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O caso da renda da avó de Mariana Mortágua



 Coordenadora Nacional do Bloco de Esquerda relatou um caso passado com a sua avó para atacar o PSD de Luís Montenegro. Mas há um contexto sobre a lei das rendas que não foi dado.


E eis que, a meio do debate desta terça-feira à noite com Luís Montenegro, Mariana Mortágua trouxe a sua avó:

“Eu lembro-me de uma lei das rendas, em que as pessoas idosas recebiam uma carta, e, se não respondessem durante 30 dias, a renda aumentava para qualquer valor e podiam ser expulsas. Eu vi idosos a serem expulsos, eu conheço o pânico que era receber uma carta do senhorio. Eu vi o sobressalto da minha avó ao receber cartas do senhorio, porque não sabia o que é que lhe ia acontecer, e essa foi uma responsabilidade do PSD, que esvaziou as cidades”.

A líder do Bloco de Esquerda refere-se ao Novo Regime de Arrendamento Urbano (NRAU) de 2012, que resultou das imposições da troika em 2011 e veio descongelar os contratos anteriores a 1990 e facilitar despejos de quem não pagasse. O NRAU haveria de sofrer várias alterações nos anos seguintes mas, basicamente, os senhorios podiam enviar cartas com aumentos de rendas antigas, dando ao inquilino 30 dias para responder.

Só que o NRAU tinha desde logo duas ressalvas: quem tivesse mais de 65 anos estava protegido de despejos e de aumentos significativos; quem tivesse menos de 65 anos e rendimentos inferiores a cinco salários mínimos (quase 2 500 euros mensais) beneficiara de um período de transição de cinco anos. Mais tarde, o período de transição cairia, aliás num governo PS já com apoio do Bloco de Esquerda.


Ou seja, ou a avó de Mariana Mortágua era jovem (tinha menos de 65 anos) quando recebeu a carta e ganhava mais de dois mil euros, ou estava muito mal informada pela sua própria neta deputada, ou então nunca foi nem expulsa nem confrontada com um aumento "para qualquer valor".


O caso da renda da avó de Mariana Mortágua - CNN Portugal (iol.pt)


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