Avançar para o conteúdo principal

A ADSE vai falir?


O subsistema de saúde dos funcionários públicos é sustentável… se rapidamente forem tomadas medidas que revertam a situação de insustentabilidade. De acordo com o Tribunal de Contas, o instituto está numa rota de prejuízos e entrará em défice no próximo ano. “Se nada for feito”, vai ter um défice anual já a partir de 2020 (17 milhões de euros) e os excedentes acumulados vão esgotar-se em 2026

Quais são as medidas urgentes?

Alargar o leque de beneficiários é uma prioridade, como frisa o TdC, numa recomendação que, há muito tempo, ecoa pelas vozes do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE, das associações de beneficiários, dos próprios órgãos de gestão do organismo. A este respeito, o tribunal liderado por António Martins frisa que “apesar da existência, desde 2015, de um estudo atuarial sobre o alargamento da ADSE a novos universos de quotizados [aos contratos individuais de trabalho em funções públicas, por exemplo], e da apresentação, pelas entidades gestoras da ADSE, de diversas propostas, o alargamento não foi ainda objeto de decisão pelas Finanças e Saúde”. Segundo estimativas da direção, o alargamento teria tido efeitos positivos de €53 milhões em 2017 e 2018. “A ausência de decisão terá prejudicado a ADSE” nesse montante, conclui o TdC.

O problema é o envelhecimento dos beneficiários?

Desde 2014 que a ADSE é financiada a 100% pelos beneficiários (funcionários públicos no ativo e aposentados), que descontam 3,5% dos vencimentos (14 vezes) para ter acesso ao subsistema. Ora, não tem havido contratações para o Estado e o universo dos trabalhadores em funções públicas está a envelhecer. Quanto mais idosos, mais despesa de saúde é gerada, e, além disso, a reforma tem um valor menor do que o salário, ou seja, o desconto é menor (menos receita para a ADSE). “Entre 2013 e 2017, o universo de beneficiários da ADSE envelheceu, sendo que nada se fez para contrariar esta tendência”, menciona o TdC, e destaca “o decréscimo de cerca de 42% no número de beneficiários com idades compreendidas entre os 30 e os 40 anos”.

Basta alargar a ADSE a quotizados mais jovens?

Não. O TC frisa que, tal como tem vindo a ser sinalizado pelos representantes dos beneficiários e órgão de supervisão, são necessárias mais medidas de controlo e racionalização da despesa — “através de medidas devidamente quantificadas e suportadas em estudos (custo-benefício), o que atualmente não ocorre” —, uma melhor gestão da ADSE e reforma do seu modelo de administração — que deve ter “a participação efetiva dos beneficiários titulares” —, e a ADSE deve receber do Estado o dinheiro gasto em encargos que não deviam ser da sua responsabilidade, como transporte de utentes no âmbito de cuidados prestados pelo sistemas nacional e regional de saúde, entre outras despesas.

https://www.msn.com/pt-pt/financas/poupanca/descodificador-a-adse-vai-falir/ar-AAJLlfe

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Foi lançado o AMALIA, o primeiro LLM português

 O Técnico Innovation Center recebeu, no dia 1 de julho, a apresentação oficial do AMALIA, o primeiro Modelo de Linguagem de Grande Escala português. No projeto, os professores do DEI André Martins e Alberto Abad coordenaram duas equipas de investigação responsáveis pelo desenvolvimento do modelo. A equipa coordenada por André Martins foi responsável pela coordenação e desenvolvimento do modelo central do AMALIA, que permite gerar respostas textuais precisas e contextualizadas. A equipa coordenada por Alberto Abad foi responsável pela integração multimodal da linguagem falada, permitindo ao modelo não só interpretar texto, mas também receber e processar instruções faladas. Desenvolvido por um consórcio nacional de instituições académicas e de investigação, o AMALIA foi concebido para compreender e gerar conteúdos em português europeu. O modelo representa um marco no reforço da investigação e da autonomia tecnológica em Inteligência Artificial em Portugal. Foi lançado o AMALIA, o pr...

Dez países europeus criam “escudo” antimíssil — e dão à Ucrânia um papel decisivo na defesa do continente

 Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques Dez países europeus, entre os quais Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, anunciaram a criação de uma coligação destinada a desenvolver uma arquitetura integrada de defesa contra mísseis balísticos, aproveitando a experiência adquirida pela Ucrânia desde o início da invasão russa. Segundo o ’20 Minutos’, a Coligação Antimísseis Balísticos é apresentada pelos países fundadores como uma iniciativa “puramente defensiva”, destinada a responder ao aumento das ameaças e a reforçar a capacidade europeia para detetar, intercetar e neutralizar ataques. A aliança reúne Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido. A futura estrutura deverá complementar os sistemas já utilizados pelos vários países...