Avançar para o conteúdo principal

Governo autoriza prospecção de petróleo no Algarve

Autorização para procurar petróleo no Algarve “é no mínimo estranha”

A Quercus alerta que a autorização do Governo para o consórcio Eni-Galp realizar procurar petróleo no mar de Aljezur é “no mínimo estranha”. A associação ambientalista faz parte da plataforma que pediu uma reunião com carácter de urgência ao Governo para falar sobre a questão.

A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) anunciou esta segunda-feira que solicitou ao Governo uma reunião “com caráter de urgência”, após tomar conhecimento da emissão de uma licença para um concessionário realizar um furo no mar de Aljezur.

João Branco, da Quercus, afirmou à Rádio Renascença que “tudo isto foi feito assim meio às escondidas. Porque a autorização foi dada, mas não foi tornada pública. Acabou por se saber porque isso acabou por ser denunciado no Parlamento”.

“Quanto a nós, é uma situação no mínimo estranha, porque houve um processo de consulta pública no qual 42 mil pessoas se manifestaram contra a exploração de petróleo nessa zona. E, portanto, a questão é: para que servem as consultas públicas?“, lamenta João Branco.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a PALP defendeu que esta licença para o consórcio Eni-Galp proceder ao furo em Aljezur “torna-se mais grave porque o Governo tem fundamentos legais para extinguir contratos e não o faz”.

Composta por cerca de duas dezenas de associações ambientalistas e de defesa do património, a Plataforma recordou que, em dezembro de 2016, foi noticiado “um eventual cancelamento dos contratos de prospeção e exploração de petróleo no Algarve”, mas esclareceu que, “no fim, apenas três contratos ficaram comprometidos, quando existem nove na região [do Algarve] e um total de 15 no país”.

Rescisões anunciadas

A PALP lembrou que, a 7 de dezembro, o secretário de Estado da Energia emitiu um despacho a indicar que foram “rescindidos os contratos de concessão para pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo nas áreas designadas por ‘Aljezur’ e ‘Tavira’, onshore, no Algarve”, entre o Estado e o consórcio Portfuel.

Na mesma data, o governante “determinou o início do processo de execução das cauções prestadas pelo consórcio constituído pelas empresas Repsol Exploration, S.A. e Partex (Iberia), S.A.” por “existir uma situação de incumprimento não justificado do plano de trabalhos para 2016”, acrescentou.

Contudo, na semana passada, a Plataforma tomou conhecimento de que “a Direção Geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM) emitiu uma licença Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo Nacional (TUPEM), no dia 11 de janeiro, para o consórcio Eni-Galp realizar uma sondagem a grande profundidade no mar em frente a Aljezur, furo a que se tinham oposto formalmente mais de 42 mil cidadãos e instituições, em sede de consulta pública”.

“A PALP continuará a pedir a rescisão de todos os contratos e a exigir seriedade em todo este processo”, garantiu a Plataforma, frisando que “três contratos em terra (onshore) no Algarve foram rescindidos pelo Governo”, mas “os contratos em mar (offshore) estão todos em vigor” e “abrangem toda a costa sul, toda a costa vicentina e a maior parte do litoral alentejano”.

A estrutura considera que esta situação “torna-se mais grave porque o Governo tem fundamentos legais para extinguir contratos e não o faz” e porque foram apresentadas mais de 40 mil objeções na fase de consulta pública.

A Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA) também divulgou um comunicado a criticar a licença concedida ao consórcio Eni-Galp para proceder ao furo no mar de Aljezur, manifestando “total surpresa e desacordo” pela concessão da licença e garantindo que continuará a opor-se a este tipo de exploração.

http://zap.aeiou.pt/autorizacao-procurar-petroleo-no-algarve-no-minimo-estranha-147414

Comentários

Notícias mais vistas:

"Este Governo acabou com o arrendamento forçado" e agora cria "a venda forçada" de casas - "não faz sentido" ou será que sim?

  Pode um herdeiro obrigar os restantes a vender a casa dos pais? O Governo quer que sim - com nuances. Em termos constitucionais, a medida "não é uma hipótese aberrante ou absurda". Nos demais termos - a medida está a causar celeuma Depois da descida para 10% no IRS dos senhorios e da redução do IVA da construção para 6%, o Governo tem  duas novas medidas de combate à crise da habitação : tornar os despejos mais céleres e desbloquear imóveis presos em heranças indivisas. Ambos os diplomas foram aprovados, esta quinta-feira, em conselho de ministros, com o objetivo de colocar mais casas no mercado. A ideia do Executivo é simples: resolver e facilitar pendências com o propósito de aumentar a oferta de modo a que o preço por metro quadrado e das rendas baixe. Para a economista Vera Gouveia Barros, especialista em habitação, "é bastante difícil" antever os impactos reais destas duas medidas sem que se tenha uma proposta legislativa elaborada. A economista diz, no entan...

Ucrânia acusa Hungria de fazer sete funcionários de banco ucraniano reféns em Budapeste

 Kiev acusa as autoridades húngaras de terem raptado sete funcionários do Oschadbank da Ucrânia, e terem apreendido uma grande quantidade de dinheiro e ouro. Uma nova escalada numa amarga disputa diplomática entre Orbán e Zelenskyy. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia acusou na quinta-feira a Hungria de fazer sete funcionários de um banco ucraniano reféns em Budapeste, num momento de elevada tensão entre os dois países. "Em Budapeste, as autoridades húngaras fizeram sete cidadãos ucranianos reféns. Os motivos permanecem desconhecidos, assim como o seu estado de saúde atual", escreveu Andriy Sybiga. Segundo o chefe da diplomacia ucraniana, os detidos são "funcionários do banco estatal Oschadbank que operavam dois veículos do banco em trânsito entre a Áustria e a Ucrânia, transportando dinheiro". "Trata-se de terrorismo e de extorsão patrocinada pelo Estado" perpetrada pela Hungria, denunciou o ministro, afirmando já ter enviado uma nota oficial ...

Filhos de Donald Trump investem em startup de drones que quer usar tecnologia ucraniana

  Foto: Instagram @powerus_ Os filhos do presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump , estão apoiando um novo fabricante de drones chamado Powerus, uma startup que pretende integrar tecnologia desenvolvida na Ucrânia em seus sistemas. A informação foi divulgada pelo  The Wall Street Journal . A empresa, fundada em 2025 em  West Palm Beach , na Flórida, planeja abrir capital na Nasdaq em breve. O movimento deve ocorrer por meio de uma fusão com a holding Aureus Greenway, que possui vários campos de golfe no estado da Flórida. Entre os acionistas da  Aureus Greenway  estão o fundo de investimentos da família Trump, American Ventures, a empresa Unusual Machines — onde Donald Trump Jr. atua como acionista e membro do conselho consultivo — e o banco de investimentos Dominari Securities, também ligado à família Trump. Foto: Instagram @powerus_ Segundo Andrew Fox, CEO da Powerus, a estratégia de fusão reflete a aposta em um setor com forte crescimento global. “O ...