Avançar para o conteúdo principal

Cientistas anunciam achado impressionante: uma forma de vida até então desconhecida



 Durante mais de uma década, em um laboratório discreto na República Tcheca, um pequeno universo esperou em silêncio para ser revelado. Os cientistas estavam convencidos de que estudavam apenas alguns ciliados marinhos recolhidos na costa da Croácia. Nada indicava que, por trás daquela rotina aparentemente monótona, se escondia uma forma de vida inédita, tão radicalmente diferente que pode até reorganizar aquilo que chamamos de “árvore da vida” e reescrever o que sabemos sobre a evolução na Terra.


A história começou com um acidente. Os ciliados – organismos resistentes e muito comuns em pesquisas – morreram de forma repentina. Quando desapareceram, deixaram exposto um hóspede silencioso: um ser minúsculo, estranho, com uma silhueta em forma de estrela, descrito pelos investigadores como um “pequeno sol biológico”. Ficou claro rapidamente que não era um parasita trivial nem uma simples contaminação: tratava-se de algo novo.


Essa forma de vida foi batizada de Solarion arienae, em homenagem a O Silmarillion, obra póstuma de J. R. R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis). No livro, surge a personagem Arien, aquela que “carrega o vaso do sol”.


Segundo o ScienceAlert, Solarion arienae pode ter permanecido escondido durante anos. Mesmo em culturas analisadas com grande cuidado, “provavelmente passaria despercebido em amostras naturais”. Essa revelação, quase de filme, marcou o início de uma descoberta que tem surpreendido a comunidade científica internacional.


Um organismo cheio de surpresas

Só depois de uma análise genética minuciosa foi possível perceber a dimensão do achado. Solarion arienae é um eucarioto com núcleo e mitocôndrias, pertencendo à mesma grande família celular que humanos, plantas e fungos. No entanto, a sua arquitetura genética não se encaixa confortavelmente em nenhuma categoria conhecida. O seu DNA e, sobretudo, as suas mitocôndrias exibem características tão primitivas que parecem um vestígio vivo dos primeiros passos da vida complexa.

É como viajar no tempo até um ponto remotíssimo da nossa história biológica.


Um dos aspetos mais fascinantes é a presença do gene secA dentro das mitocôndrias, algo extremamente raro. Esse gene é uma relíquia evolutiva: o eco de um tempo em que as mitocôndrias eram organismos independentes, antes de se tornarem estruturas internas das células. O simples fato de ainda existir reforça a teoria da endossimbiose e oferece uma janela para processos que ocorreram há mais de mil milhões de anos.


Pode parecer um vocabulário demasiado técnico para quem é leigo, mas por trás dessas palavras esconde-se uma realidade cativante: um microrganismo inesperado abriu uma porta para avanços novos e potencialmente decisivos.


De acordo com o ScienceAlert, esta descoberta pode justificar a criação de um reino totalmente novo na árvore da vida, assim como de um filo próprio. O seu único parente conhecido seria Meteora sporadica, outro protista enigmático. Juntos, formariam uma linhagem mais ampla que ainda não recebeu um nome definitivo.


Como resumiu um dos cientistas citados pelo ScienceAlert: “O aparecimento de Solarion é um lembrete impressionante de como ainda sabemos pouco sobre a diversidade da vida microbiana.” Em termos simples: aquilo que julgamos conhecer do nosso planeta é apenas uma fração do que realmente existe.


Descobrir ainda é possível

Para além do impacto científico, esta descoberta traz uma ressonância filosófica inesperada. Os investigadores não procuravam um novo reino biológico; limitavam-se a observar o que acreditavam ser um pequeno ecossistema controlado.


Cada descoberta deste tipo é um convite à humildade científica. Se um organismo capaz de abalar os fundamentos da biologia moderna consegue ficar escondido durante treze anos num simples frasco de laboratório, quantas outras formas de vida desconhecidas não estarão à espera, nos oceanos, nas profundezas do solo, em ambientes que mal começámos a explorar?


Solarion arienae surge para nos lembrar que a Terra continua a ser, em grande medida, um planeta inexplorado. Que mesmo o quotidiano pode conter o extraordinário. E que a vida, em todas as suas formas, nunca deixa de nos surpreender.


Cientistas anunciam achado impressionante: uma forma de vida até então desconhecida


Comentários

Notícias mais vistas:

TAP: quo vadis?

 É um erro estratégico abismal decidir subvencionar uma vez mais a TAP e afirmar que essa é a única solução para garantir a conectividade e o emprego na aviação, hotelaria e turismo no país. É mentira! Nos últimos 20 anos assistiu-se à falência de inúmeras companhias aéreas. 11 de Setembro, SARS, preço do petróleo, crise financeira, guerras e concorrência das companhias de baixo custo, entre tantos outros fatores externos, serviram de pano de fundo para algo que faz parte das vicissitudes de qualquer empresa: má gestão e falta de liquidez para enfrentar a mudança. Concentremo-nos em três casos europeus recentes de companhias ditas “de bandeira” que fecharam as portas e no que, de facto, aconteceu. Poucos meses após a falência da Swissair, em 2001, constatou-se um fenómeno curioso: um número elevado de salões de beleza (manicure, pedicure, cabeleireiros) abriram igualmente falência. A razão é simples, mas só mais tarde seria compreendida: muitos desses salões sustentavam-se das assi...

Os professores

 As últimas semanas têm sido agitadas nas escolas do ensino público, fruto das diversas greves desencadeadas por uma percentagem bastante elevada da classe de docentes. Várias têm sido as causas da contestação, nomeadamente o congelamento do tempo de serviço, o sistema de quotas para progressão na carreira e a baixa remuneração, mas há uma que é particularmente grave e sintomática da descredibilização do ensino pelo qual o Estado é o primeiro responsável, e que tem a ver com a gradual falta de autoridade dos professores. A minha geração cresceu a ter no professor uma referência, respeitando-o e temendo-o, consciente de que os nossos deslizes, tanto ao nível do estudo como do comportamento, teriam consequências bem gravosas na nossa progressão nos anos escolares. Hoje, os alunos, numa maioria demasiado considerável, não evidenciam qualquer tipo de respeito e deferência pelo seu professor e não acatam a sua autoridade, enfrentando-o sem nenhum receio. Esta realidade é uma das princip...

ADSE muda regras dos óculos: reembolso passa a ter limite anual de 180 euros

 A ADSE vai alterar as regras de reembolso dos óculos, introduzindo um teto anual de 180 euros no regime livre, mantendo a comparticipação de 80%. Deixa assim de haver limites quanto ao número de armações e lentes, que até agora eram definidos por períodos de três anos. As mudanças abrangem também exames e cirurgias, com revisão da tabela de preços da radiologia e da gastroenterologia e inclusão de novos atos, sobretudo TAC e ressonâncias magnéticas, permitindo acesso a técnicas mais avançadas sem aumento dos encargos para os beneficiários, segundo avançou o ECO. As alterações terão um impacto orçamental estimado em 15,4 milhões de euros por ano para a ADSE, sistema de proteção na doença da função pública. A revisão das tabelas de preços abrange cerca de 200 atos médicos e inclui mais de uma centena de novos códigos, sobretudo na área da radiologia, com o objetivo de atualizar os valores de referência e alargar o acesso a cuidados mais diferenciados. ADSE muda regras dos óculos: re...