Avançar para o conteúdo principal

Governo quer os ricos a pagar a crise

Em 2012 foram os pobres e os funcionários públicos a pagar a crise, principalmente devido à subida do IVA e eliminação dos subsídios da função pública, em 2013 o governo quer que sejam os ricos e os que tem a sorte de ainda ter emprego a pagar a crise.

Será que os ricos e as centrais sindicais e patronais deixam?

Nunca os ricos foram tão maltratados por um governo em Portugal como vai acontecer em 2013, quer seja pelo aumento escandaloso do IMI (sim porque quem possui uma propriedadezeca já é considerado rico) quer seja pelo aumento repetido e somativo das taxas sobre os dividendos, juros e mais-valias, quer seja pela nova taxa agravada para propriedades acima de 1 milhão de euros (e qualquer apartamento bom em Lisboa vale mais de 1 milhão de euros), carros de alta cilindrada, barcos, aeronaves particulares, etc.

Mas deixemos lá os ricos que os poucos que ainda resistem acabarão por fugir do país (os verdadeiros ricos pois os falsos ricos não podem fugir e vão ter que pagar o IMI ou vender as suas casas) e concentremo-nos nos que ainda tem a sorte de ter emprego.

Esse bicho cada vez mais raro, que ainda tem a sorte de ter emprego, aparentemente vai ver o seu ordenado líquido reduzido em 7% por via da transferência de parte da TSU (mais de 5%) da entidade patronal para o trabalhador, bem como um aumento de cerca de 1% na mesma para garantir a sustentabilidade da Segurança Social.

Eu disse “aparentemente” e vou explicar porquê mas antes queria tecer as seguintes considerações:

- A Troika sempre quis a redução da TSU para as empresas.
- A Troika sempre quis a redução dos ordenados dos portugueses.
- O Governo recusou em 2012 pedir ainda mais dinheiro aos pobres para financiar a redução da TSU.
- A Troika sempre quis uma contração da economia para redireciona-la para os bens transacionáveis (a contração diminui as importações e estimula as exportações).
- O aumento do desemprego, contração económica e poupança das famílias foi superior ao esperado.
- A Europa está a dar sinais de contração ou desaceleração.
- O aumento do desemprego põe mais pressão sobre o governo para descer a TSU das empresas.
- A contração económica e poupanças das famílias superiores ao esperado põe menos pressão para o governo e a Troika tomarem novas medidas de austeridade sobre as famílias.

Dito isto vou passar a explicar porque eu disse “aparentemente” (para alguns, não para outros) e porque é que eu penso que o governo diz que a medida só vai aumentar a contração económica em pouco mais de 1%

A explicação também serve para perceber porque é que os patrões se uniram às centrais sindicais na luta contra esta mexida da TSU.

Explicação:

É que qualquer gestor sabe que é indispensável manter os seus trabalhadores motivados e a descida anunciada do ordenado líquido em mais de 7% (7% por via da TSU e mais não sei quanto por via do aumento do IRS que ainda está por definir) irá desmotivar os trabalhadores.

Então o que qualquer empresa que ainda esteja economicamente saudável vai fazer é aumentar os ordenados dos seus funcionários de forma a minimizar esta medida do governo e assim o dinheiro que o governo diz que vai reverter dos trabalhadores para as empresas, vai acabar por reverter para o Estado porque os empregadores irão aumentar os ordenados e consequentemente o estado irá arrecadar mais receita (não digo que globalmente a receita vai aumentar mas sim que em relação a este universo a receita vai aumentar)

Assim as empresas ficam com a fama de terem recebido o dinheiro dos trabalhadores mas quem fica com o proveito são os cofres do Estado.

As outras empresas que estão em graves dificuldades e não vão poder aumentar os trabalhadores é que sim ficam beneficiadas e pode ser que até consigam não abrir falência (algumas).

Assim o governo, apesar de não o ter explicado, mata 3 coelhos de uma só cajadada: diminui os salários da função pública nos referidos 7% (mais ainda devido ao IRS), salva algumas empresas da falência diminuindo o aumento do desemprego e a economia não contrai tanto como se possa pensar porque os empresários que podem pagar vão pagar a factura.

