa vai acolher novo centro de cibersegurança da Vodafone

Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal. Foto: Pedro Catarino A empresa vai contratar 40 especialistas em várias vertentes de cibersegurança para o centro de Lisboa. Esta instalação vai estar em constante comunicação com os "hubs" espalhados pelo mundo, nomeadamente Reino Unido e Índia.  A Vodafone escolheu a capital portuguesa para instalar o mais recente centro de cibersegurança. Lisboa, onde a empresa tem a sede em território nacional, vai receber o novo Global Cyber Centre, apoiando toda a evolução que se tem sentido no setor.  O objetivo deste centro estratégico, de acordo com comunicado da operadora de telecomunicações, é reforçar a segurança e resiliência das operações, redes e sistemas de todo o grupo.  A empresa não adiantou valores de investimento deste centro, apontando tratar-se de uma aposta a longo prazo por parte do grupo e que "reforça o papel de Portugal como polo de talento e inovação na área da cibersegurança". Este centro de cibersegurança vai empre...