Avançar para o conteúdo principal

Supremo “decretou o fim da democracia” na Venezuela

A Organização de Estados Americanos denunciou esta quinta-feira que na Venezuela está em curso um “autogolpe de Estado” perpetrado pelo regime venezuelano contra a Assembleia Nacional, “o último poder do Estado legitimado pelo voto popular”, que “termina com a democracia”.

Isto é “um golpe de Estado“. É assim que o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Julio Borges, qualifica a ação do Supremo Tribunal, que decidiu assumir as funções da assembleia, dominada pela oposição ao presidente Nicolás Maduro.

Para os opositores, trata-se de uma tentativa de Maduro de instaurar uma ditadura.

“São decisões contra o povo que votou pela mudança no país. O supremo tribunal acredita que pode pisar em cima do povo venezuelano. Em nome do povo deste país, quero mostrar o que é que esta decisão significa para nós: lixo, apenas isso”, disse Borges, enquanto rasga a sentença .

A ação do Supremo venezuelano foi condenada dentro e fora do país. O antigo presidente chileno Sebastián Piñera e os governos do Brasil e da Colômbia mostraram-se contra o que dizem ser um passo perigoso em direção à ditadura.

“Aquilo que temos advertido, lamentavelmente tem-se concretizado”, explica por seu turno Luís Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos, OEA, em comunicado.

O comunicado revela a posição da OEA em relação à sentença divulgada horas antes pelo Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (STJ), em que aquele organismo anunciava que assumia os poderes e competências do parlamento.

“Enquanto persistir o desacato à justiça e a invalidade da Assembleia Nacional, os poderes parlamentares serão exercidos diretamente pela câmara constitucional do Tribunal Supremo ou pelo órgão que esta estipular para salvaguardar o Estado de direito”, segundo a decisão publicada pelo tribunal na noite de quarta-feira.

Na terça-feira, o STJ ordenou ao Presidente Nicolás Maduro que defina limites para a imunidade parlamentar, face ao que considera serem “ações que atentam contra a independência e soberania nacional”.

Segundo a OEA, o STJ tem ditado decisões que despojam os deputados venezuelanos da imunidade parlamentar e “contrariando toda a disposição constitucional, se atribui as funções desse poder, num procedimento que não conhece nenhuma das mais elementares garantias de um devido processo”.

O comunicado recorda que a 27 de março o STJ declarou inconstitucionais os acordos legislativos, classificando-os como atos de traição à pátria, por respaldarem a ativação da Carta Democrática Interamericana, instrumento jurídico que a Venezuela “foi o primeiro país a solicitar, em 2002, altura do afastamento temporário de Hugo Chávez do poder”.

A 29 de março, explica a OEA, o STJ declarou a “situação de desacato e de invalidade das atuações da Assembleia Nacional, de forma que não conhece respaldo constitucional, nem as atribuições” do parlamento e que “viola a separação de poderes que a Constituição exige que seja respeitada por todos os juízes, que devem garantir a sua integridade”.

O documento lembra que a Venezuela assumiu, soberanamente, normas internacionais, regionais e universais de “obrigatório cumprimento” e que reafirmam o respeito pela separação de poderes, a proteção dos direitos dos cidadãos e a defesa do sistema democrática e do estado de direito.

As duas sentenças do STJ, explica, despojam as imunidades parlamentares dos deputados e faz com que o tribunal “assuma o poder legislativo em forma completamente inconstitucional”. “São os últimos golpes com os quais o regime subverte a ordem constitucional do país e termina com a democracia”, sublinha.

Segundo a OEA, “assumir a restauração da democracia é uma tarefa de todos” pelo que “é hora de trabalhar unidos no hemisfério para recuperar a democracia na Venezuela, povo com o qual todos temos dívidas que nos obrigam a atuar sem demoras”. “Calar perante uma ditadura é a indignidade mais baixa na política”, sublinha.

O documento conclui afirmando que é urgente a convocatória de um novo Conselho Permanente e que “a Carta Democrática Inter-americana deveria ter sido ativada com rigorosidade para não lamentar outro golpe de Estado no hemisfério”.

https://zap.aeiou.pt/esta-curso-um-autogolpe-estado-na-venezuela-154460

Comentários

Notícias mais vistas:

J.K. Rowling

 Aos 17 anos, foi rejeitada na faculdade. Aos 25 anos, sua mãe morreu de doença. Aos 26 anos, mudou-se para Portugal para ensinar inglês. Aos 27 anos, casou. O marido abusou dela. Apesar disso, sua filha nasceu. Aos 28 anos, divorciou-se e foi diagnosticada com depressão severa. Aos 29 anos, era mãe solteira que vivia da segurança social. Aos 30 anos, ela não queria estar nesta terra. Mas ela dirigiu toda a sua paixão para fazer a única coisa que podia fazer melhor do que ninguém. E foi escrever. Aos 31 anos, finalmente publicou seu primeiro livro. Aos 35 anos, tinha publicado 4 livros e foi nomeada Autora do Ano. Aos 42 anos, vendeu 11 milhões de cópias do seu novo livro no primeiro dia do lançamento. Esta mulher é JK Rowling. Lembras de como ela pensou em suicídio aos 30 anos? Hoje, Harry Potter é uma marca global que vale mais de $15 bilhões. Nunca desista. Acredite em você mesmo. Seja apaixonado. Trabalhe duro. Nunca é tarde demais. Esta é J.K. Rowling. J. K. Rowling – Wikipédi...

O fim do dinheiro físico: estamos a um apagão de perder tudo?

Primeiramente, estamos a caminhar a passos largos para uma dependência quase total das infraestruturas digitais no nosso dia a dia. Quando pagas um simples café com o smartphone ou com o cartão, dependes da bateria do teu equipamento, da qualidade da rede da tua operadora, dos servidores do teu banco e das plataformas de processamento de pagamentos. Consequentemente, se apenas um destes elos falhar, a transação não acontece e o sistema cai por terra. O fim do dinheiro físico pode levar-nos a perder tudo num apagão? Fim do dinheiro físico: o cerco cada vez mais apertado às notas e moedas Além disso, a legislação europeia e nacional está a apertar o cerco ao uso de dinheiro vivo, o que acelera esta transição para o digital. A União Europeia aprovou recentemente um limite máximo de 10 000 euros para pagamentos em numerário, uma regra que entrará em vigor em todos os Estados-membros até 2027. Por outro lado, em Portugal, as restrições já são significativamente mais severas. Atualmente, a l...

“Isso é mais assustador do que uma bomba nuclear”, reage CZ, da Binance, aos lobos robôs de combate da China

  A China começou a treinar seus robôs-lobos para realizar missões de ataque. O fundador Binance Changpeng Zhao, teme que esses robôs não tripulados sejam inevitáveis ​​em todos os países. A emissora estatal chinesa CCTV divulgou recentemente um vídeo de 5 minutos mostrando lobos robôs simulando uma batalha de rua. Alguns estavam equipados com armas de fogo, enquanto outros carregavam micromísseis e lançadores de granadas. A China exibe seus lobos robôs prontos para o combate Os robôs podem transportar cargas de até 25 kg e transpor obstáculos de até 30 cm de altura. Eles conseguem arrombar portas e se deslocar com segurança em terrenos irregulares a uma velocidade máxima de 15 km/h, como mostra o vídeo. As unidades também contam com recursos avançados de inteligência artificial que permitem o processamento de dados em tempo real, possibilitando a coordenação autônoma.  As imagens também mostraram que os lobos robôs são capazes de se coordenar com outras unidades aéreas para u...