Não estou a dizer que os trabalhadores não irão pagar a crise em 2013, o que estou a dizer é que o pagamento será repartido pela função pública, trabalhadores, empresas e ricos ao contrário do que aconteceu em 2012 onde a crise foi paga essencialmente pelos funcionários públicos e consumidores onde se incluem os desempregados e pobres.


Será que os ricos e as centrais sindicais e patronais deixam? e porquê o PS, PSD e CDS estão unidos nesta matéria contra o governo?

Ainda bem que eu sou português capaz de pensar por mim e não partidário. Não se deixem manipular pelos interesses instalados!


Por: Wilson Ferreira Antunes.
Em: http://comentariosdowilson.blogspot.pt/2012/09/governo-quer-os-ricos-pagar-crise.html

Comentários

Notícias mais vistas:

Rendas congeladas “desesperam” proprietários e inquilinos apontam despejos como medida “oportunista”

Foto: Rodolfo Alexandre Reis  Luís Menezes Leitão, presidente da Associação Lisbonense de Proprietários diz que as propostas do Governo sobre o descongelamento das rendas são “minúsculas” e que mesmo em relação ao despejos “falta muito por esclarecer”. Já António Machado, líder da Associação de Inquilinos Lisbonenses considera que aumentar a liberalização dos contratos significa que “a parte mais fraca ainda fica mais fraca”. Concordam em discordar. É desta forma que os proprietários e inquilinos olham para o conjunto de medidas apresentadas pelo Governo sobre o novo regime do arrendamento urbano (NRAU). No lado da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), o presidente Luís Menezes Leitão, lamenta que o congelamento das rendas antigas a 1990, um dos principais cavalos de batalha da ALP se mantenha praticamente inalterado. “As alterações são minúsculas e só têm significado relativamente a inquilinos que ganhem acima de cinco salários mínimos mensais e mesmo assim estabelece a fi...

Portugal: ANACOM chumba transferência de licença para a Starlink de Elon Musk

 A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) rejeitou o pedido de transferência de direitos de utilização de frequências de rádio para a Starlink, o serviço de Internet por satélite da SpaceX, empresa liderada por Elon Musk. A decisão poderá limitar os planos da empresa para reforçar a sua presença no mercado português das comunicações por satélite. ANACOM não aceita transferência de frequências para a SpaceX Em causa está um pedido apresentado pela EchoStar Mobile para ceder temporariamente à SpaceX direitos de utilização de frequências na banda dos 2 GHz, destinadas a serviços móveis por satélite em território nacional. A proposta de decisão da ANACOM abrange duas faixas de frequências: entre 1995 e 2010 MHz e entre 2185 e 2200 MHz. Estas frequências são relevantes para a prestação de serviços de comunicações por satélite e podem assumir um papel importante no desenvolvimento de novas soluções de conectividade. Segundo a informação divulgada, o regulador português pretende rej...

Porto de Leixões recebe 7,2 milhões de euros para descarbonizar navios atracados

 O programa Sustentável 2030 vai financiar a instalação de sistemas de energia elétrica nos terminais do Porto de Leixões. O investimento visa apoiar a transição energética do setor. O programa Sustentável 2030 lançou um concurso de 7,2 milhões de euros destinado a financiar a implementação de sistemas de abastecimento de energia elétrica para embarcações acostadas no Porto de Leixões. A taxa de cofinanciamento público poderá atingir os 85% do montante total investido pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). Os novos sistemas eletrónicos serão distribuídos pelos terminais de contentores Norte e Sul, bem como pelo terminal de passageiros localizado na Doca 1 Norte. Ao assegurar o fornecimento de eletricidade a partir de terra, esta infraestrutura permitirá que os navios operem com os motores desligados durante a sua permanência no porto, eliminando as emissões diretas de gases com efeito estufa e mitigando a poluição sonora na região circundante. Em...