Avançar para o conteúdo principal

É por isto que nunca vês anúncios da Tesla na TV! Sabias?



 A Tesla adora dizer que não faz publicidade. Não vês anúncios da Tesla na TV, não apanhas intervalos cheios de Model Y ou Cybertruck em horário nobre, não há campanhas “tradicionais” como as dos outros construtores. Mas isso não quer dizer que não exista publicidade Tesla. Muito pelo contrário. Às vésperas da reunião anual de acionistas de 6 de novembro de 2025, a marca começou a mostrar vídeos nas redes sociais que pareciam um anúncio normal de automóvel: imagens bonitas, carros a desfilar, música épica. Só que havia um truque: aquilo não era para vender carros. E, se não fores acionista, nem era para ti.


No fim, a mensagem era outra

Um apelo direto aos investidores para “seguirem as recomendações do conselho em todas as propostas” e aprovarem o pacote de compensação de Elon Musk, avaliado em cerca de 1 bilião de dólares. Funcionou: cerca de 75% dos votos foram a favor. Ou seja, o “não fazemos publicidade” tem muitas aspas.


tesla model y 2025: um dos carros que mais vende... voltou!


O “anúncio” que não era anúncio: marketing só para acionistas

Esta jogada da Tesla mostra bem como a marca pensa diferente. Em vez de gastar milhões num anúncio no intervalo do Super Bowl para convencer pessoas a comprar um carro, gastou o dinheiro onde realmente lhe interessava naquele momento: em vídeos direccionados para quem tem ações.


À superfície, o formato é o mesmo de qualquer campanha: vídeo polido, argumentos emocionais, storytelling. Mas o “produto” não era um Model 3 ou um Cybertruck. Era a ideia de que Elon Musk merece um pacote de compensação de outro planeta e que os acionistas deviam carregar em “aprovar”.


É publicidade? Claro que é. Mas é publicidade cirúrgica, orientada para poder e dinheiro, não para o consumidor comum que só quer saber se o carro carrega rápido e tem boa autonomia.


tesla model 3 (2025): sem piscas e sem mudanças?


“Odeio publicidade”… até ser dono de uma rede social

Durante anos, Musk repetiu a mesma frase: “Odeio publicidade”. Fazia quase parte do ADN da Tesla. Enquanto outras marcas despejavam milhões em TV, outdoors e patrocínios, a Tesla orgulhava-se de gastar esse dinheiro em engenharia, tecnologia e melhorias de produto.


A filosofia era simples: se o carro for realmente bom, as pessoas falam dele. E se o teu CEO é uma figura com mais de 200 milhões de seguidores numa rede social, cada tweet vira manchete. Para quê pagar um anúncio quando o teu fundador consegue capas de jornal de graça?


Mas em 2023 a conversa mudou um bocadinho. Já como dono do Twitter (hoje X), Musk teve de engolir parte do discurso. Numa assembleia de acionistas, um investidor perguntou-lhe se a Tesla não devia finalmente experimentar publicidade paga. Musk, meio a brincar, meio a sério, respondeu que agora tinha de dizer que “a publicidade é fantástica e toda a gente devia fazê-la”. E acabou por admitir: talvez fosse boa ideia mostrar Tesla a pessoas que não são fãs hardcore e não seguem as contas da marca.


Tesla fez anúncios. Não gostou. E desmontou a equipa.

Daí até à experiência foi um salto. A Tesla começou a testar anúncios em vídeo no YouTube, campanhas discretas no Facebook e até anúncios em páginas de pesquisa Google. Imagens bonitas, mensagens genéricas, aquele tipo de publicidade que podia ser de qualquer construtor.


O problema é que… isso era precisamente o que Musk detestava. Poucos meses depois, o pequeno departamento de marketing que a Tesla tinha montado nos EUA foi basicamente desfeito. Quando alguém criticou os anúncios no X, Musk respondeu sem rodeios: eram genéricos demais, podiam ser de qualquer carro.


Resultado: a Tesla voltou à sua zona de conforto. Pouca publicidade paga, zero televisão, marketing “clássico” quase inexistente. E, mesmo assim, toda a gente fala da marca.


