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Ameaça quântica: Satoshi Nakamoto deixou um plano para salvar o Bitcoin



 Em 2010, o criador do Bitcoin antecipou os perigos que a computação quântica poderia trazer para o futuro da criptomoeda e apresentou sugestões para lidar com uma possível quebra do algoritmo de criptografia SHA-256.


Ameaça quântica: Satoshi Nakamoto deixou um plano para salvar o Bitcoin

Um novo avanço no campo da computação quântica deixou a comunidade de criptomoedas em alerta sobre a possibilidade de quebra do algoritmo de criptografia SHA-256 do Bitcoin BTC, comprometendo a integridade das chaves privadas e colocando os fundos dos usuários em risco.


Em 9 de dezembro, o Google apresentou ao mundo o Willow, um chip de computação quântica capaz de resolver, em menos de cinco minutos, problemas computacionais insolúveis para os supercomputadores mais avançados em uso nos dias de hoje.


Apesar do alarde, Satoshi Nakamoto, o visionário criador do Bitcoin, já antecipara a ameaça quântica e sugerira duas medidas para mitigá-la. Em uma postagem no fórum Bitcoin Talk em junho de 2010, Satoshi apresentou uma solução simples e urgente para garantir a integridade da rede em caso de uma quebra inesperada do SHA-256:


“Se o SHA-256 for totalmente quebrado, poderíamos chegar a um acordo honesto sobre o estado da blockchain antes do início dos problemas, bloqueá-la e continuar a partir daí com uma nova função hash.”


Caso os avanços na computação quântica sejam progressivos e previsíveis, a transição poderia ser programada previamente pelos desenvolvedores:


“Se a quebra do hash for gradual, poderíamos fazer a transição para um novo hash de forma ordenada. O software seria programado para começar a usar um novo hash após um determinado número de bloco. Todos teriam que fazer a atualização até esse momento.  O software poderia salvar o novo hash de todos os blocos antigos para garantir que um bloco diferente com o mesmo hash antigo não pudesse ser usado.”


Perigos da ameaça quântica

Embora represente um avanço notável em termos de processamento computacional, o Willow não chega a ser uma ameaça para o Bitcoin. Pelo menos no curto prazo.


O Bitcoin utiliza dois tipos de criptografia para proteção de dados privados, como explicou o empreendedor Ben Sigman em uma postagem no X : o algoritmo de assinatura digital de curva elíptica ECDSA 256 e o algoritmo de hash seguro SHA-256. O ECDSA é o algoritmo de assinatura digital usado no Bitcoin para proteger chaves privadas e autenticar transações. 


Além de garantir a integridade dos dados da rede, o SHA-256 também é um componente central do mecanismo de prova de trabalho do Bitcoin, criando os hashes criptográficos no processo de mineração da criptomoeda.


Com uma capacidade de processamento de 105 qubits, o Willow ainda está longe de ter poder computacional suficiente para ameaçar os algoritmos do Bitcoin, afirmou Sigman:


“O ECDSA 256 é vulnerável ao algoritmo de Shor, mas quebrá-lo requer uma capacidade de processamento de 1.000.000 qubits. O SHA-256 é ainda mais difícil – requer uma abordagem diferente (algoritmo de Grover) e milhões de qubits para representar uma ameaça real.”


Embora a integridade da rede esteja a salvo por enquanto, Charles Edwards, fundador do fundo de hedge de criptomoedas Capriole Investments, afirmou em uma postagem no X que a ameaça quântica é real e deve ser levada a sério:


“Sem atualizações, a Computação Quântica quebrará o Bitcoin. A ameaça é real. Muitos estudos concordam que a ameaça da Computação Quântica ao Bitcoin está entre 5 a 10 anos de distância.”


Edwards sugere que a comunidade do Bitcoin deve seguir a segunda recomendação de Satoshi para desenvolver um algoritmo de criptografia à prova de computação quântica, pois o processo de transição demandará um tempo razoável para ser concluído:


“Na melhor das hipóteses, uma vez que tenhamos chegado a um acordo sobre a atualização da criptografia do Bitcoin para torná-la à prova de Computação Quântica, provavelmente levará um ano apenas para que todos (ou a maioria) passem a usá-la, reduzindo ainda mais o tempo hábil que temos para agir.”


Emin Gün Sirer, fundador e CEO da Ava Labs, levantou preocupações sobre a segurança dos mais de 1 milhão de BTCs minerados por Satoshi nos primeiros estágios de desenvolvimento do Bitcoin.


O formato de transação mais antigo do Bitcoin, pay-to-public-key (P2PK), expõe as chaves públicas dos usuários na blockchain. Segundo Sirer, as transações P2PK poderiam ser vulneráveis a computadores quânticos capazes de derivar chaves privadas a partir de chaves públicas, conforme noticiou recentemente o Cointelegraph Brasil.


Atualmente, o Bitcoin utiliza um formato de transação intitulado outputs pay-to-public-key-hash (P2PKH) que oculta as chaves públicas envolvidas nas transações efetuadas na rede.


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