Avançar para o conteúdo principal

Portugal tem "a mais alta taxa de IRC da Europa".




  • O que está em causa?
    Na apresentação do programa com que o partido Iniciativa Liberal concorre às próximas eleições legislativas, esta tarde em Lisboa, o líder Rui Rocha prometeu "baixar o IRC", para que Portugal deixe de cobrar "a mais alta taxa da Europa". Verificação de factos.

É o principal objetivo do Iniciativa Liberal desde a sua fundação em 2017 e nas eleições legislativas antecipadas de 2024 não será diferente: baixar os impostos. Em pleno "dia de reflexão" para as eleições regionais dos Açores que se realizam amanhã, contrariando o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), o partido liderado por Rui Rocha apresentou hoje, 3 de fevereiro, em Lisboa, o programa para as eleições legislativas de 10 de março, com destaque para as medidas de âmbito fiscal.

Ao discursar esta tarde na sessão realizada no Teatro Capitólio, Rocha assumiu o objetivo de colocar "Portugal a crescer" ao nível económico, desde logo com o impulso de uma redução dos impostos. "Vamos baixar o IRC", prometeu, sublinhando que se trata da "mais alta taxa da Europa" e que o Iniciativa Liberal pretende fixar nos 12% em geral - exceto para as grandes empresas multinacionais (com uma faturação anual superior a 750 milhões de euros) que, por imposição das regras da União Europeia, estão sujeitas a uma taxa mínima de IRC de 15%.

Neste âmbito, o líder dos liberais fez questão de apontar para um contraste em relação ao PS, declarando: "Pedro Nuno Santos assume que Portugal não vai crescer mais de 2% e diz que não vai mexer no IRS. Dizemos precisamente o contrário, vamos mexer no IRC e IRS, porque queremos melhores salários para portugueses e jovens portugueses."

Portugal tem "a mais alta taxa de IRC da Europa", como alegou Rocha?

De acordo com a última edição do relatório "Corporate Tax Statistics 2023" da OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, publicado a 21 de novembro de 2023 (pode consultar aqui), a taxa estatuária de IRC em Portugal é a sétima mais elevada, ao nível de 30%, juntamente com outros 18 países. No topo desta tabela destacam-se Malta e Colômbia, com uma taxa estatutária de 35%.

Embora a República de Malta não faça parte integrante da OCDE, não deixa de ser um país europeu e, aliás, membro da União Europeia. Contudo, no que respeita especificamente aos dados sobre Malta, os autores do relatório indicam que no sistema fiscal desse país há a possibilidade de obter uma restituição parcial do imposto pago, nos casos de empresas registadas em Malta que façam distribuição dos lucros pelos acionistas.

Por outro lado, o relatório da OCDE apresenta outros indicadores, nomeadamente a taxa média efetiva de IRC. Nesse indicador, Portugal está na 12.ª posição, com uma taxa de 28,4%. O único país europeu com uma taxa superior é novamente Malta, com 28,8%.

Em suma, teria sido mais rigoroso se tivesse dito que Portugal tem a segunda taxa de IRC mais elevada da Europa, superada apenas por Malta. No entanto, como a OCDE ressalva que o sistema fiscal em Malta possibilita uma restituição parcial do imposto pago, aceitamos como válida a alegação de Rocha, com base nos últimos dados conhecidos. 


Rui Rocha diz que Portugal tem "a mais alta taxa de IRC da Europa". Confirma-se? - Polígrafo (sapo.pt)


Comentários

Notícias mais vistas:

"Denúncia caluniosa" transformou sete semanas de sonho na vida de um empresário em vários anos de pesadelo

 João abriu uma empresa em Portugal no final de 2019 ligada à compra e venda de bitcoins. Cumpriu todas as regras, mas viu as contas bancárias bloqueadas. Suspeitas de burla e branqueamento deram origem a um processo que só foi arquivado em 2024. O Ministério Público admitiu no despacho final que houve “denúncia caluniosa” e que a empresa tinha procedimentos de segurança além dos exigidos por lei. O que é certo é que a empresa fechou por culpa de uma justiça lenta. A pessoa “é condenada antes de qualquer conclusão”, lamentou à CNN Portugal o empresário Nasceu no Brasil, mas reside na Alemanha há mais de uma década. João (nome fictício) sempre se sentiu atraído pelo mundo do trading e pelas novas tecnologias. Decidiu abrir uma empresa de compra e venda de criptomoedas em Portugal, mas o sonho transformou-se num pesadelo. A empresa apenas funcionou sete semanas, mas esteve quatro anos perdido entre a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP). Os montantes elevados de alguma...

Drones russos atingem dois navios civis no mar Negro

Drones russos atingiram dois navios civis com bandeira estrangeira no mar Negro na noite de quinta-feira, segundo as autoridades ucranianas. De acordo com Oleksii Kuleba, vice-primeiro-ministro ucraniano responsável pela Reconstrução, os drones atingiram um navio com bandeira de São Cristóvão e Neves e outro com bandeira panamiana, causando um morto e cinco feridos. Um dos marinheiros feridos está em estado crítico, adiantou Kuleba. "É mais uma prova de que a Rússia trava uma guerra contra a liberdade de navegação, o comércio internacional e a segurança alimentar global", escreveu. O governador da região ucraniana de Odessa, Oleh Kiper, afirmou que os navios já retomaram a marcha. Os ataques ocorreram numa vaga de ofensivas russas durante a noite em várias zonas da Ucrânia. Kiper acrescentou que ataques no sul da região de Odessa provocaram um incêndio num parque de camiões, que matou uma pessoa e feriu outras quatro. Pelo menos quatro pessoas ficaram ainda feridas noutro ata...

Calçada portuguesa mata mais em Lisboa: Carlos Moedas muda de passeios "progressivamente"

 Tese de doutoramento no ISCTE mostra que quedas no passeio estão na origem de muitas mortes por pneumonia Ricardo Antunes, sociólogo e doutorado em Sociologia, investigou as causas remotas de 1935 óbitos hospitalares: 944 em Lisboa e 991 em Beja. “Surpreendentemente, percebi que na capital há mais mortes por pneumonia”, relata à CNN Portugal. Essa constatação deixou-o surpreendido. “Como é que a região mais rica do país, com os hospitais mais diferenciados, os melhores técnicos e a melhor tecnologia de saúde, ainda tem tantos casos fatais de uma infeção respiratória como a pneumonia?”, questionou-se o sociólogo. Ao reconstruir a história clínica dos falecidos, encontrou um padrão. “As informações nos registos de saúde mostram, claramente, que um número significativo dessas vítimas tinha, na sua história recente, um episódio de queda na via pública”, relata o enfermeiro, que se doutorou em Sociologia no ISCTE, Instituto Universitário de Lisboa. Um dos capítulos da sua tese, sobre d...