O verdadeiro anúncio da Tesla chama-se Elon Musk

A Tesla não precisa de 30 segundos no intervalo do jogo do ano. Tem algo bem mais poderoso: atenção constante.


A conta oficial da marca no X publica vídeos, atualizações, clipes de modelos como o Model Y e novidades de software. Elon Musk publica piadas, polémicas, anúncios de novos produtos, promessas sobre carros que ainda nem existem… e tudo isso chega, em segundos, a centenas de milhões de pessoas.


Depois tens os donos de Tesla: enchem TikTok, X, Instagram e YouTube com reviews, experiências, testes de autonomia, viagens, bugs, momentos bizarros com o Autopilot. É publicidade gratuita, feita por quem já pagou pelo produto e continua a falar dele todos os dias.


Junta a isto o programa de referências, eventos, demonstrações de condução autónoma, entregas em massa transmitidas em direto e toneladas de cobertura mediática, positiva e negativa. Mesmo quando é para criticar, a Tesla continua no centro da conversa. E isso, em marketing, vale ouro.


O risco da estratégia: quando o “anúncio humano” também afasta clientes

Há, no entanto, um lado perigoso em ter um único “superanúncio” ambulante: Elon Musk. A imagem da Tesla está tão colada à dele que cada tweet polémico, cada tomada de posição política e cada guerra pública tem impacto direto na perceção da marca.


(ensaio) tesla model y - É um sucesso de vendas. porquê? rascnho


Investigadores de Yale estimaram que a Tesla pode ter perdido mais de um milhão de vendas de carros elétricos nos EUA por causa da postura polarizadora de Musk. Quando o CEO é amado e odiado em proporções iguais, isso reflete-se também nos carros.


No fim, a Tesla continua a ser a marca que “não faz anúncios de TV”, mas que consegue transformar cada movimento do seu CEO e cada vídeo nas redes numa campanha global. E, se for preciso garantir um pacote de compensação de biliões, aí sim: não há problema nenhum em ligar o motor da publicidade nem que seja só para os acionistas verem.


É por isto que nunca vês anúncios da Tesla na TV! Sabias? | Leak


Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

OpenAI deixa alerta após agentes de IA acederem a sites do governo dos EUA

 A OpenAI afirma ter alertado “dezenas” de instituições por todo o mundo de que os seus sites podem ter sido alvo de acessos indevidos por parte de bots de inteligência artificial (IA). Entre as entidades visadas estão organismos do governo norte-americano, universidades e agências públicas. A empresa OpenAI explicou que os agentes de inteligência artificial foram desenvolvidos e treinados para operar de forma maioritariamente autónoma, tendo como objetivo encontrar “fontes confiáveis de informação pública”. No entanto, alguns terão ultrapassados limites e tentado contornar as medidas de segurança existentes nos sites. Entre as instituições que os bots tentaram aceder estão a Securities and Exchange Commission (SEC), agência federal independente dos Estados Unidos responsável pela regulação dos mercados financeiros e pela proteção dos investidores, o Census Bureau, principal agência estatística do país, e o Departamento de Educação, responsável por matérias relacionadas com a educa...

Lei do arrendamento aprovada na generalidade

 Abstenção do Chega foi suficiente para alterar o regime de arrendamento urbano. Acordo trouxe algumas alterações à proposta de lei. A proposta de lei do Governo para alterar o regime de arrendamento urbano foi aprovada na generalidade no parlamento, devido à abstenção do Chega, após o Governo ter manifestado disponibilidade para negociar “melhorias” na especialidade. O documento foi aprovado na generalidade com os votos favoráveis do PSD, IL, CDS-PP, a abstenção do Chega e contra do PS, Livre, PCP, PAN, JPP e BE, tendo as restantes iniciativas dos partidos sobre este tema sido todas rejeitadas. O presidente do Chega e o líder parlamentar do PSD assinaram um acordo para introduzir, na discussão na especialidade, alterações ao pedido do Governo para rever o Novo Regime do Arrendamento Urbano. “Tendo o Governo apresentado na Assembleia da República proposta para alterar a legislação em matéria de arrendamento urbano e tendo o Chega apresentado vários dos elementos constantes da mesma...